quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

PORQUE GOSTO COM ALGUS ERROS ou GOSTOS E EXPERIÊNCIAS COM ALGUNS ERROS

PORQUE GOSTO COM ALGUS ERROS

ou

GOSTOS E EXPERIÊNCIAS COM ALGUNS ERROS

Introdução:

Antes de começar a desenvolver este assunto convém salientar que o que se segue são pontos de vista pessoais sobre vários assuntos que foram vividos por min e são uma espécie de biografia muito abreviada com pontos de vista, quanto a segunda parte do titulo “alguns erros” é porque dou erros ortográficos.

E é um exercício de escrita e narrativa, adoro ler e um livro sempre foi dos melhores companheiros que tive. E ao longo deste meu bater de coração contactei com imensos autores grandes nomes que me exercitara nesta coisa que é a vida. Mas o tornas este folgo em signo linguistico dá-me uma sensação de insegurança que decidi escrever sem pensar muito nos estilos e nos nomes que me estruturaram, e me levam a admiração e intimidam quando começo a escrever.

Não é uma historia de formação de gosto o que se segue pois para isso teria pano para mangas e para ser exposto, são pequenos apontamentos pois preciso de outros tantos para min como caixinha de segredos e insignificâncias, insignificâncias que são para min a cave da minha poesia.

Não me levem a mal mas um homem que não tenha segredos no intimo abandona-se e perde-se pois são as pequineses que o mantém ancorado. As vezes num barco não se da o valor necessário a ancora e a sua insignificância dentro do todo.

Desculpem qualquer expressão mais visceral.

Porque gosto de África

(crónica de infância abreviada)

África, palavra que povoa o meu imaginário e está sempre presente consciente ou inconscientemente na minha vida. Convém salientar que nasci em África mais propriamente em Angola, e especificamente numa pequena cidade de nome Salaza, porque em jeito de brincadeira costumo dizer:

Numa época em que imperava uma ditadura no meu pais quis deus que não nascesse onde reinava o ditador nascendo numa colónia e numa cidade com o nome do ditador

Considero-me um espirito livre em que olho para a liberdade como a forma mais pura da existência humana e um pouco contraditória há própria vida em sociedade já que a vida em sociedade estabelece normas que podem viciar um conceito individual de liberdade mas como se costuma dizer, a minha liberdade acaba onde a de outro começa, mas quanto a este ponto irei escrever outro ponto sobre este assunto.

Nasci no ano de 1968, onde tudo se metamorfoseava ano de contestações e abolições.

Nasci no seio de uma família de classe média que tentava sobreviver numa colónia em ebulição um pouco a margem de políticas tentando governar a vida e sair em frente. Menino mimado que desde pequeno se deu conta que viajar era uma forma de crescer e de que o céu sempre acompanha a terra em todas as viagens e em África o céu parece ser do tamanho da terra.

África que para min alem duma dimensão geográfica e humana é terra de cheiros, odores, calor, cor em que a humidade envolve o corpo (só conheço as latitudes em que a humidade é mais palpável), de gente afável gente que quando da e sempre deu tudo, sempre foi tratada como a Puta do mundo. Sempre de pernas abertas para o homem branco sem remoço do seu papel ao longo da história e como todas as Putas adaptável a todos os tipos de jogos e submissões. E reivindicar sempre levou a consequências em que o chulo branco deu lugar ao chulo negro, que não olha para o seu irmão companheiro num destino, transformando-se num chulo de consequências mais barbaras em que o sentido de comunidade (tão típico na antropologia africana) da lugar a um conceito democrático que mais parece ditatorial pois a democracia serve para justificar interesses pessoais e não colectivos assente numa economia corrupta. Terra rica que mendiga, caindo num ciclo de ajudas que não promove e dinamiza tornando esses povos dependentes e não produtores e tentando ser auto-suficientes pelo menos para comer, ou inserir a sua produção num sistema em que alem de responder a algumas das suas carências possam exportar excessos para carências de outros que possam contribuir com outros produtos.

Como referi África sempre foi presente na minha vida ou no meu pensamento, a primeira recordação que tenho presente desse continente foi de uma viagem em que acompanhei os meus pais a África do Sul, teria eu dois anos ou menos, lembranças vagas e somente das areias do deserto e de plantas bisaras que nunca mais vi mas sempre ficaram presentes na memória, em que pela primeira vês na minha curta existência soube o que era uma queimadura solar que me queimou a ponta do nariz, senti uma dor que segundo a minha mãe me fez abrir as goelas e chorar tornando-lhes a viagem num pesadelo sonoro. E na ponta do nariz uma borbulha que magoava essa era a causa do meu desespero. E, só 35 anos depois numa conversa é que entendeu o porque chorava, e admirada pois já ela mal se lembrava e como eu me lembrava se era de tal forma pequeno.

Tinha vidinha de branco em terra de pretos, mas eu sempre a fugir para as cubatas dos pretos perto do prédio onde vivíamos e onde gostava de brincar não com carrinhos mas com pneus, aros caricas, as escondidas, ou aos pirolitos e numa felicidade em que a cor não estipulava uma diferença em que a felicidade nos unia apesar das diferenças que ainda meus olhos infantis ainda não se davam conta pela inocência que nos uniam e ao longo da vida sempre tive bons amigos de cor em Fátima a Joaquina que eu teimava em chamar Jaquina, em Carrazeda a Céu mas isto são outras histórias.

Em África vi pela primeira vez O Mar, La Mer[1], posso descrever essa visão que tive em tenra idade se gravou na memória era eu bem pequenino, que o trinitante andar já me distanciava do agatanhar, e numa primeira idas a praia, de tantas outras que se haviam em habito tornar, uma primeira conquista se iniciou e a areia titã granuloso em luta infantil do verbo cambaleava a areia infrentei combate iniciático, cambalear, queda, levantar, e preludio para ver o mar areia imensa que parecia não terminar titã de planura marasmo ocre granulado, obstáculo, pela atracção apelativa que meus olhos viam na distancia sussurros de vento de um som para descortinar, dificuldade tive de conquistar, e só depois de tão difícil proeza numa divisória de espuma efémera, a imensidão, ........ la mer. Se o calor me beijava, a conquista da areia mais o calor na pele me perturbava fazendo-se notar com abraço do eu respondendo, liquido adjectivo suar, e se quente era o ar quente era a conquista da areia, trofeu foi a visão com beijo da brisa húmida, enviadas por ondas em movimento que o ar fazia circular e nessa espuma de tantos nascimentos também eu com os pés na espuma de la mer e olhos nos olhos infinito e grandeza tiveram lugar no meu observar. Observado também eu estava numa distancia próxima pela mamã e a avó, murmurando uma para a outra:

- Olha-me só para o cachopo como veio direitinho para a beira do mar.

