sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

imaginarios do pasado, personagens do presente


Todo o imaginário infantil, pelo menos o meu, e aqui falo por mim, é composto por histórias que praticamente todos nos conhecemos.
E vemos que há um número de histórias transversais a todos os crescimentos, assim temos desde a branca de neve em varias versões mas seguindo o mesmo esquema, se uns têm na sua mente a visualização dessa história dos estúdios Disney, outros tem na cabeça a historia que lhes liam antes de dormir.
As histórias passaram para o prelo, foram ilustradas e depois pegando nessas histórias foi feito um filme, existem adaptações para filme que se tornaram imortais e estruturaram o imaginário, para muitos a bela adormecida é a do Disney, e é obrigatório que o fato seja aquele pois faz já parte da caracterização do personagem.
Não quero desenvolver aqui um estudo de predicados que se associam aos personagem que ajudam a estruturar o personagem.
Pelo contrário
Com o que tenho em mente com o que estou a escrever é questionar-me sobre outras coisas.
Neste momento damo-nos conta que a banda desenhada de outro tempo passou para o grande ecrã.
Mas como vivo em Portugal quero questionar sobre outra coisa.
Se Asterix estrutura um certo nacionalismo, onde o ser gaulês é do melhor, vivendo numa forma de vida particular bem diferente da do invasor romano.
O pequeno viking viky ou wickie faz parte do imaginário de outros tantos onde o seu capacete e a sua forma de ser criam e tipificam um sentido aventuroso, e mesmo sendo-se criança esse capaz de executar as mesmas coisas que os maiores.
O super herói ou melhor a parafernália de heróis americanos que fazem a apologia do ser como super herói ontem tem de se ter um inimigo e na falta deste imaginário, acabada a guerra fria e os sovietes chegáramos et`s e depois volta a tempestade do deserto e quando esta acalma regressam as invasões dos extraterrestres, alternando heróis e historias consoante a realidade que nos querem oferecer.
Assim temos uma parafernália complexa de heróis e atributos que deixariam os deuses do holimpo de olhos em bico com tanta necessidade de característica e super características heróicas, onde a mascara esse é sempre uma das chaves da historia onde anonimato e identidade são parte integrante da própria historia.
Mas não quero despontar esta questão.

O que me interessa aqui focar é que somos portugueses, na lusa existência, e tentar vasculhar a memória há procura de um herói ou personagem infantil que ajude a estruturar e fomente e brinque com isto de ser português por muitas voltas que dê a cabeça, nada.
Aparece-me na mente o zê povinho, onde sempre com dizer em rodapé sugerindo, “aqui não se fia”, ou outro dizer, mas seguindo sempre esta característica.
Mas o interessante é que até agora com tanta personagem histórica que somos obrigados a estudar na historia, de circunvalação ou de passagem de cabos nas tormentas da nossa historia, onde infantes inovadores, não saem de contextos históricos, onde os heróis dessa historia tem que estar sempre guardados nas estantes do pó da memoria e não se consiga desenvolver personagem e histórias que falem, façam rir e chora desta estranha forma de se ser português nesta lusa expressão da existência entre o céu a terra e o mar.
Sim
Parece que temos medo de brincar com a historia, dos seus personagens refazer e recriar, contar.
Por ex, os nossos vizinhos ainda tacteiam e tentam descobrir, e aparece o Cid o campeador, que se por um lado segue uma narrativa histórica coincidente com a história noutros divaga, aborda outras questões, e pretende usando um personagem do passado criar situações onde se brinca com o presente, ou mesmo com ascaracteristicas de se ser ou isto ou aquilo, exploraram o Quixote, e através desse passado tentam criar personagens para novas histórias.
Aparecendo personagens infantis, apoiados na memória e na história.
É claro que umas mais bem concebidos que outros. Mas está-se sempre há procura.
Mas o interessante é que os que analisando a forma de estar e de ser de uma nação tentaram criar personagens neste momento esses personagens fazem parte da nossa imaginação.
E neste momento nesta fábrica do Sec.XXI de se criar e conceber as historia agora passam para o cinema.
Os personagens que fizeram parte do imaginário infantil dos pais agora fazem os mesmos pais a levarem os filhos a ver os seus heróis que os prendiam ao televisor mas agora numa outra abordagem, acrescentando mais um parágrafo ao imaginário dos adultos a preparar o infantil para novos discursos de criação.
Acho que tentar explorar seguindo estes princípios, historia, memoria o que nos caracteriza, um personagem tipo que conte historias e brinque com a história e com o que é ser-se português. É interessante. E tornar o personagem ou personagens viáveis para comercialização.

Mas nesta dificuldade
Desconfio que apareciam as aventuras da virgem de Fátima a descobrir a cidade. A virgem de Fátima descobre o santuário, enfim isto de imaginar é só dar asas.
Ou a virgem de Fátima descobre a sexualidade
Ou as aventuras da virgenzinha que não era assim virgenzinha.
 E por ai fora pois parece que voltamos ao passado nesta identidade dos três F.
Bem sempre se pode explorar numa nova perspectiva personagens que fazem parte do nosso imaginário.

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