(Continuação)
Antes de continuar convêm fazer uma retrospectiva sinóptica
do que escrevi anteriormente.
Comecei por abordar o mundo Lusitano pelos painéis apoiando-me
nos painéis para explicar as opções de um pais numa época, que se viveu nela
digamos até ao terramoto de Lisboa.
Mas se olharmos os painéis, temos na historia da pintura um
elemento inovador que ate há época poucas vezes ou nenhuma veio a ser posta em
prática na pintura, ou seija poen- se em pratica o conceito espelho. os painéis
na sua totalidade são três sendo os outros três o reflexo dos três painéis originais
que nunca existiram, os três painéis da direita que são os da esquerda
representam os três painéis centrais que nunca foram executados em espelho, por
sua vez os painéis da esquerda são os da direita que são o reflexo esquerdo do
painel central. O espelho aqui é o resultado da reflexos do todo dividido, o
elemento espelho não entra na composição pois o execute tem como quem elabora a
ideia da construção dos painéis (e devido a carga que o espelho tem na época como
elemento que há sua volta desenvolve todo um conceito supersticioso pois o
executante não pinta a imagem reflectida em espelho pinta o que é o resultado
da reflexão, pois se o executante pinta o espelho ele aparece no espelho, e se
se vir ao espelho enquanto executa a obra ele próprio é integrado no todo da
obra, Velásquez ao pintar as meninas esta de costas ao espelho que reflecte o
rei e a rainha no interior do palácio, quem esta no espelho que nunca esteve é
a sociedade da época a sociedade que são a estrutura isto é na sua divisão é a
sociedade que são os reis e as rainhas, por isso o próprio pintor está de
costas para o espelho da composição, para estando dentro da composição esta
fora dela faz parte da sociedade que olha por isso o elemento espelho só era usado
dentro de um contexto individual, o artista ao usar o espelho por se ter
reflectido faz parte da obra ficando la a sua marca apesar de ser temporária mas
enquanto a execução ficou lá. A nível pesoal quando sei que há obras que tem
espelhos e já calculo o contexto evito colocar-me em frente a elas mas coabito
com vários espelhos no meu quotidiano, o espelho como matéria de produção artística
é sempre o pau de dois bicos, e consoante o espelho e forma de utilização
jogamos com leituras e diferentes). Assim os painéis são o resultado de uma
sociedade que vive de costas voltada coabitando mas de costas voltadas com
objectivos diferentes e só alguns personagens se olham entre si pois ai esta a
chave no dialogo entre as partes.
Mas a realidade actual portuguesa não tem nada a ver com os painéis
de S. Vicente, mas vem de outra construção artística bem mais elaborada. Podemos
dizer que a influência dos pineis acabou no chamado terramoto de Lisboa, quando
as realidades reflectidas estão descompensadas na sua totalidade.
Lisboa na época antes do terramoto assemelha-se muito ao Portugal
entrado na comunidade europeia, numa abordagem económica.
A sociedade antes do terramoto reflecte apenas um lado dos painéis,
a igreja nunca fora tão influente como na época tenta-se criar um concorrente
cede lusitano ao papado de Roma pois sendo a Lusitânia o império as almas que
governa é muito maior, por isso a sede da igreja em Portugal construída em Lisboa
é esse altar do mundo português da época que cai com o terramoto, já podemos
ver uma arqueologia de Fátima que desponta com o salazarismo.
Se antes do terramoto a grande obra era a grande igreja que
estava em construção representando o lado imperialista Português, pôs terramoto
e ainda com o absolutismo no poder temos sim as directrizes de Marques a
imperar temporariamente mas tendo sempre a família real por perto.
A produção artística desta época tem como base dois três
eixos, isto é três ideias, a económica, a arquitectónica encarregue pela
reconstrução e mais tarde a da engenharia.
A economia que se vivia em Portugal era uma economia
sustentada pelas economias externas, Portugal nem se limitava a olhar para o
solo, que tinha sobre os pés, se entrava a matéria que fornecia as divisas há capital
para se sustentar, Portugal era apenas o vendedor a granel, não se preocupava
com a transformação das matérias-primas e na sua venda já manipulada,
armazenava e vendia a granel.
Pos terramoto a realidade é diferente ainda sociedade
imperial, mas sem tantas descargas nos portos, Portugal adopta o que fica
conhecido por Proteccionismo, influencia inglesa, pois já estava a por em
pratica, mas desenvolve um proteccionismo tendo como objectivo, quase exclusivamente
a Inglaterra, a Inglaterra é quem adquire a produção portuguesa consequência do
passado, e vemos assim pela primeira vez um pais a olhar para ele e a tentar-se
conhecer, desde a sua formação nunca tinha olhado para ele apenas entrara num
processo imperialista de expansão territorial. O país, vivia, digamos como o
império romano as custas das ocupações.
O Portugal pós terramoto comessa a olhar para ele e a
tentar-se conhecer, e como nunca se tinha olhado bem decide adaptar estratégias
baseadas não em si e na sua realidade mas nos ditos aliados ou antes impostas
por estes, reparem para bênção foi criada a industria do vidro e do cristal,
implanta-se a produção têxtil baseada na lã descorando-se o linho e a fibra da canabis
que eram centrais e bem mais importantes que a produção dos lanifícios.
