Desde pequeno que fotografia e maquina fotográfica povoaram
a minha curiosidade, se por um lado a fotografia revelada em papel e nos é dada
a ver como registo de um momento, prende o olhar para descortinar o que se nos
é dado a ver fazendo a sua leitura.
Nas minhas memórias mais remotas lembro-me da fotografia
como testemunho de momentos onde a família ou determinados momentos são registados
como testemunha de um tempo e de um espaço. Acho que para a época em que
vivemos quase todos temos fotografias da infância onde os pais registrão a
evolução e através desse registo fazer as suas leituras desses momentos.
Podemos incluso dizer que a fotografia transformou-se no registo
visual de momentos onde esse momento se nos é apresentado para ser lido, o
momento que entra no álbum e começamos assim a catalogar momentos onde existência
e realidade onde estou inscrito comessa a ser catalogadas, amigas, por vezes registando
actos ou momentos que devido ao nosso devir existencial não nos damos conta, e
temos aquele registo, no álbum que cataloga comentos da descoberta com uma máquina
fotográfica a tiracol.
Mas se a máquina evoluiu o próprio conceito de fotografia
evoluiu. Vivemos numa época que a máquina fotográfica se inscreve entre os
objectos que praticamente todos tem, unas mais profissionais outros mais
amadores ou incluso de tal forma imprescindível pois somos uma sociedade
produtora de imagens, recriamos a imagem da natureza, ocupamos espaço com,
criando imagens, e temos uma necessidade de registo de imagens, a maquina fotográfica
associa-se assim aos aparelhos de comunicação e serve ela própria de comunicação
entre indivíduos quando partilhamos as imagens que registarmos.
Mas hoje em dia a fotografia vai mais alem o registo do
momento, se muitas vezes, quem prime o Butão utiliza todos os esquema de
composição da pintura, onde a maquina se inscreve no novo pincel onde a luz é a
tinta que grava que traça que reflecte a realidade, noutros tornasse o terreno
de exploração do experimentalismo.
Mas a fotografia devido ao seu interesse olho curioso de
captar e prender, foi subdividindo-se por interesses quanto a temática que
capta, e assim vemos essa captar comum devido a forma de registo mas
subdividir-se quanto ao tema e ao interesse,
Na ma minha infância a fotografia era esse registro infantil
dos momentos familiares odo que achava que parecia interessante para merecer
esse clique para o captar, transformando-se assim a primeira maquina fotográfica
ela própria objecto de brincadeira que so depois de revelado temos a
curiosidade de ver o que lá esta. E já nesta época de descoberta e experimentação
parece que ao nos colocarmos por detrás da máquina fotográfica, começamos a
subdividir interesses para serem captados, e a máquina começa a fazer parte das
viagens, dos passeios das festas, como elemento que ira perpetuar um momento.
Depois para quem mantém essa curiosidade e não a perde la
vem o primeiro manual de fotografia onde tentamos aprisionar já não no patamar
da brincadeira e no disparara a maquina por disparar, mas tentamos compreender
a maquina, compreender os jogos de velocidade de aberturas do diafragma, (para
ser sincero eu o manual só o conheci muitos anos depois quando fiz um curso de
fotografia e revelação) mas tive outros manuais, explico-me cada vez que saia
da aldeia comprava revistas onde a Photo se inscrevia como objecto que na minha
inconsciência curiosa la me ia educando, e descobres assim nomes ligados há fotografia,
descobres que existe uma profissão de fotografo que vai para alem do senhor que
faz fotografias para as matriculas escolares ou para os documentos de
identificação, descobres que tudo se quer dar a fotografar tudo se quer
inscrever num registo como testemunho do momento, pela “Photo” (do meu ponto de
vista uma das mais interessantes revistas sobre fotografia) descobres que
existe jornalismo fotográfico, testemunho, denuncia, mas acima de tudo de registo,
descobres que aa própria fotografia manipula segundo quem a afaz a forma de
pensar de quem vê, e que todos os registos devem ser questionados, perguntando
onde esta a realidade ou a sua construção, depois deste conta que existem tendências,
e aqui sim a fotografia para alem de um clique de momento entra num patamar mais
complexo, se a fotografia registra o real, e ao associar. Se há moda registando
os modelos com que nos iremos vestir, a moda trás para a fotografia o que
poderemos designar como o registo segundo a tendência em vigor. E assim as
composições do inicio da fotografia muito parecido com o retrato pictórico quanto
a pose dos indivíduos bem como aos objectos que ajudam na composição que iram
aportar elementos de leitura sobre quem se é dado a retratar, é introduzida o
elemento tendência, e vemos assim surgir a fotografia do capitar segundo uma tendência
uma opção padrão, a construção de uma produção segundo poderemos dizer “moda”
