terça-feira, 26 de janeiro de 2010


The Blind side



Filme que serve de um  caso real para a composição do seu argumento. E neste sentido como desconhecemos a real história ficamos com o ponto de vista que nos dá o filme. Um miúdo que tem dificuldades de adaptação com problemas familiares que numa noite caminhando pela existência numa estrada sem destino transportando os haveres num pequeno saco da sua existência, é encontrado nos encontros que são proporcionados por também irmos na mesma estrada. Leigh Anne (Sandra Bullochk) encontra e acolhe Michae (Quinton Aaron) e nestes encontros de estrada quem encontra também é encontrado.
Sandra Bullochk loira quase irreconhecível, dona de casa sem grandes desesperos mas com vida social nos esquemas de donas de casa desesperadas numa classe média alta dos hábitos sociais de scones e chá. Quem sou eu para falar de desempenhos de interpretação mas o curioso é que nos acasos no dia anterior tinha visto a mesma Sandra numa Proposta, onde uma executiva “ilegal” (gostei da ideia executiva de alto cargo numa emprese ser imigrante ilegal) arrogante, que para ser cidadã legal acaba por descobrir-se na visão romântica de subornar um empregado para se tornar “legal” (uso aqui legal no duplo sentido de legalidade jurídica e de calão simpática amistosa.
Mas em The Blind side esta irreconhecível, ao principio não me parecia ela mas sabia que ere ela. Vi o filme e ao fim sai com aquele sorriso de cinema para toda a família onde se acredita que pode haver esperança desde que se acredite, onde por vezes basta um empurrão, ou que também nos empurra gerando o estimulo que falta para; se ao ajudar alguém nessa ajuda vamos descobrindo o eu na forma em que nos ajudamos. Analisamos posicionamentos de vida e comportamentos em relação aos outros.
O filme como já referi apoia-se em factos verídicos e conta a vida de um jogador futebol americano e da sua mãe adoptiva, eu de futebol americano não sei nad, mas através dos jogos criados por uma civilização podemos analisar o acto civilizacional. Nessa América do norte destacam-se dois jogos que são adaptações de outros jogos há forma de ser americana, se o criket (ou como se escreva) deriva no basebol desporto por excelência nos estados unidos, podemos ver a influencia da antiga força colonizadora como base dando origem ao basebol adaptando o jogo do colonizador a nova forma de ser Americano, e se analisarmos o jogo e toda a envolvente descobrimos a personalidade de uma nação o individual na equipa onde através do individual se pode atingir o estrelato com todo um sistema comercial de franchising que apoia a existência da equipa apoiado no individual dos jogadores e na imagem da equipa que lhe sede o logótipo e a cor, criando a noção de unidade . podia falar mais sobre o assunto, mas o filme é sobre futebol americano eu de futebol americano pouco sei é parecido com o rugby (Influencia do colonizador) mas não é rugby é uma adaptação, mais agressivo, onde individualismo e equipa andam de mãos dadas, onde existe uma progressão em terreno quase militar, mas a parafernália do equipamento ajuda a criar a noção de muito agressivo e é necessário haver uma armadura, mas damo-nos conta que a agressividade é muito parecida com a do rugby, mas a armadura criamos a ideia de o ser ainda mais, criando uma outra noção de espectáculo,  para se jogar tem de se ter um equipamento que sai mais dispendioso que o do rugby, e depois todo o sistema comercial para assegurar a existência da equipa, apoiado no franchising da imagem dos jogadores.
Estou a falar de um filme e pretendia falar de argumentos que se servem do real para a sua estruturação, servindo-me do filme para analisar situações que me passaram pela cabeça depois do seu visionamento.
O interessante é que ao sair do filme pensei no Olbicuelo o medalha olímpica português e na sua história de vida, emigrante clandestino, trabalhador de obras, a viver praticamente na rua, é acolhido por uma senhora que lhe da abrigo, acha no atletismo uma forma de expressão, e chega aos olímpicos ganhando uma medalha.