- Tem cuidado não o percas de vista. Este mar enrola na areia e um descuido o pode afogar.

E bem vigiado num triplo feminino fui iniciado na primeira visão aquática de imensidão, ........... La Mer. (como nota de curiosidade fui baptizado em Portugal no ano 1977 salvo erro data que não posso precisar mas era dia de feira, e depois das compras fui baptizado na igreja matriz de Carrazeda de Ansiães )

E ao colo nos braços da vovó fui levado da beira da agua para a agua e uma gota de agua sem querer saboreei e sal descobri tempero de um momento de descoberta e entre risos e pranto onde se confunde a surpresa e o susto la tomei assim meu primeiro banho de mar ao colo da avó protector acolhedor, e ao largo, a mãe introduzia na agua e nadava. E todos molhados e já a avo molhava os pés na areia onde as ondas se desfaziam e eu ao seu colo via uma imensidão que devido a idade não tinha a noção da grandeza dessa imensidão ou devido a sua imensidão parecia não poder abarcar toda aquela agua na cabeça e compreender, mas a curiosidade essa fez-me espernear e ir eu também molhar os pés nessa agua e firme em areia molhada mais fácil de andar. E assim entendi que toda sedução leva ao movimento e a direcção tremendo de olhos fixos nessa agua imensa e desse andar, caminhar, cambalear perfilado na direcção pela atracção exercida pela distancia desse risco distante, .... la mer. E nessa direcção conquistado no caminhar a primeira noção de agua, sal, imensidão, movimento, turbilhão, respeito, força, e atracção mutua pois a onda que se desfazia a meus pés por muito que parecesse que os meus pés na areia me enterrasse para o mar me queria levar por muito que o meu querer de renuncia nessa atracção não queria eu participar, e firme a mão da avó estaca firme pegava a mão impedindo essa jogo de la mer. E se forte era a força das ondas que se quebravam na areia forte era a mão que me fixava e não me deixava perder na imensidão da agua, e se num passado já tinha havido um homem ao leme, ali na areia com coração preocupado quem era estaca era mulher e o que me prendia era amor. E por muito que não queira nesse dialogo de atracção dialogar, imensidão atracção, puxava dialogo da mutua atracção que junto a areia se estava a dar e se atraído estava a agua parecia que também atracção tinha no meu infantil olhar e se força exercia murmúrios de encantos se punha a cantar e nela agua de vida nela me queria fazer participar. E num jogo de amor se fazia envolvências a dois de perigoso jogo se estava a jogar e num acto de sedução que não conseguia concretizar dois passos á tua frente ergueu-se onda branca espuma dourada imponente majestosa ourifera vinda do mar e sobre min se desfez beijo dado bem molhado cheio de força que só a firmeza do braço amoroso que me prendia puxou-me para areia e na areia seca ao sol nos secamos sempre a ver la mer pois já tinha namorado muito a beira mar. E desse namoro aprendi que la mer imponente não impondo medo se deve respeitar, desfaz-se sobre min e sentado fiquei na areia molhada encharcado a rir, sentindo-me a deslizar juntamente com a agua em direcção ao todo donde tinha surgido.

Ne nesse acto senti um respeito pelo que há minha frente se passava, fonte de sabor desse sal que em suave gotas entrara há ma boca.

Lagrimas de um Deus, que com o sol dava sabor ao alimento que nos ajudava a viver na descoberta dos sabores a mesa, a vida, onde toda a regra se impõe e num pequeno acto de salgar se compreende a palavra vida.

Dessas estadias junto ao mar que periódicas eram nesses tempos descobri que toda a sombra de coqueiro é uma atracção perigosa e que todo o coco se apaixona pela gravidade e devido a esta paixão e morte leva há vida da continuação da espécie.

Coitada da mama que devido a este enamoramento levou com um coco nas costas, imprudências de colonos que já deviam ter entendido os perigos simples da física natural. Neste momento vejo a situação caricata e o meu riso infantil, como uma atitude infantil, podia ter sido uma desgraça a situação para a família mas com o tempo tudo ficou bem e as dores das costas desapareceram.

África foi também marco cultural na minha formação cultural:

O Cinema.

Numa terra de colonos onde se formavam novos burguês em que a ociosidade era vista como um momento de confraternização, a descoberta da arte através da imagem e do som, numa terra quente com jardins verdes em que o espaço publico ao ar livre ocupava uma forma estruturaste de sociabilização vi o meu primeiro filme ao ar livre, Chaplin ao ar livre que ainda esta bem vivo na memória bem como a cesta do piquenique entrava-me pelos olhos provocando sorrisos e gargalhadas em que o ridículo de realidades serias, levava ao despertar dos porquês e por conseguinte ao riso de realidades que a própria idade ditava que as coisas deviam ser apreendidas gradualmente e em doses moderadas, mas nesses princípios de noites também vi o Bucha e Estuca, Baster Quiten entre tantos outros em cessões de fim de tarde em jardim com piscina em que da relva antes do cinema a mama saltava da prancha[2] para uma piscina da qual poucas vezes ma aproximei devido a prudência da vovó. Mais tarde conheci o escuro da sala de cinema em que um certo Bamby me levou as lágrimas e aos prantos, e o pequeno Tambor foi o personagem que mais gostei e nunca esqueci, coelho musical em que com risos via a vida, em idades que não deviam ser despertadas pela dor provocadas por egoísmo alheios. Mas depois do filme batia também eu com o pé no chão e ria eu tambor também que queria atenções.

Mas em terra de homens toda a realidade pode ser dor, foi uma realidade que depressa aprendi.

E nessa relva ainda sem problemas de resplendor, onde o cinema ao ar livre fazia parte dessa vidinha africana não posso esquecer os Irmãos Marx[3]. Pois devião ser relembrados esses também trinta anos de um ponto final muito nostálgico.

Mas descobri também a Banda Desenhada.[4]

Nessa época B.D. para min eram livros de figurinhas em que me diziam olha o e eu via e aprendia quem era o Tlintlim, o Galo Asterixxe o Cebolinta, a Móniquete, o Pato Donalty, o Ey Mikley ey, o Patetonico, a Magnifica Patológica, a Minymix, sem passar por alto o Luky de Lu e o seu cachorro Ran-tampa-plam entre outros.

E livros ilustrados muitos que ainda há alguns deles dessa época que vieram num caixote de madeira, a Anita, e uns livros sobre a Quinta, o Bosque, os Pássaros, etc.

Nesse caixote também vieram as B.D. e por muito tempo fui o puto que tinha muitos livros aos quadrinhos na aldeia do meu exílio infantil. Onde só havia uma escola primária centro do saber, alguns livros escolares de capas duras e poucos que ao falar contigo através dos olhos te convencessem do prazer de ler.

