domingo, 3 de janeiro de 2010

Bolt (o filme)



Como em todos os natais, que me lembremos na TV ou no cinema há estreia de filmes para a pequenada.
Coisa que me agrada bastante pois a animação é um género que me agrada bastante, e com o desenvolvimento das novas tecnologias e a animação 3D ouve um passo de gigante. Por um lado o movimento que se aproxima mais da realidade e apreciar o rigor do movimento diz-nos logo se ouve ou não trabalho pois para executar um movimento são precisos inúmeros fremes que por vezes o espectador não tem noção do trabalho que esteve por detrás, outra conquista foram as transparências, e aqui o passo foi de gigante pois aproximou-nos mais da realidade temos noção desses pormenores ao longo de poeticamente todo o filme.

Mas para mim em primeiro lugar vi no filme vários conceitos que vigoram hoje em dia como catapultas para o processo criativo bem como para a produção.
!º Neste sentido temos a noção de câmara clara e câmara escura presente em todo o filme tanto na estruturação dos espaços físicos onde estes se movem como na estruturação do espaço mental que caracterizam os personagens.
2º Mas a este conceito aparece um outro o de mobilidade, errância, mendicidade, peregrinar, mendicidade.
Este género de conceitos se analisarmos o que se anda a produzir está a ser a base da produção criativa.
Mas passemos para o filme, um cão que é actor de cinema que sofre de problemas de solidão ve na miúda que contracena com ele a sua melhor amiga. Devido ao trabalho de actor este não tem noção da realidade em que vive pois vive dentro dos estúdios e não tem hipóteses de sair. O seu mundo passa a ser o do personagem que veste a pele e que o prende numa outra realidade disfuncional pois este não vê a separação entre o actuar e a realidade, e veste de tal forma a pele do cão que acredita que é o super cão a que da vida.
 E aqui já temos vários conceitos de câmara tão em voga, o filme dentro do filme, o personagem principal preso nele próprio pois não tem noção entre realidade e ficam.
Mas visualmente o filme é mais interessante a caravana dentro do hangar do estúdio e dentro dela a casa do animal.
Mas o enredo complicasse e devido ao seu problema de deturpação da realidade este deside salvar a amiga e por azar mete-se dentro de uma caixa que por sua vez é colocado dentro de um camião que o leva da costa oeste para leste e é “libertado” da viagem in boxing na boxing cidade em gavetas N.Y. maça apetitosa para uma grande aventura catartica do procurando a amiga, que gradualmente torna-se da aventura da descoberta da realidade e onde o conhece-te a ti mesmo na aventura de viajar onde a própria viagem é uma aventura de autoconhecimento.
E agora estamos perante dois conceitos o da câmara onde o cão vive numa realidade pois pensa que é um super cão, que o aprisiona nele mesmo e o conceito da viajem há procura da amiga como processo do conhece-te a ti mesmo, na viagem vemos abordados conceitos como, nomadismo, mendicidade, e onde aos poucos associados ao nomadismo e descoberta  conceitos de sociabilização como amizade, companheirismo, auto ajuda.
E nesta descoberta tocata das procuras oude se procura e auto se descobre entram outros personagens que ajudam a toda a estruturação da viajem e da aventura de viajar e de descobrir, aparece assim um gato que chantagem pombas criando onde põem em pratica um sistema intimidatório (mafioso) para a obtenção de comida, todos presos no sistema ciciante que estrutura todo o esquema. Gato que foca preso ao cão fisicamente pois é obrigado a lea-lo de novo para  costa oeste.
A meio do caminho aparece um hamster personagem aprisionado numa bola transparente e que só no fim vê a bola partir-se não tendo já algo físico que o aprisione, torna-se interessante pois o hamster pode representar os teledependentes preso ao comando, que constroem a sua realidade há volta da caixa magica que os liberta e aprisiona no sedentarismo que implica ser teledependente. Mas o hamster serve também para por em causa outro conceito o do personagem que vemos na TV, e depois quando estamos em frente dele e aqui já não do personagem mas do actor que da vida ao personagem, e aqui vemos dois conceitos a ser postos em causa, o do que actua e perde a noção da realidade e o do que vê e não consegue distinguir a realidade a ficção pois é o herói esta há frente.
E assim temos mais um elemento para a viagem o cão que procura a amiga e se descobre e começa a ter noção da realidade, o gato que é tirado da realidade onde tinha montado um esquema vicioso, e por fim um hamster que vive aprisionado numa bola transparente e que é teledependente tendo também problemas de estruturação da realidade, onde na sua forma de ser põem em causa o que se vê na TV e a forma com apreendemos a realidade em si.
E nesta procura nómada onde nos remete ao feiticeiro de OZ, lá vão na estrada de asfalto caminhando nos passos externos que se reflectem na interioridade dos peregrinares interiores onde a cada paragem é descoberta para se reencontrar. Ideia vanguardista mas que numa outra escala já posta em prática há séculos com a ideia do peregrino, onde o caminho obedece a toda uma serie de estruturas que ajudam a estruturar o que peregrina e a descobrir-se.
E vemos assim em alta velocidade do cão que afinal não é super herói, a do hamster que dá-se conta que afinal o cão não é herói e ele ate esta a ser herói dentro de uns sistemas de clichés que subtilmente pontilham o personagem, de um gato que descobre valores e tenta dar uma nova realidade ao cão dentro da mendicidade que representa.
A caixa, a caixa de mendigo, o preso exposto que ninguém repara. (ideias tão recorrentes hoje nas artes)
E chega há cidade ao estúdio e a descoberta da sua substituição, a subtileza critica aos estúdios,
E como acto de final quando se descobre toda a realidade, a caixa do estúdio que arde, onde tudo o que aprisiona e é aprisionado termina, onde o fogo aparece como elemento de purificação e de nova forma de ser, decide salvar a amiga que o tinha trocado, aprisionando-se mais uma vez e com a sua imergia toda mesmo sabendo que não é super herói, pratica um acto de heroicidade libertando-se assim a ele e a amiga.
Boa historia muito interessante, divertindo para toda a família, em particular quem leva ao cinema os filhos e certeza acaba por se divertir mais que eles, e assim juntos podem descobrir o quanto maravilhoso pode ser um filme apesar de tanta arte que se tem de ter para o fazer.

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