Mas aqui a historia é revela outros aspectos de personalidade, 100 metros desporto individual de alta competição agilidade e resistência, onde estamos dependentes só de nos, mesmo tendo um treinador, é a nossa forma de ser que nos ira proporcionar o chegar a algum sitio. Mas analisar o caso Olbicuelo pode ser ainda mais profundo podemos analisar o pais periférico que é Portugal a importância que tem na triangulação atlântica, e quando são criadas condições ate se chega a metas onde se olha para o emigrante de bom grado não tendo complexos na sua aceitação isto pela rama da visão, pois se formos analisar o caso Olbicuelo podemos ver coisas que poderiam contradizer isto que acabei de escrever, a existência é sempre complexa.
Mas se nos esteites chegamos uma historia onde como nas novelas tudo parece pobre de estúdio aproximando-nos pouco com a realidade.
Se repararmos os jornais vem cheios de Obicuelos ou Michael`s identificados ou anónimos. Pedaços de existência em que pelo mero facto de se existir dão um argumento.
A realidade que é interpretada segundo o ponto de vista e depois nos é apresentada, já não é a realidade dos factos são o que querem que vejamos dela.
Por exemplo se os meus amigos só publicitam determinados factos de mim que acho menos relevantes da minha personalidade, quem acaba por depois vir a conhecer já esta predisposto e de ideia formada estando há espera que saltem estes atributos.
Por exemplo há personalidades complexas, mas visto por alguém onde tudo é linear poderá por desenvolver teorias apresentando-as aos amigos (e somos seres sociais) que muitas vezes são meras criações não dando uma visão nem aproximada da pessoa em questão.
Por ex. um homossexual lá por gostar de homens não quer dizer que queira ser mulher. Talvez tenha o mesmo gosto e atracão sexual “parecido” com o feminino mas ate querer ser uma mulher vai uma distância enorme.
Uma pessoa que goste de várias coisas diferentes, e experimente varia formas para se exprimir não quer dizer que tenha múltipla personalidade. Eu acho que cada ser é um mundo complexo no seu interior. E as vezes são essa complexidade da forma de ser que os torna interessantes, não querendo dizer que tem múltipla personalidade.
Por exemplo gosto de cinema e aqui exponho ideias que me passam sobre o assunto, mas com isto não sou um esperto em semiótica por muito que goste de semiótica. Nem sou crítico especializado nem estou aqui armado ao crítico, escrevo o que penso sobre o que vejo. Para alguns o mero facto de escrever sobre cinema não quer dizer que agora estou aqui armado ao critico pelo contrario, ao escrever sobre cinema escrevo o que penso sobre o filme ou sobre assuntos que me remeteram a outros assuntos devido ao visionamento do filme, tento evitar contar o que vi sugerindo é melhor verem, e se falo no que vi tenho outras intenções de analise.
Mas sempre reflicto a minha forma de como analiso o que vejo. Não discuto pormenores de planos, ou composição espacial das cenas (as vezes sim mas numa forma de como interpreto as simbologias dos objectos no espaço que ajudam a estruturar num linguagem o que os personagens por vezes não dizem podendo ver o cuidado que ouve na composição do espaço para nos falar e contar coisas, acessórios para a interpretação, mas o mesmo acontecem na banda sonora no vestuário, o cinema é um todo nas artes) e deve ser cada filme entendido como um todo, por isso as vezes digo preciso de ver o filme outra vez olhando para outros pormenores ou dando atenção a particularidades. Por exemplo há filmes onde guarda-roupas estruturam de tal forma os personagens dando-nos indicações de personalidade ajudando a actor na representação, assim como a música (que por vezes cria estados hipnóticos gerando complementos perceptivos).
Mas esta é a minha forma de ver, não quero com isto dizer que se tem que ver desta forma, seria demasiado pretensioso da minha parte quando defendo a subjectividade interpretativa pois por muito que nos distanciemos acabamos sempre a falarmos da nossa forma de ver e analisar.
E se escrevo luto comigo mesmo pois sou péssimo a escrever e dou muitos erros a nível ortográfico e estou sempre as vezes a brincar com a multisignificação das palavras, pois o português a isso o permite.

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