Em minha casa na fase “rica” ou “pobre” (ricos sempre fomos e a pobreza sempre foi relativa, mesmo não havendo absolutamente nada para a barriga), sempre ouve livros e mesmo na adversidade da vida imposta os livros apareciam, minha mãe sempre foi apaixonada por poesia, e lembro-me duma época em que todas as historias já eram sabidas e o livro de poemas que tinha sobrevivido ironia do destino foram os Lusíadas (epopeia dum Império que já não existia) do seu quinto ano que em voz alta sentada na cama lia para adormecer os seus meninos que eram o sentido da sua vida, e foram os seus meninos e a poesia que a mantiveram connosco, tornando-se mulher de armas e novas alegrias.

Mas bem sedo descobri:

A Musica

Palavra que implica muitos conceitos relacionados com o som e o não som, que não vou desenvolver pois nesta época o importante é que mal a garganta anunciava que por min o ar entrava num grito que anunciava que o ar me ligava a um outro meio passar a pertencer, o nascer do sol trazia o som de uma batucada, e devido a problemas com ar depressa um frade capuchinho despejava água na minha cabeça e cantava um louvor pelo ser que nascera. Mas antes do grito que não deixa de ser a primeira musica violenta da descoberta do ar já havia musica.

E essas musicas eram as musicas de minha mãe que a envolviam, e nos braços de minha mãe continuei a ouvir.

Uma galacia de sons que ela criava em que Simone de Oliveira[5], Tony de Matos, Yvette Horner, João Pequeno, Boby Lapointe, Rui Mingas, Ricardo Dorado, Cielito Waila, entre tantos outros e Mozart, as sinfonias do Beethoven, O Nabuco do Verdi, e muito Fado.

O rocke, Pop, esse vinha vindo da África do Sul já que a ditadura impunha o seu próprio ritmo para o ouvido mas vindos do sul la chegavam The Beatles, e as modas a eles associadas.

O primeiro suborno que me fizeram foi musical, tinha que tomar umas injecções penicilina injectável que fazia caroços, vacinas obrigatórias, para o tratamento de pneumonias que me visitavam em cada temporada de chuvas, mas as mais dolorosas foram as que me deram na barriga que doíam tanto que me tinham de prender, e a única forma de ma acalmar e deixar ser picado era através de discografia e assim fui tendo as minhas historinhas cantadas (em português com sotaque brasileiro) em discos coloridos de cores garridas em vez do negro tão típico do vinil 45 rotações que tanto me agradavam, e entre tanto suborno um dia escolho uma história dessas de duplo encantar onde texto e musica se aliaram e comecei a ter as primeiras lições de musica, Pedro e o Lobo, um capuchinho vermelho em masculino de Serguei Prokofiev, em que instrumento e personagem introduziram-me numa descoberta. Das injecções que gostava eram as de pistola poiso instrumento faxinava e não intimidada como intimidava a seringa.

E não falo do esparrame que fiz quando me vacinaram para a varíola, aquilo não foi injecção foi picar e picar. Mas mais vale braço bem picado com marca para sempre assinalado, para que no futuro mais ninguém possa ser marcado.

Sempre tive aversão a agulhas.

Em África tomei conhecimento de certas palavras como amizade, racismo, comercio, guerra, dor, e uma que só mais tarde lhe soube dar significado sesta, que nesta época ainda talvez não me sentisse iniciado a ela e estava na descoberta das realidades do estar acordado, mas mais tarde aprendi que uma boa sesta pode ser vigorante em que a sesta pode ser a iniciação sorridente aos prelúdios de Vixenu em que o sonho pode recriar-se, transformar-se, e através do sonho também nos podemos criar com as nossas mãos brincalhonas um novo mundo jovem, belo e radioso em que pertencemos a um todo que temos que saber respeitar.

Mas África para min também foi a descoberta do sexo feminino, em Bulongongo lembro-me de uma amiguinha a Belinha como o nome o dizia a meus olhos era bela. E sedo tive que ter uma noção de perda e dos perigos da doença e das febres como lhe chamavam ao paludismo que só mais tarde soube o que era essa doença.

O Sexo

E em África descobri também o sexo, e pela segunda vez vou falar no assunto.

A minha mãe tinha uma empregada que era jovem de cor, eu estava no quarto a brincar com o lego e ela depois de arrumar não sei o que aproximou-se de min e levantando as saias e mandou-me cheirar a surpresa que tinha debaixo das saias, eu espantado lembro-me dizer:

- Não tens cuecas.

Desse instante só me lembro de que ela não tinha cuecas e do cheiro.

O que ela respondeu ou os argumentos que utilizou para se justificar não me lembro.

Mas cheirei.

Um odor doce já para o agridoce, e a coisa ficou por ali nesse dia, se por um lado achasse aquilo estranho foi uma descoberta pois aquele cheiro acompanhou-me para sempre nas recordações como ainda me acompanha. No dia seguinte estava eu no quarto e ela entrou e disse se eu queria cheirar outra vez o que tinha debaixo das saias, e sorrindo disse:

- Sim.

- Vamos para o guarda-fatos.

Era um desses guarda-fatos imbutído e espaçoso, e do que aconteceu nesse guarda-fatos visualizo-o como se fosse há momentos que acontecesse.

Entramos e ela reclinou-se sobre uma superfície em madeira que dividia a parte superior das gavetas e abriu as pernas eu entrei e fiquei de joelhos a olhar as suas pernas, os seus movimentos ondulantes que a acomodavam no espaço exigiu-o e puxar bem para cima a saia surgindo em frente dos meus olhos um monte de Vénus com pouca vegetação trepadeiras que se enrolavam entre si. Era uma carapinhazinha , pouco densa e a baixo uns lábios que me despertavam a copiosidade que devagar os seus dedos abriam suavemente e acariciavam, conforme se acariciava conseguia ver algo rosado que contrastava com a sua cor e despertava a minha curiosidade, passado um pouco ela manda-me aproximar a minha cabeça e vi melhor o que estava a acontecer e a minha surpresa ao ver entre aqueles lábios um apele rosada e húmida ou para tentar ser mais exacto meloso que libertava um odor que me prendia o olhar. E devido ao meu posicionamento pois a minha cabeça tapava a pouca luz que entrava afastei a cabeça para tras e ela diz-me:

- Não, não tenhas medo aproxima-te mais, encosta o nariz e cheira, ... cheira gostas do cheiro, queres provar, olha que é bom, sabes se queres provar o sabor só tens de passar a língua, olha assim vê, como o meu dedo passa por aqui, vê tens de passar a língua assim.

Mas eu via muito mal pois a pouca luz que entrava e devido a sombra da cabeça via pouco mas via, e colocando a língua de fora tentei fazer o que ela dizia. E passado um bocado disse:

- Assim....

