Actualmente acho que ando a tentar recuperar o visionamento dos filmes que não vi, por vários motivos que não vou explanar neste momento, pois acho que seria falar de um passado ainda bem visível do ponto do presente onde ma encontro. Talvez isso explique essa anciã de ver e de ver, se uns filmeis um visionamento parece ter chegado em outros levanta-se a questão de o voltar a ver e tentar ver no segundo visionamento o que me poderia ter escapado. Ver implica muitas formas de análise se por um lado temos o guião que da estrutura e estruturalisa a historia, demos a interpretação que faz viver os personagens, a forma de como o realizador vê e nos dá a ver, a cenografia que cria, recria os espaços e poderíamos estar aqui a falar das várias linguagens para criar corpo a uma linguagem que nos é apresentado.
Mas neste momento acho que depois de ver dois filmes, “Invictos” e Destrito9” tenho e sinto-me obrigado em escrever ou melhor dar a minha opinião sobre o visionamento destes filmes que tem em comum o mesmo alicerce mas a forma de nos apresentar o problema bem diferente a nível linguístico e na forma de nos apresentar o mesmo problema.
O espaço geográfico é comum África, e devido a problemas apresentados podemos até precisar mais o espaço geográfico África do Sul.
Mas passemos para o cerne da questão que me obrigou a matracar com os dedos as teclas do meu computador.
Ambos os filmes falam de descriminação e da luta de direitos e a luta pela igualdade.
“Invictos” filme que nos da comungar a vida de Nelson Mandela nula perspectiva clin, mas tenta falarmo-nos da vida do ex presidente através de um jogo de rugby a preparação do campeonato de rugby que aconteceu na África do sul, e através destes factores dar-nos a conhecer a personalidade tanto do homem Nelson Mandela que ocupou pelas eleições a presidência da África do Sul. É bem sabido que o desporto é a melhor forma de concentrar os olhos de uma nação, e fazer do jogo a forma expressiva para nos falar dessa nação, se virmo esta formula não é original, se analisarmos a realidade histórica a que nos foi dado a viver, reparamos que os jogos Olímpicos, tanto na época clássica como os da era moderna nos falam desse assunto se os primeiros falam-nos de como o individuo-o personaliza a cidade estado que participa no jogo, e consoante o resultado transforma-se no herói, na época moderna se por um lado o individuo personifica o lado individualista da superação, e conquista inscreve-se nepois no grupo do pais que esta nos jogos e luta pelo maior numero possível de medalhas.
Se repararmos temos todo um esquema montado na forma de captar os jogos e nos dar a velos mas tanto na época antiga e moderna, a estatua do herói que é feita e nos fala da conquista e do que deu nos jogos, na época moderna a linguagem complica-se se por um lado o desportista alem servir de exemplo para falar de individualismo e superação bem como de conquista, mas depois inscreve-se como personificação de uma colectividade e assume nas suas costas a imagem de um pais.
Temos exemplos muito interessantes, o caso Ronaldo, Zidan que também deu um filme interessante o super herói da bola que anula a equipa pois todos os olhares se concentram nele, mas como estes muitos outros Pele que devido aos seus feitos vira actor para nos falar da vida em camps de concentração, e como o futebol para os prisioneiros de guerra é uma forma de reivindicar a sua ideologia perante o opressor. Mas como este muitos mais filmes que abordam o mesmo tempo como a partir do indivíduo desportista na fala do colectivo e da luta que implica o jogo. O interessante é que no fundo todos são individuais inscritos em equipas, ainda não vi um filme que fale da luta do individuo perante o individuo e as equipas e não pertencendo a equipas, acho que daria uma nova visão de reinterpretar as coisas, numa linguagem de arte religiosa ocidental seria uma vida de Cristo sem equipa se mãe sem amigos sem nada, como a verdadeira historia do Cristo o homem sempre só. No jogo das equipas.
Mas já me estou a distanciar do que me levou a escrever se invictos usando a linguagem tradicional do cinema do dito dos grandes estúdios que num passado chegou a ter uma designação mais precisa de cinemascópe, e nos dado a ver uma historia onde se fala de descriminação luta superação omitindo o lado embaraçoso de situações, e as próprias fricções raciais são demasiado polidas parecendo que tudo se inscreve na perfeição das imperfeições que não podem ser vistas questionadas e apontada, mas possuidora de imagens poderosas que so o cinema nos podem transmitir, logo no inicio os dois campos de jogos divididos pela estrada que separam mundos diferentes e formas diferentes de se estar e viver.
