quarta-feira, 2 de junho de 2010

Biblia, Mitos e criação


Se a Bíblia é uma biblioteca esta noção já deve ser sabida por todos pões é uma recolha de vários textos Livros que o seu todo formam a Bíblia. Não é do meu interesse questionarem qual a recolha de testos e que textos embora ache que existem textos apócrifos de suma importância pões dá-nos derivações das histórias oficiais, lembro-me neste caso de que à uns anos saiu o evangelho de Judas descobertos restaurado e descodificado permitindo a sua leitura e depois de se efectuar a leitura como curioso, dou-me conta que Borges nas suas Ficções aborda a mesma perspectiva, e questiona o papel do judas praticamente da mesma forma que o dito evangelho.
Mas a bíblia é sempre aquela biblioteca que por mais que se leia se descobre sempre pormenores que nos escapam, ou tudo depende da forma como nos decidimos ler, se ler-mos do principio para o fim começamos com as abordagens da criação e depois de Abel e Caim tudo muda temos a  primeira metáfora da morte de Deus. E a partir dai tudo se integra numa dinâmica particular de ordenamento da bíblia, ate chegarmos a Cristo que se torna metáfora de criação e morte ao mesmo tempo é a metáfora dentro da metáfora, e depois temos todo o percurso depois disso, se o antigo testamento danos uma narativa de várias historias metafóricas sobre determinado tema o novo testamento com ao Actos as Cartas e o apocalipse danos outra forma narrativa de contar de novo as historias do antigo testamento uzando uma forma expressiva diferente a narrativa é diferente, os méis para atingir o mesmo fim comum é que são diferentes.
Hoge em dia se repararmos a aior parte das história parecem adaptações bíblicas ate a própria crise que vivemos actualmente parece a adaptação do livro de Rute, com as variantes que implica a vida em sociedade que temos, já não estamos na aldeia o mercado é diferente.
Por exemplo em Cramer contra Cramer mais não é que a adaptação do Abel e Caim numa metrópole contemporânea a disputa o poder. E se analisarmos bem praticamente todas as história do ocidente são baseadas o livro fundador do Ocidente a bíblia, com excepções, pões vivemos numa sociedade que gosta de misturar para criar e com a descoberta do oriente entrou toda a mitologia hindu ou oriental, e vemos assim aparecer a gerra das extrelas commo a luta entre o negro e o branco mas numa linguagem de ficção cientifica onde se aborda a eterna luta que deu origem ao aparecimento dos mitos cosmogónicos, a gerra das estrelas mais não é do que a adaptação de um mito cosmogónico onde os mundos sempre em disputa as forças, tem a necessidade de voltar a se recriar e de novo coexistir, se repararmos sempre se luta por um equilíbrio e quando uma é mais poderosa a outra tenta reocupar o seu lugar para de novo estabelecer os equilíbrios pois tudo depende deste balançar ente equilíbrio e desequilíbrio.
Mas o cinema ainda tem um filão nestes textos tanto bíblicos como mitológicos que mais não são narrativas metafóricas, onde devido aos ritmos de vida que hoje temos exigem novas adaptações aos sistemas sociais em que vivemos. E se na era em que estamos o cinema ou antes a linguagem audiovisual mais não é de que uma forma expressiva que usa um sistema linguístico. Mas reinterpretar é questionar por em causa, forçar. Godard no seu “Je vous salue Marie” aborda a questão da anunciação, tenta adapta-la a uma nova sociedade, já não estamos na aldeia da Maria mas aqui ele questiona a fecundidade, questiona a anunciação, o dizer es tu.
Na ultima tentação de Cristo baseado no romance de Kazantzakis levada ao cinema pela mão de Scorsese, mais não é do que o questionar e o por em causa a vida de Cristo. Em Jesus de Montreal temos uma abordagem Paulina do Cristo nos tempos de hoje. E por ai fora, se repararmos no Alians 3 ou 4 quando a actriz se atira para o alto-forno e abre os braços mais não é do que no final do filme a adaptação de uma paixão. Bem nesse filme o argumento parece uma via-sacra num labirinto, onde através de fição cientifica nos da uma adaptação de um Cristo interpretado por Sigourney Weaver.
Mas a bíblia é bem mais interessante para nos inscrevermos só ao novo testamento, há dias si a adaptação do Sanção e Dalila, adaptado a uma sociedade “aborígene australiana” (não gosto de usar esta expressão) ponde alem de o Sanção ser feminino toda a história é contada ao contrario, numa linguagem visual onde simplicidade e riqueza visual é tal que os diálogos praticamente são suprimidos onde alem de se por em causa a sociedade em que vivemos e o modo de vida em que vivemos, fala-nos de percursos, e errâncias existenciais, e de procura de identidade.
Se repararmos o ocidente nas suas recriações artísticas e de realidade mais não fés do que adaptações dos textos clássicos e de como contam as suas cosmogonias. Onde se questiona sempre o positivo e o negativo o feminino e o masculino, onde criação e destruição andam de mãos dadas.
O interessante para as quem gosta de criar, e pegar nestes textos que são alicerces culturais e depois de analisados os alicerces elaborar narrativas para cintar sempre a eterna história da criação onde tudo se inscreve na suprema arte da linguagem, e da construção, e para construir muitas vezes há que desconstruir, remodelar, apropriar, adaptar, tudo depende da forma como queiramos depois dar forma ao que pretendemos. Deixando mais visível ou menos o lado Bíblico ou Mitológico.
Agora tudo depende de como queremos apropriar e recriar.

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