- Sim ....sim.

E sinto as sua mãos afagar a cabeça e fazerem pressão sobre a minha cabeça em direcção aos seus lábios melosos. E fazendo pressão. E nisto os meus lábios também melosos húmidos estavam não de minha saliva mas desse mele meloso da colmeia e ali estava eu zangão que me banhava nesse banho iniciático dentro de um do guarda-fatos de mel e fonte de vida que me enchia a boca de iguaria doce ainda criança sem saber sabendo o que ali em cofres de pano descobria como se começava um outro sentido de prazer que pode ter a vida.

E vida devia ser pois parecia que uma nascente tinha surgido entro de um esconderijo que começava a desvendar e a conhecer ali

Passado um pouco senti um gemido e uma contorção e algo se passou com ela pois dando-me um empurrão saiu dali apressada.

E eu ali fiquei sorrindo com olhos abertos talvez vibrados, com um sorriso que não sei como descrever mas que o tinha, tinha, como defini-lo o meu primeiro sorriso molhado.

Estes encontros esporádicos foram-se repetindo por algum tempo no sitio onde dormia lá em casa sitio esse bem iluminado.

No local em que ela dormia havia um quadro na parede desses de escola preto em que ou há espera ou depois da sua partida ficava com um giz a fazer desenhos sem me preocupar com nada a não ser no engraçado o que um giz na minha mão era capaz de fazer nesse quadro.

África também foi descobrir que havia Carnaval ......

Dos carnavais da minha infância, festa em que se festeja o homem e a sua não realização, por isso a máscara. Primeiro divã terapêutico em que se exorciza as frustrações interiores acumuladas ao longo do ano, excesso, carne, sexo, libertação, mascara, profano, expressão, ligação a uma reminiscência primitiva de iniciação e libertação, recalcado pela religião, mas devido a necessidade humana de metamorfose ligada aos desejos mais íntimos que não podem ser libertados durante um ciclo anual da sua existência conseguiu manter-se e fazer parte de um calendário não religioso devido ao puritanismo das instituições.

A mascara surge como símbolo de protecção (dos olhos que te cercam e tornam a identidade diária anónima) e libertação assumindo um papel de doar identidades para um ritual de purga, em que natureza e sagrado andam de mão dada dentro duma tradição primitiva de ciclos, onde o inconsciente e o corpo num ritual de excessos põe em causa o mito do eterno retorno, onde nascimento e morte andam de mão dada sendo o simulo dessa comunhão a mascara que permite o homem num curto espaço de tempo morrer e renascer. Como todo o nascimento (saída) é festa bem como a morte (entrada). A festividade do carnaval assume um ritual de festa exagerada pois tudo assume uma dimensão exagerada já que cada participante nasce e morre no mesmo dia sobre uma identidade que tenta incorporar.

A dança, o desfile; assumem assim o papel de comemoração e festa em que o dançar oração primitiva em que o corpo tornasse todo ele forma de comunicação e linguagem dentro do espaço que o homem habita. Desfile o dar-se a ver a conhecer para que os que habitam o mesmo espaço assistam a tua libertação e a festa do teu corpo.

O assumir essa identidade leva a uma relação inconsciente entre exibicionismo e voierismo em que anonimato se torna a chave da libertação.

Se a sociedade impõe a mascara para o ritual da reencarnação para a libertação, actualmente o anonimato citadino liberta o homem da mascara dando lugar a uma expressividade em que corpo e corporalidade se tornam centrais nessa festa de libertação e purga.

O primeiro contacto com esse ritual de carnaval imposto por uma cultura branca que já perdeu o sentido primitivo de mascara num terra onde a mascara é central numa cultura onde a religião Animista perpétua um ritual de carnavais onde morte e ressurreição, incorporação, travestismo[6], fazem parte da sua essência religiosa e existencial, onde a comunhão é feita com a natureza sagrada em toda a sua dimensão e o homem participante desta.

O primeiro desfile ou cortejo de carnaval que vi foi na baia de Luanda.

O primeiro disfarce imposto, foi de coelho, para participar numa festinha do jardim de infância, se fui para a festa todo contente depressa o disfarce tornou-se um pesadelo, pois entre brincadeiras e lanches e muitos doces em que pela primeira vez experimentava-mos o prazer do disfarce e a teatralidade que implica o disfarce, em determinada altura descobri que o fecho-ecler (zipper) do fato estava nas minhas costas e não conseguia chegar a ele com as mãos e a necessidade fisiológica que sentia em fazer xixi consumou-se antes de ter tempo para pedir ajuda para evacuar o excesso de líquidos e fiquei todo molhado mas não envergonhado, quando deram conta do que se tinha passado, despiram-me lavaram-me assim como o fato. E rapidamente fui transformado de coelho em índio em que o tapa cu pouco tapava e pavoneava-me semi nu Adão impudico orgulhoso do meu sexo sim já naquela época, e não ouve menina e menino que não levantasse o pouco pano que me cobria para tocar na pilinha, despontando o riso a todos, inclusive a min, acho que foi para algumas meninas a descoberta da diferenças pois brincadeira leva a brincadeira e algumas meninas surpreendidas pela admiração da diferença e na descoberta, levantavam a saia de princesa ou de bruxinha, numa descoberta que nos punha num actos de abolição de disfarces todos iguais com saias e calças ao subidas ou descidas abolindo o disfarce proclamando uma igualdade na diferença e a alegria da descoberta, e nesse dia a historia da cegonha caíra por terra pois quando me perguntavam para que serve rindo dizia para brincar e fazer bebes. E depois desse dia nos intervalos brincávamos a fazer bebes ou entre rapazes brincávamos com as pilinhas numa descoberta sem maldade em que a diferença e a igualdade estruturava os nossos pequenos seres em formação.

E assim passei o meu primeiro carnaval.

Numa infância de um éden de não repressão em que o cristianismo ainda não tinha introduzido o remorso do pecado no fruto proibido.

Em que o homem começava a aspirar mais uma vez a um inferno na terra, usando novas armas e novas estratégias em que o egoísmo a ganância levarão a um novo tipo de destruição em nome do capital e da economia, da cobiça tapada. Em vez de se tornar guardião e um deus com o dever de guardar mais uma vez começou a dar forma ao inferno numa escala global e inferno não é caldeirão, é fome, solidão, angustia, guerra, manipulação, corrupção, desrespeito, inveja, cobiça cega que não nos deixa ver que estamos todos numa espécie de caldeirão, panela de pressão.

Quando o problema começa a ser nós, o nós tem de mudar porque compromete o todo.

E em vez de começarmos a actuar o quanto antes andamos preocupados com guerrilhas, mais uma vez debates sobre o sexo dos anjos. E quem rejeita o sexo o lado mais animal nos animais que somos é que não o tem bem encaixado na existência ou na vida, e como não querem mais nada falemos de sexo. Preocupações menores quando existem problemas maiores.

