Com: Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg
Se tivesse que reduzir a minha opinião numa única frase teria que usar uma comparação para falar deste filme, e iria comparara-lo com um vinho que fala do vinho elementar da vida, encorpado, intenso, de cor rubi, de aromas a bosque onde se destaca o pinho e a carvalho resultado da maturação com um ligeiro toque a amoras silvestres, tornando visíveis os espinhos da sua colheita.
Para mim falar de Lars von trier e ralar de um realizador que na dança no escuro do cinema a que somos convidados a dançar seguindo a sua direcção é nos dada a participar dos sentimentos mais profundos e viscerais que caracteriza o existir.
Nunca sai indiferente depois de visionar um filme seu, o primeiro filme que vi deste realizador foi há muitos anos onde uma medeia a preto e branco despertava em mim uma catadupa de sentimentos que a partir desse instante, me fez acompanhar o trajecto deste realizador.
Convem salientar que depois do dogma onde o realizador se transforma na chave central da participação de tudo o que vemos pois é o actor invisível lente que através dela e do seu movimento mos é contada a narrativa sento ele próprio participante através da câmara actor da narrativa, não temos distanciamentos somos catapulta para o centro da acção participantes desta através da objectiva.
Para mim tornasses difícil falar de alguém quando admiramos esse alguém e pela primeira vez escrevo sobre uma das pessoas que acompanho e admiro, entre as tantas da sétima arte.
É dos filmes que reflecte a própria arte da criação e o tema central da produção das artes o grande motivo explicito ou menos explicito é sempre o mesmo e as varias visões e formas de nos apropriarmos do motivo e a partir del produzirmos criarmos. Se o veado o cavalo ou outro animal consoante a cultura são os elementos metafóricos levanta-se desde a primeira pintura rupestre na caverna dos despertares da existência.
Aqui temos todo um poema iniciatiico, somos convidados a comuncar da eterna luta da criação, onde tudo é catártico, tudo se torna divir pois tudo se recria tudo se transforma a cada pulçar do coração.
O filme traz com ele toda a carga peso da história da arte e por consequência da condição da existência. E existir implica a eterna afirmação dos sexos, lutas do bem mal amar, na redenção sacrificial que implicam todos os actos de amor, quem ama sacrifica-se dá-se como oferta no altar sagrado do leito dos amante da eterna luta da cópula como redenção.
Cada fotograma trás o peso da poética visual, são visíveis as influencias visuais da historia, desde a pintura parietal passando pelo surrealismo nedievalista de Boch, dos pintores do renascimento que pintaram os infernos do existir, barroquismos dos pormenores onde o objecto fala pelo todo, o romântico bucolismo de se inscrever na paisagem transformando o todo na unidade, o surrealismo experimental tanto da reflexão psicanalítica que nos apresenta bradando Freud morreu, e utilizando a própria imagem como acção hipnótica que nos prende, e quase nos hipnotiza tanto pelo assunto como pela construção da narrativa. Segundo o meu ponto de vista trabalhar com lars von trier deve ser das experiencias mais interessantes para um actor pois são experimentados psicodramas para a obtenção de cada freime, há frente da sua objectiva nenhum actor possui qualquer elemento da sua identidade mas é o personagem é o psicodrama de lars von trier em plena criação. E comungar dessa construção fílmica como interpretes é esquecer-se do eu e ser-se não a persona do personagem mas sim o personagem. Isto implica uma dádiva total do actor. E que actores, há muito que não via o Willem Dafoe e a actriz uma senhora que a cada freime ocupa todo o campo visual, com ela nada é indiferente, a própria natureza experimenta e comunga no psicodrama.
Para ser sincero tinham-me falado do filme, com fazem sempre dos filmes dele, e disseram “olha é a história de uma gaja que perde um filho e só quer foder”.
Se aquilo dito por quem foi era uma frase de dizer não é bom, para mim aquela frase vista por àquele realizador podia ser um autêntico poema visual, e como sempre faço nestes casos digo ai então não vou ver este filme esperando que va depressa embora a visita para ir loco para o cinema ver o filme.
E ainda bem que pensamos por nos a nível de gostos pois todo o filme é um poema sublime visceral onde o animal (anima mater) transformado luta na caverna da existência pela afirmação. O sexo é das coisas mais básicas e o elemento que sempre criou a discórdia na evolução humana as grandes lutas e tragédias implícitas no seio familiar são sempre sexista na carga dramática sempre a eterna luta da afirmação e da argumentação.
A grande luta da história das histórias da existência é sempre travada numa cozinha numa alcova ou num espaço que serve de leito para a estruturação de toda a tragédia.
O abrir ou fechar pernas é ele próprio uma arma, de negação ou de redenção que implica sempre o sentido de “redentore mater” implícito.
A cópula como redenção afirmação purga drama, o sexo como obra poética que em clous hape so tem dois pontos de vista e há agora a necessidade de nos distanciarmos para a construção metafórica. O sempre eterno instinto básico como a sempre eterna básica luta dos sexos.
Como repararam não descrevo a narrativa coisa que não gosto de fazer para isso devesse dizer vejam o filme, e assistam há historia, eu tento falar um pouco do muito que sempre fica aquém do tanto que tenho que dizer neste caso.
O que tenho que tentar transmitir aqui é que deixem-se de puritanismos e assistam ao tema mais elementar que caracteriza todo o drama da existência.
E deixem-se arrebatar pois e nestes filmes onde temos a noção de arte vendo todas as artes inscritas na sua estruturação.
Espero regressar e ter tempo para continuar a escrever sobre este filme em particular pois levanta temas interessantes, a morte da psicanálise freudiana, tirando a mãe do pedestal, que a contra educação sempre a colocou, da virgem Maria, que nunca foi branda nas emoções.
Arte primitiva e renovação das artes.
O historicismo para a construção narrativa. Reformulando e recriando na arte dos devires sempre integrado nos ciclos da historia e na sua criação a partir do já criado, garantindo a continuidade e renovação dos ciclos.
Psicologia entropia psicodrama na construção da narrativa.
Espectador participante da narrativa devido a forma de captar a narração.
Metáfora realidade desestruturação estruturação construção.
Entre outras coisas, mas o mais importante o meu bem haja a toda a equipa que me deu a oportunidade que na caverna escura da sala do cinema pudesse ver as sombras da forma de ver de lars vom trier, nome que estruturou um todo e nos deu esta obra magnifica a comungar.
Bem-haja

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