Outro pequeno-almoço
Quando a cozinha cheguei já o Goucha
Estava a falar, no programa que a mãezinha
Gosta tanto de escutar
Mas para meu espanto
Não havia ninguém
E ali estava eu nas indecisões do esperar e decidir-me
Comer algo para o estômago enganar
E para meu espanto dos encantos do sornar
Falava-se de poesia, e de quem gostaríamos de imitar
E nomes ditos
Fiquei a pensar,
E de um suspiro calmo
Olhando para o cigarro acabado de enrolar
Flor bela espancada sem paciência,
essa não gostava eu de imitar
Preferia a Correia da Natalia
Fatus d`alma anima
Onde Máter pátria a cada canto
Gostava de cantar
Olhando trópicos de Miller
Apologias de liberdade dos sexos a sonhar
Gritando que a virgem pariu
Mão dera há luz pois não é de um interruptor
Que estávamos a genuflectir
Nas contar do fiar
Sim que toda a mater pode ser vil
Nos sacerdócios do criar
E para asas de condor
Já nem com sonhos de amor
Tenho vontade nem de olhar
Mas quem espancou aquela flor
Dos adros da devoção
Por assim a respirar?
Há preferia ser mas nada sou…
Apenas um sonhador olhando para o pão e pó café
Dizendo hoje nem para comer
Tenho vontade
Em sagrada refeição de pão
Quando nem o estômago tem vontade de devorar
Vísceras ainda calmas
Decido-me pelo cigarro
Sonhando com filhas de donos
Ao lado de tabaqueiras
Tantas vezes cantadas onde ai com sonho acamava a alma
Guardando ovelhas nessa aldeia onde um dia descerra Cristo
Entre comadres da avareza das frias almas
Cantavam aves proclamando
Tomara que seja pastor.
E quem nunca em prados se deitou
Então perdeu a verdadeira poesia de Leda calma
Olhando as nuvens a em diálogos de amor
Sem saber que a seu lado Zeus na invisibilidade
Em Mater lhe transformava as entranhas
Dos suspiros de todo o prazer que semeia dor
E assim tomei o pequeno-almoço
Enchendo as entranhas de poetas
Nos jejuares da dor
ou das enchentes do sabor
pequeno-almoço
no altar da poesia
olhando já pá chávena
e alguém fazia cantar tachos
para o almoço da dor
ou das enchentes do sabor
pequeno-almoço
no altar da poesia
olhando já pá chávena
e alguém fazia cantar tachos
para o almoço da dor
De: Paulo Santos
Da serie poemas a uma chávena

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