Podemos falar de e estar a dizer tanta coisa que não é sexo.

Nesta época tomei consciência do som e do tambor do batuque da batucada, sons distantes que anunciavam presentes preocupações, mas também alegrias quotidianas de respirares inconformados.

Prelúdios dum futuro em que o batuque deu lugar a bomba e de outro som que falava de destruição, que não anunciava mas se impunha através dum som que anunciava destruição.

A guerra

Entre bananeiras brincava, fugas para um terreno em frente ao prédio onde havia bananeiras e cubatas, que levavam ao desespero familiar e obrigavam a criada ou o criado a andarem sempre a trás de min.

Mas sedo senti na pele que os homens são complicados e as fugas prá-brincadeira eram cada vês mais complicadas pois os roketes caiam destruindo tudo a volta, chuvas essas cada vez mais frequentes e barreiras começavam a estabelecer entre crianças em nome de condições políticas e preconceitos raciais de adultos.

Imagens de chuva de roketes e bombardeamentos são situações que estão presentes nos meus últimos anos em que vivi a minha infância em África, últimos anos em que a violência sempre presente e incompreendida pois vivia a minha meninice da brincadeira onde políticas não faziam parte da minha vida. E um carro feito com uma latas de sardinhas era mais engraçado que o modelo de brincadeira igual ao carro da mama, e os carinhos decoravam o quarto e o que eu queria era brincar com os outros com o meu carrinho de lata de sardinhas.

Violência de homens que não alterou este sentimento de amor a terra que me viu nascer.

Violência que nos últimos anos foi sempre presente nessa idade da inocência e da brincadeira, que bem sedo me dei conta que nada na vida era inocente por muito inocente que fosses e os inocentes são os primeiros a ser extorquidos, esporados , abusados e que há brincadeiras incompreensíveis e que a vida é violenta e o ser mais próximo é violento marcando assim para sempre na memória do teu crescimento, e de um crescimento colectivo, nessas memórias violentas que não se limitam a chuvas de roketes que bem cedo me levaram a aprender que antes de uma explosão há um silencio diminuto seguido de um assobio que leva a um zumbido e depois a uma explosão, e quando brincavas a porta da loja da mama esse preludio de zumbido se fazia sentir, sentias que o instinto te levava a correr para o local mais próximo onde te poderes meter a loja, por baixo do carro ou simplesmente correr.

Violência em que bem cedo me dei conta da própria violência humana em especial de um aniversário de um amiguinho, e no meio do divertimento do seu aniversário te das conta que começa uma discussão entre a mãe e o pai dele, lembranças que tentei esquecer mas sempre me lembro, dos gritos dos adultos que provocou um silencio nos gritos das brincadeiras e do que eu me lembro dessas imagens vagas que ainda precistem na memória onde o pai do menino veio ter com mosco e disse:

- Vamos cantar os parabéns soprar as velas e comer o bolo.

E do que se seguiu e me lembro e jamais irei esquecer é que depois de cantarmos e estarmos todos há volta da mesa, do cantar e apagar as velas do bolo que tinha a forma de palhaço, aconteceu algo que jamais me esqueci e sempre tive presente, lembro-me que a senhora chegou por trás do marido com uma arma na mão e uma explosão aconteceu quando o pai se virou para trás e lembro-me gritar e correr para a rua, fugir, correr para casa, e ver repetidamente ao longo da vida a cabeça do pai a explodir, e o cheiro. Parece que esta metáfora real anunciava o que seria o futuro de um pais que se iria minar e matar a ele mesmo, em que homens iguais por razoes desiguais iriam matar-se em defesa de poleiros de poderes em que nem o sol nascia nem galos cantavam e o povo morria.

È engraçado pois para min as situações mais violentas são acompanhadas de cheiros e ruídos.

Lembro-me de ter um cachorro pequenino ainda bebe com o qual brincava pois já não brincava muito na rua e nessas inconsciência de brincadeiras os seus tenros dentes caninos agulhas afiadas de cachorro bebe sem querer cortou-me a sobrancelha, que me levou ao hospital para levar uns pontos e antes de chegares ao hospital lembro-me de explosões da mama gritar:

- Baixa-te e segura bem o lenço. Não tenhas medo vou ter de ir mais depressa. Mas não tires o lenço do olho.

De chegarmos ao hospital e nesse instante começam também a chegar feridos, e muitos queimados, queimados, sim essa é a imagem que tenho, de corpos queimados e um cheiro agonizante de carne assada e cabelo queimado, de homens assados, gemidos gritos, e de uma espera infinita e de um medo que me invadia, e o cheiro odor que se me gravou na memória visto por um só olho pois o outro tapado ferido mas menos ferido que o outro que via e me feria mais que a ferida do olho ferido, mas o cheiro esse cheiro agonizante e o fumegar dos corpos, os gritos estridentes, em que só anos mais tarde revivi tudo de outra forma associada a matança do porco em trás os montes em que o grito do animal e o cheiro de o queimarem fez surgir a imagem desse inferno de queimados em hospital em plena guerra em Luanda.

Neste momento dou-me conta ao escrever estas linhas que a violência faz parte dessa recordação Africanas que por muito violentas que fossem sempre me fizeram amar o continente onde nasci, desse adeus a uma infância em África que me marcou. Ferro em brasa que marca não a pele mas a alma de infância interrompida de terra vermelha que enquanto tiver memória jamais será esquecida.

Vermelho de terra que parece a marca de um continente.

Mas das marcas violentas que tive nesta existência que só anos mais tarde me levou a pensar nela, dei-me conta que toda a existência é manipulada, alterada, agredida, pelo homem em função de uma quimera. Sego por desejos, atros na obtenção.

Mas houve um acontecimento que me marcou profundamente, aconteceu durante um bombardeamento em que me apanhou no elevador do prédio onde vivíamos e fiquei preso no elevador sozinho, em que a escuridão é uma imagem que tenho presente e o som dos meus gritos e o eco desses gritos na cabina do elevador, a demora, o medo a solidão, e o sentir que aos poucos os gritos foram-se transformando em gemidos e depois nem gemidos saiam da garganta que de tanto gritar a garganta já não respondia ao desejo de sair dali, e depois a angustia a solidão, a imagem da minha mãe da avó que não estava ali, e no escuro que tão escuro que estava que nem a min próprio me via, a falta de ar, o rastejar no chão da cabina ate a ranhura do chão, e sempre o medo, e não entender porque não saia da minha garganta nenhum som, o bater com os punhos no chão para fazer ruído, e depois um silêncio e uma sensação agonizante de espera agonizante, e mais ruídos de raquetes que caiam, o conformismo de ter de ficar ali, e a sensação de morrer, e ai so me lembro de ter perdido o medo, de ter deixado a ranhura e de gatas encostar-me num canto num cubículo escuro, fechar os olhos, não mexer, numa espera infinita que aos poucos uma sensação estranha de paz, uma paz silenciosa de olhos fechados, ......... e depois passado muito tempo um som metálico, vozes do exterior, gritos, e como da garganta já não saia nenhum grito senti que de uma inspiração forte me vieram as forças e comecei a bater com os punhos na parede metálica, e um raio de luz se fez visível, e do momento em que vi a luz ate alguém descer e me tirar dali uma sensação de agitação e o crer gritar falar e dar-me conta que não saia som dos lábios que mexiam, a confusão da gente e depois a minha mãe que pegou em min, e só ai chorei, e só nos braços dela senti que tinha chegado de novo a casa, e que a viajem ao escuro tinha terminado e os seus beijos.