Outra ironia do filme é a equipa de rugby, que representa uma nação, de maioria negra, mas uma equipa de maioria branca, não aborda uma questão que dava essa sim um filme, o futebol como linguagem democrática, e o rugby como linguagem de quem utiliza uma bola oval para se impor, isso é visível quando os jogadores vão jogar com as crianças de um bairro que deixa a bola de trapos para serem iniciados na parafernália da bola oval.
È daqueles filmes que todos ou quase todos ao sair do cinema saem com um sorriso pelo direito do sonho a uma utopia ou com os dentes de fora pois acham que não se pode sonhar com utopias. Ou com a tristeza no rosto de não terem o direito ao sonho e como diz a canção o sonho comanda a existência.
Distrito9
Fala-nos das mesmas lutas mas utiliza a metáfora como ponto de partida, uma sociedade que de tanto vacinada devido aos chamamentos de tomada de consciência fica inconsciente no olhar perante a realidade que a formula melhor e a partir da realidade criar-se uma metáfora ficcional, base essa essencial do sistema linguístico, a partir da realidade criarmos uma fição que nos fala da própria realidade,
Mas ao chegarmos a este ponto verificamos que tanto invictos como distrito 9 ambos são metáforas que abordam o mesmo tema mas com formas de abordagem diferente um mais realista que usando a historia como ponto estruturalmente da historia é o que mais se afasta da realidade, Distrito9 que usando a realidade e a sua distorção afastando-se o mais possível dela (basta dizer que o ET ele próprio é uma metáfora há cerca do individuo que é descriminado que apesar de poder ter muitos atributos isso não vale nada pois é diferente) nos aproxima de forma crua e dura com a realidade, a ficção que se torna realista e no outro caso uma realidade que se torna ficção.
Distrito9 para mim foi um achado entre os muitos do ultimo mês primeiro parte da linguagem típica do documentário para ser base estruturante de todo o filme.
O documentário fiquessional que fala sobre o real.
Dá vida a extra terrestres a comerem detritos e a viverem nos bairros de lata, estruturando um invólucro físico (o ET) para nos falar do real que devido a sua banalização de tanto ser visto e de tanto estar ao nosso lado não conseguimos ver o problema. Assim as imagens se tornam poderosas o ET Simboliza o favela-do, o Que vive nos suetos da existência, e não há pessoa que na sua cadeira de cinema não fique impressionada com O ET na lixeira distanciando este da visão clássica do invasor, ou dos silogismos já pré existentes a volta da figura extra terrestre.
Mas o filme levanta questões interessantes na estruturação da história
Primeiro a ficção baseada no real como documentário usando a linguagem documental, na estruturação do fio condutor da história.
A metamorfose como sistema iniciático de análise da realidade, no filme o perseguidor em contacto com os alienígenas entra em metamorfose física transformando-se num alienígena, passando de perseguidor em defensor daquela forma de vida. E aqui torna-se interessante levantar a questão entre linguagem escrita e linguagem cinematográfica, questão esta penso eu já ultrapassado e tanto discutida entre meios intelectuais relacionados com a semiótica, mas neste caso temos o caso da metamorfose kafkiana de câmara escura transformado em câmara clara, a metamorfose dá-se em espaço exterior, aprisionando o sujeito na realidade a que vai ser integrada, transformando a sua ideologia e o seu “modus vivendi”.
Outro ponto e a descriminação não só pela forma de vida mas também intelectual, aqui o ET original tem mais conhecimento que o humano, mas não há dialogo quer civilizacional isto implica o conhecimento e interpretação das linguagens para os fins, pois tudo se inscreve num processo linguístico, a tecnologia e desenvolvida dentro de um processo linguístico que cria linguagens expressivas dentro da sua linguagem, um chips é o sistema mais engraçado de exemplo todo um sistema de circuitos e de ligações que tem forma dentro de um sistema linguístico que o criou, dominar um sistema linguístico é tornar-se senhor da linguagem isto é domina a forma para a criação.
Mas não vamos aqui analisar-mos sistemas linguísticos tecnológicos na criação de tecnologias.
Voltemos ao filme, que se interessante na sua forma e de como usou os vários mecanismos de linguagem para a sua produção é visível as influências literárias que usou para a sua estruturação, se temos a metamorfose kafkiana para estruturar o personagem principal, vemos um final todo ele poético onde o personagem principal já completamente transformado na sua nova forma interpretando o Principezinho só e solitário no planeta terra.
Mas vemos também uma nova forma de estruturação da guerra dos mundos. Ou a metáfora da guerra dos mundos para falar das varias formas da existência num espaço em que nos inscrevemos. Onde o termo guerra dos mundos quer dizer ou melhor fala-nos das guerras na nossa realidade mundo este criado e recriado consoante as guerras em que se inscrevem as várias formas de vida.
Dois filmeis a mesma linguagem o mesmo tema.

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