A produção do vinho é delimitado tendo como regra base para
a sua comercialização a incorporação do espírito do álcool na sua produção
sendo assim a única alternativa para os vinhos portugueses e se esta pratica já
era utilizada a nível restito, passa a ser generalizada, tendo como selo a casa
real como garante e marca de produção. Mas ai Portugal cria a diferença, cria a
linguagem das marcas, o mesmo vinho passa a ser feito de formas diferente, isto
é há vinhos e vinhos sendo o expoente máximo o vintáge (acabando por vender
depois a própria marca de exclusividade), relíquia guarda de e exportação a preços
altos, onde o vinho d porto que tem mais saída é uma mistura de vinhos de
diferentes idades trabalhado por enólogos.
A madeira começa a apostar também ela na produção do vinho
da madeira mas baseada numa forma produtiva diferente, sem influencias de exigências
inglesas, que concorre com o vinho do
porto, o mercado do vinho da madeira não tem como objectivo o mercado Português
mas sim o império Inglês, se repararmos a constituição americana foi brindado
com vinho da madeira, o vinho da madeira é o vinho especial do império inglês
bem mais especial que o do porto.
O comercio entra num regime protecionista tentando produzir
o que necessita para se financiar e voltar há tona, mas devido aos vícios do passado,
o que entra no pais continua a ser muito mais como forma de manter uma
sociedade a viver sobre modelos de fora não criando modelos e reformolando
assim uma industria baseada nessas modelos, continua-se a importar tudo e a
produção nacionão não consegue garantir o pagamento das importações.
O dinheiro que entrou no país antes do terramoto não gerou
nada, apenas garantiu a mobilidade de uma sociedade que de tão dinâmica ficara refém
do seu dinamismo e da sua mobilidade investiu-se no aparente apenas, na
existência das vaidades e das parvoíces peneiras.
Pós terramoto a realidade é de tal forma diferente que
afinal faltava tudo e sobravam igrejas, e palácios virados para dentro.
Pós terramoto nem igrejas nem palácios, e temos uma
sociedade que se tenta por de pé, e ai experimenta-se algo de novo, pela
primeira vez Portugal olha para o passado e adapta ideais dentro de uma
ideologia que tenta esconder tendo a grade como base de criação e planificação
indo beber ao passado egípcio bem como há segunda fase do mundo helénico e ai
inicio expansivo romano.
A cidade nas encostas mantém o labirinto das suas ruas mas
nas zonas mais planas ou que permitem uma planejem é utilizada a estrutura da
grade da agricultura tendo o compasso e o fio-de-prumo bem de perto bem como as
regras da esquadria baseado na grade agrícola doo nivelamento e na criação de
rectas a unir pontos.
E sobe este esquema é traçado a nova cidade dialogando com a
velha cidade, isto é o dialogo entre os vales terraplanados e as colinas guardiãs
do labirinto.
E temos assim pós painéis a grande obra é a cidade é a
planificação a criação de um novo corpus para a capital. Que tenta integrar o
passado e o sonho ainda existente nas colinas, com os novos ideais tendo o
sonho ou antes o do ideal do sono do passado que não soube ser governado por
quem governava e não pelos que eram responsáveis pelo governo. A família real
sempre foi refém dos interesses que governaram o país. Acusada de governar sem nunca
ter tido o poder, pois os senhores absolutos eram os que viviam no fausto da
sua vã glória do poder, e como sempre depois quem paga a fava foi sempre quem
foi condenado a comer favas em vez dos que comiam os banquetes.
O terramoto o que trouxe que Portugal deixou de ser narciso
imperialista (vivendo numa das formas sociais, narcisos perigosa), dando-se
conta pela primeira vez desde a sua formação afinal o que era, uma capital com paisagem
variando no território, cheia de nada, nunca se dera ao trabalho de olhar para
a pesagem. A única paisagem que conhecia e que sempre conheceu foi a dos
microcosmos que sempre explorou até a exaustão. (mas não vou agora falar nos
jogos artísticos de macro e microcosmos e de interrelações e influencias pois
foi o que sempre fez o macro a olhar o micro, reduzindo tudo a base de um jogo tendo a indução Pavloviana como base ).
Actualmente passa-se o mesmo as capitais e as paisagens
colocando-se auto-estradas na paisagem para se passar tão de presa para não se
poder dar conta dela, mobilidade sim mas a pacar para se mover, não criando
produção de riqueza entre vias de ligação. E mais uma vês vivemos no pais de os
ver passar, e cada vez mais depressa, ficando os analistas a questionar-se que
negocio eu posso arranjar pois nem param é só velos a passar miragem que nem trás
nem leva mas tudo gosta de papar.
E ca estamos mais uma
vez ricos em comunicações, em vez dos cristais temos as energias renováveis, o
vinho esse continua, a industria têxtil se fora mão de obra agora ate esta está
a rasca a do calçado vigora mas baseada as exigências dos estrangeiros,
questionando-se cada vez mais a capacidade e o arrojo lusitano.
O pais esta a ser garantido na vã existência agora na sua própria
venda, venderam-se os anéis ao desbarato vendeu-se tudo, ficamos de tanga só
para uns tirarem fotografias e viverem na vã gloria do “ai sou importante e
poderoso”, e agora já que não há mais nada para vender, vamos como diz um amigo
“dar cu”, nem que se reinvente uma Brites com muitos virgos postiços para quem já
foi muito desflorado, e não a virgo que pegue na elasticidade das paredes.
E chegamos ao quadro artístico actual, mobilidade de os ver
passar todos reis, todos nus, e todos a ter do cu dar. E viva, na fantasia momentânea
do que estão a criar, tentando criar a ínclita geração, e devido a forma de
ser, olhem que bela composição.
Por em prática a teoria das câmaras mas esqueceram-se de
focar e a grande fotografia, de tal forma bem focada, que conheço fotografias
desfocadas mais interessantes.