Depois disso e de tantas outras coisas lembro-me que a avó e o avô foram embora, e tempos depois eu e a minha Irma saiamos refugiados de África com uma sacola branca cada um muitas lagrimas e uma adeus a mãe ao pai e a tudo, um adeus que não entendias porque aquele adeus, e uma viajem que parecia que não tinha fim, a uma despedida cheia de pormenores que guardei e guardo na alma como o refugio da esperança. Desses momentos difíceis que meu coração nunca quis acreditar que fosse possível essa sensação de adeus de uma adeus imposto aos que são a única referencia, do interior do avião como tantos outros como tu, dentro de um avião refugiado num destino traçado por homens, que nem dos homens gostavam. E desse abraço infindável ao saco branco que era a única coisa que tinhas e que te unia ao que deixavas, e os olhos a tua irmã que ao teu lado estava assustados chorosos mas que não entendiam nada como os teus, mas que por seres mais velho só dizias vamos ver a avó, e no aeroporto a mama disse que íamos ter um prédio grande para brincar e que depois iria la ter com o papa. Que aquilo não era nada.

Desculpem lá, mas esta primeira experiência resumida, este porque gosto de África, que esta a ser um pouco duro para min ser escreve-lo. Resta-me apenas dizer que essa viagem em fuga ocorreu em 1975. Refugiado me tornei, sem eira nem beira, num Portugal que me acolheu. Pois sempre fui Português. Mas África sempre ficou berço de uma infância que nunca esqueci, tornando-me num Português Africano.

Regresso a pátria familiar, minha pátria; o exílio na montanha

Cheguei a Portugal num verão, que se anunciava quente, o avião aterrara em Lisboa e no dia seguinte partíamos para Trás-os-Montes berço da família.

A viajem foi feita de carro e chegamos a pequena aldeia de Samorinha num final de tarde num dia de verão, salvo erro Agosto.

O carro parara no largo do cruzeiro e anos mais tarde passou o largo a ter o nome da padroeira da aldeia e passou a ser Largo de Santa Cruz nome da padroeira da aldeia, que estabelece o dia 3 de Maio como dia festivo e criou a tradição de se festejar a visita pascal nesse dia e parra alguns nome com mais pompa para a aldeia.

Mas na época o carro chegara ao largo do cruzeiro porque tinha um cruzeiro, e a população da rua esperava-nos, fim de tarde caloroso e gente calorosa ao receber.

Muitos abraços e beijos e dedos apontadores que diziam são os netos da Virgínia. Eu criança assustada entre estranhos que o tempo deu a conhecer, abraçava o saco branco da viajem e rejeitava mãos desconhecidas e entre a gente vi a vovó que me fizeram correr e pronunciar “vó”, e entre abraços e beijos, nos seus braços voltei a sentir a sensação de casa.

A meus olhos a aldeia dava-se graciosamente num ar pitoresco que aos poucos se foi tornando mais familiar. Mas esta familiaridade teve de ser apreendida em que tive de adaptar-me numa adaptação que as coisas mais simples eram complicados complicações de uma ditadura que obrigava o povinho a sorrir num acto de conformismo condenado a um ideal que já ninguém acreditava por isso tinha sido Abril em Portugal, numa revolução estranha em que o sangue que o ouve foi acidental, em que os revolucionários ao colocarem-se perante os obrigados defensores do regime renderam-se depositando as armas e unindo-se aos que faziam a revolução. Muita sorte ouve pois se alguma das partes disparasse um tiro outra revolução estaria na historia não de cravos em que uma florista simples dá o símbolo há revolução.

Mas eu entrei neste manjerico a beira mar plantado em 1975 já livre e cheio de ideais e problemas entre as mãos.

A aldeia bonita despojada de homens que ganhavam a vida no estrangeiro clandestinos em que a aspiração por uma vida melhor ainda hoje é sonho.

Na altura lembro-me que mal chegara tive de lidar com um problema para min importante devido a hábitos criados.

Como referi o dia estava quente e mal chegamos a uma casa que era de uma tia que estava emigrada em frança, e na inocência que tanto caracteriza as crianças disse quero tomar banho. E olhando os olhos da avó vi que tinha pedido algo complicado, ela dentro da serenidade que tanto a caracterizava disse-me:

- Vamos comer e amanha tomas banho

- Esta bem mas quero fazer xixi

E mais uma vez por trás do seu olhar apercebi-me que falara sobre algo em que ela própria não tinha pensado e como nos explicar. Pois tinha-se preocupado sobre a dormida e na comida.

E sentando-se num banquinho na cozinha parecido com os dos pretos das cubatas disse:

- Olha meu filho aqui não há quarto de banho.

- Não, não há como,

- Olha Paulinho não há vem comigo ao quarto que te vou mostrar uma coisa.

Levantando-se começou a andar para o interior da casa que depois de uma salinha apareciam duas portas que davam para os quartos entramos num quarto onde estava um balde e disse:

- podes fazer xixi aqui amanha vou ensinar-te uma coisa, mas isso fica para amanha.

- Aqui??

- Sim, é um balde, a noite quando tiveres vontade podes usa-lo, amanha vou explicar uma brincadeira,

- Brincadeira?

- Sim, chama-se por trás da gesta

- Gesta?

- Sim Paulo, é uma planta

- Arvore?

- Não mais pequena.

- Logo veras quando fores ao prédio.

- Mas não vi prédio nenhum.

- Amanha vais ver e vais poder brincar neles, se quiseres, podes ter um para todas as tuas brincadeiras.

- Vamos agora, todos os prédios temem quarto de banho.

- Amanhã vamos. Respondia-me ela a sorrir, quase em jeito de gargalhada.

- Muitos, mesmo, são todos detrás da gesta.

- Ta bem, sai, ... sai quero fazer xixi.

- Ai meu filho já vou, isto vai ser engraçado para ti.