de padronização e pacificação, vemos assim aparecer a fotografia como o
elemento ideal de publicidade de padronizações de personalidade. E se repararmos
as produções de moda reflectem essas tendências. A fotografia como linguagem
criadora de mentalidades e manipuladora de personalidades, assim as produções,
mesmo captando a vida quotidiana já não é o quotidiano que capta não é aquele instante
que capta, te a necessidade de maquilhagem tem a necessidade ou de esconder ou
de realçar, com o photoshop e na era do digital a fotografia distancia-se do
momento testemunha para ser o momento que há que manipular, a realidade é questionada,
e o próprio conceito de real é posto em causa a ideia de belo ou de padrão de
belo, bem como de alcançar nunca foi tão utópico, as adolescentes que olha para
os seus ídolos são constantemente enganadas, bem toda a idolatria é um engano,
servindo-se de um padrão que não reflecte a realidade mas tenta construir uma
realidade segundo um padrão. O que se torna interessante pois nestes processos construtivos
desvinculamo-nos da realidade pela imagem que tenta transmitir o real, a manipulação
da imagem que nos oferece e patronímica a forma de ver a realidade. Se a maquilhagem
tem como objectivo tornar a pessoa mais bela prendendo o feio dentro dessa
pessoa, a manipulação fotográfica quase que segue a mesma via, mas inversa,
maquilha a realidade faz realçar a tendência que se pretende para o observador
se desprenda do que não pertence há tendência moda.
Se por um lado a fotografia é o elemento que melhor manipula
mentalidades através da manipulação do real, esta sempre a criar tendência de realidade
e de mora, ditaduras para comportamentos e formas de estar. Se repararem as
grandes armas de todos os regimes políticos foi a imagem bem coma a manipulação
dessa imagem para construir mentalidades formas de estar e de comportamento.
Digamos que a fotografia ligada com a publicidade coma a
grande escola de construção de mentalidades de maças pois o publico alvo é o
mais abrangente.
Mesmo os casos de denúncia de realidade se inscrevem numa
forma de construção de realidade, onde o real digamos que nunca aparece o que
aparece é sempre o olhar linguístico de quem faz a fotografia da realidade,
hoje em dia poucos são os casos de fotógrafos que se inscrevem na fotografia do
real nu e cru, essas fotos da realidade hoje em dia são mal-entendidas quem as
vê tem sempre a ideia de que falta algo na imagem ou que a imagem não esta
completa, e do meu ponto de vista essas atitudes são as mais interessantes de analisar
pois damo-nos forma de como quem comenta a foto tem a realidade maquilhada na
sua construção de real.
E as fotos do real são sa mais difíceis, no outro dia um
sujeito dizia-me que as fotos de guerra são as mais reais que possamos ver, do
meu ponto de vista as fotos de guerra são as que mais manipulam a realidade,
pois por muito independente que queira ser o fotografo nunca capta a realidade
capta sim o seu objectivo ou a sua ideia do que nos quer dar dessa realidade.
Nos anos em que a sida apareceu a doença entra ela própria como
forma de tendência, isto é a realidade de uma doença que se transforma em tendência
moda em grande escala, a moda utiliza a doença como elemento de padronização e
construção de mentalidades, quanto mais fotografias de sida havia mais construída
era a realidade sobre a sida ate que a doença depois de se tornar credível se
inscreve na realidade no consciente, e depois de estar inscrito no consciente
tudo é possível, passa a existir.
Acho que seria interessante como tendência a
descaracterização na fotografia, acho que o interessante como tendência fotográfica
e usar os mecanismos da própria fotografia para se subverter o que de mal se
fez com algumas tendências, isto é a tendência é a anti-tendência que apaga uma
tendência construtiva errónea. Por exemplo a anti tendência para as fotos de Sida
era falar-se da cura da sida, e assim em vez de darmos lugar ao surgir de uma
doença damos lugar ao não existir de uma doença, e a não vitimização e descriminação dos seres.
Acho que as grandes tendências da fotografia do futuro serem
a antecedência para se corrigirem erros tendenciosos na subversão da realidade
bem como na construção desta,
A fotografia despojar-se do cenário, a fotografia como denúncia
da maquilhagem tendenciosa, a fotografia pela primeira vez procurar a realidade
desconstruindo as irrealidades tornadas reais que ela própria criou sobre o
real. A crua realidade como tendência sem maquilhagem.
Mas depois entramos numa outra discussão sobre construções
de realidades e problematizações da realidade, tirar maquilhagem para depois se
questionar a maquilhagem, esse questionar o sistema educativo pela imagem e
assim perspectivar aberturas de futuro na realidade que sempre queremos ver
maquilhada.

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