Passado um bocado, gritava:

- Não consigo, .....

- Fecha os olhos

- Olha e se sair para fora? Não vou estar a ver.

- Não te preocupes tenta fazer, depois lavares as mãos na bacia da cozinha para jantares. E se sair para fora depois eu limpo.

Por sorte, de olhos fechados lá acertei no balde e o chão não foi molhado.

Jantamos, jantar que na memória não guardei pois estava mais interessado em ver o que estava a minha volta do que comer pois a curiosidade causara-me o efeito da perda do apetite, e o estranho era que embora fizesse calor havia uma fogueira na cozinha.

E a avo disse:

- Já sei que não deves ter fome mas tenta comer a sopa, tem estrelinhas de massa, já vais para o terraço, de certeza que vais passar estas noites a olhar o céu, vai ser lindo vai.

Palavras que não entendi, e depois do jantar o céu todo estrelado aparecia novo, diferente a meus olhos e dos poucos nomes que sabia das estrelas nenhum estava no céu. Mas o céu parecia que não era uma novidade para min, mas a novidade, tudo parecia diferente naquela primeira noite, ate o canto das rãs era parecido mas diferente do das rãs de Bulongongo, e havia o canto dos grilos que não conhecia, da cigarra que também ia ser uma descoberta, e entre soluços perguntava pois nesta época gaguejava ainda batendo com o pé no chão como o Tambor do Bamby, brincadeirinha minha que me ajudava a por as palavras fora da boca e a brincar lá falava, o avô para fugir as perguntas contou uma historia da cigarra e da formiga pois as cigarras estavam a cantar e as formigas já dormião para ir trabalhar no dia seguinte, e com a cigarra a cantar as formigas dormião melhor e assim acordavam bem despistas para ir trabalhar.

Mas a pergunta que deu direito a historia da cigarra e da formiga foi a seguinte:

- O vô, onde esta o cruzeiro do sul?

- O rapaz cruzeiro aqui só o do largo.

- Mas aqui como se chamam estas estrelas?

- São leões? Cavalos? Dragões?

- Estrelas são estrelas. Olha a para a lua esta vermelha amanha vai fazer muito calor.

- E quem canta?

- Olha é a cigarra e o grilo.

E fugindo das estrelas voltamos a terra onde os animais falavam e contou-me a historia da cigarra e da formiga, para ser cincerro na historia do meu avo a cigarra não era preguiçosa, animava as formigas cantava a noite para terem bons sonhos e durante o dia para não se aborrecerem as formigas continuavam a cantar se a cigarra não cantasse o formigueiro andava sempre triste.

Nessa época tínhamos direito a muitas historias, eu ali naquele terraço olhava o céu todas as noites e o meu avo sentado num banco a soleira da porta em noites de verão com a minha irmã ao colo enquanto a vó lavava a louça contava-nos histórias e adivinhas fugindo da sua realidade diária que o entristecia pois o seu mundo tinha desaparecido e mais uma vez tinha de voltar a começar, e nesses momentos até ele sentia-se mais feliz, nessas noites pois ao contar essa historias também ele fugia connosco daquele lugar. E ao calor vendo as estrelas através das suas histórias fugíamos dali ao som das suas palavras colo que nos confortava adaptando-nos à pequena aldeia que nos dava abrigo.

Mas ate essa paz prometia terminar, pois a sua voz já anunciava a incerteza do futuro e dos dias difíceis que estavam quase a chegar.

E no dia seguinte la fomos nós aos prédios, e eu caminhava desejoso pois um predio ia trazer algum conforto e conforme andava em vez de olhar o mundo que me envolvia os meus olhos por cima dos pinheiros procuravam os prédios.

E entre impaciência em chegar ia perguntando:

- O vó ainda falta muito?

- Não, estamos a chegar.

E eu lá os seguia repetindo a expressão da impaciência “falta muito”. Até que chegamos a um terreno que descia a encosta em patamares e a avó disse:

- Já chegamos, vês aqui podes brincar, esta é a Sacaperna. Aqui vais poder brincar tens muito espaço eu e o teu avô compramos isto antes de irmos para a Angola.

E eu com olhar aguçado procurava entre o verde o prédio, andando para afrente esperando que aparecesse algum prédio a minha frente, e enquanto tentava descobrir o predio como se fosse o jogo das escondidas, os meus avôs iam falando conversas que não me interessavam planos que me eram estranhos, e passado um momento já cansado em não ver nada grito:

- Mas onde esta o prédio não vejo nada, nada e já estou cansado, o vó onde esta e a casa de banho, estou já cansado e quero tomar banho.

E eles ficaram estatuas calados de admiração e passado um momento olharam-se e riram se riram, ficando eu a olhar para eles estúpido e cego sem saber qual a graça, e depois de rir o avô disse a avó:

- Vai lá falar com ele e explica-lhe as coisas ele não é daqui.

E ela rindo e andando em minha direcção com o seu ar franzino, disse:

- Olha vamos lá cima vou mostrar-te uma coisa e tens de entender outra.

E lá fui eu de mão dada em direcção a um sitio a que ela chamava de Mesquita, que era outro prédio, e eu lá ia eu de mão dada iluzionado à espera de ver finalmente o prédio sem saber que já dentro dele andava eu a algum tempo.

E parando disse-me:

- Sabes, os .... os, .... prédios.....

E fazendo um pequeno silencio continuou:

- prédios não são prédios, os prédios em Angola são casas em cima uma das outras onde viviam pessoas, onde tu vivias. Sabes aqui prédios são terras onde se semeiam coisa, onde há arvores animais e pássaros.

- Isso vejo eu mas ..., olha e como se diz prédio aqui? Não me vais dizer que são arvores, pois é onde os pássaros teêm as casas!

- Não isso são ninhos.

- Eu sei. Os ninhos são as casa dos passarinhos. Mas os prédios, os prédios como se chamam?

- Sabes aqui não há prédios, só há prédios nas cidades.

- E nos vivemos onde?

- Na aldeia, na Samorinha

- Há aldeia,

- Sim Samorinha

- E tem sinos a aldeia

- Tem uma igreja com sinos

- E para tomar banho.

- Olha Paulo, não há quartos de banho, e vou ensinar o que é um quarto de banho por detrás da giesta já que estamos aqui.

Andamos um bocado e aproximado-nos de um arbusto disse:

- Olha meu filho isto é uma giesta, e quando andares pelo monte e quiseres fazer o que é preciso escondes-te por trás de uma giesta e podes fazer as necessidades.

- Isto? é isto?, e porque não há quartos de banhos normais as pessoas não sabem fazer quartos de banho? Porque ainda se vive assim? Mas donde viemos não era também Portugal? Mas se isto era o centro como estava pior aqui do que lá onde se queria desenvolver? Que paisagem é esta que não acompanha os tempos?

- Sei lá, olha aqui diz-se para lá do marrão mandão os que lá estão, e por aqui é assim

- Então todos vivem para lá do marrão. O vó então ate na cidade assim estão todos para lá do marrão, afinal quem tem pensado este Portugal?

- Não o marrão e uma montanha grande, grande que separa e divide isto da cidade.

- E o que é o marrão, uma montanha? Parece mais diferença discriminação, divisória da diferença, marco em mapa pregueado onde se destroi a ilusão, mas então o marrão não deixa sonhar? não deixa criar inovar? O poder também é marrão? E o poder não vê para lá do marrão?

- Olha é um monte que fica para alem

E apontando com o dedo assinala uma distancia e um posicionamento no espaço que os meus olhos não podiam alcançar pois eram barrados pela vegetação que nos rodeava. E só nesse instante dei-me conta da vegetação; arvores que nunca tinha visto e nesse momento entrei numa fase em que dizia:

- Como se chama isto? O que é isto?

E já nos regressávamos para casa e ia aprendendo nomes como castanheiro, carvalho, pinheiro um bosque cheio de vida onde haviam aves e tudo eram pergunta e respostas que a determinado momento já demostravam um cansaço de tanto porque, e como se chama. Mas nessa tarde ouvi o cuco a cantar cucu, cucu , e depois de me dizerem que o pássaro que cantava era o cuco a musica cantada pelo cuco passou a fazer parte da brincadeira e olhando os avos dizia cucu. E entre perguntas e cucus lá fomos nos andando para casa e chegando a um local chamado campo da bola um grupo de castanheiros majestosos que se impunham vizinhos ao campo de tão grandes se impunham há vista e pareciam ser prova da antiguidade daquele lugar e daquela gente, símbolo de um povo que vivia do campo e respeitando o campo recebia as dádivas deste. História natural de um lugar marco da existência de um povo que sempre soube proteger e cuidar o que o rodeava. Embora esquecido dos poderes políticos a natureza sempre lhe tinha sido fiel na rudes das pedras marcos constantes de uma paisagem que o verde tenta embelezar e tornar mais ainda mais belo.

Fidelidade natural, que da fidelidade só teve respostas de descuido e da ganância e o que devia permanecer nela plantados desapareceu e muda memória que nem de recordos se enche o espaça e se pinta o céu. E aos poucos morta a natureza ao redor a sua cor estabeleceu.

Vazia aldeia muda descrente dela que ate os ruídos de ressurreição de tão pouco convincentes nem convencem os céus.

Ela cantam fradinhos desgarradas displicentes, cantares ao desafio que parecendo que gozam gozados ficam eles.

Mas entre mentes de mesquinhez segas e sem visão, que pensando que possuem a ironia caem na sua armadilha e de mudas respostas silenciosas respostas vão sendo dadas e lá andam eles em brados mudos aos céus. Na vã mesquinhez que só faz rir deles, e tudo perdem devagarinho, no seu jeito prá grandeza que de tão grandes ridículos ficam, reis nus ai estão eles.

Mais tarde entendi o que erra o marrão, divisória e separação, já conhecia umas cidades deste Portugal, ia ao Porto e lá perto comecei os estudos secundários e a divisória não era assim tão grande e marrão estava por todo o lado, mas as vezes essa separação essa divisória embrutecia devido à separação, e uma vez ao ver televisão passou um filme e reparei que quando se divide e não se participa ficam todos “Feios, porcos e maus” e por todo o lado havia resultados de um filme porque havia marrão.

Muitos mais anos passarão, e vivia-se “Uma Beleza Transmontana” fachadas tumulares, cadáveres caiados mostrando-se mausoléus de falsa ostentação que de tão mau gosto não valiam nada. E continua marrão e o marrão físico já não é desculpa com tanta estrada de tantos tipos sulcada.

África outra experiência.

Crónicas breves de viagens, de amor, desamor, guerra, desesperos e silêncios

A 10 de Fevereiro de 2000, regressei a África, não a Angola mas fui durante 3 meses para Côte D‘Ivoire (Costa de Marfim). Tinha acontecido um golpe de estado se não me engano a 2 de Dezembro1999. Viagem preparada com a alma cheia de ilusão, em que dentro do meu intimo preparava um renascer em todos os sentidos, levava 6 anos a viver com alguém de quem me tornara dependente em todos os sentidos, e como todas as dependências criam certos problemas e atritos tanto de índole conjugal como existencial, economicamente a minha vida era um cáus. A pessoa com quem vivia tinha ido trabalhar para Côte D‘Ivoire e meses depois ia ao seu encontro, na mochila carregada de esperança, uma posta de bacalhau, mais coisas que seriam imprescindíveis, melhor dizendo que permitiriam a vida de branco ocidental habituado a vícios culturais, pequenas coisas que iriam tornar a vida mais fácil para quem já levava algum tempo na Costa do Marfim e sentia saudades, presunto, enchidos, literatura, uma maquina de cortar o cabelo e uma impressora para o escritório, alem do conselho de roubar a manta do avião pois iria ser necessária, a viagem até foi divertida saindo do Porto passando por Paris e finalmente Abidjan, tudo correra ate ao momento que o avião aterrou no aeroporto de Abidjan, ai posso dizer que começou a minha experiência de regressar a África, quando a porta do avião se abriu e aos poucos começamos a dirigir para a porta para sair e então África começou a entrar pelas narinas o calor tornava-se presente e a humidade começava a tornar o corpo pegajoso, e a emoção de regressar deixou bastante emocionado. Sai recolhi a bagagem fui carimbar o passaporte e ao passar pela alfândega começaram os problemas, nesse momento dei-me conta da burocracia bem como da corrupção entrar com a impressora era um problema era-me exigido dinheiro que para ironia das ironias não tinha e tinha de ser confiscada a impressora, e por mais que argumentasse os funcionários eram surdos ao menos que desse uma mão cheia de notas, e passado tempo lá sai eu, sem impressora com a ilusão na bagagem junto com o bacalhau e o presunto.

Mas a alegria era rever aquele por quem ansiava, e sentir os seus braços a abraçar. Juntamente com R.[7] estava C. e U. Que também tinham ido passar as férias para lá já que R. era um dos seus melhores amigos.

Mas havia mais gente que não conhecia e faziam parte da comunidade espanhola que estava em Abidjan. O médico, e um casal de leitores que davam aulas de castelhano na faculdade.

Feitas as formalidades dos reencontros e das apresentações, passamos pela casa que seria onde iria viver nos próximos tempos, para deixar a mochila o bacalhau e o presunto e meter no bolço a esperança, que sempre me acompanhou todos os dias. Conforme nos aproximávamos da casa um cheiro a café povoava o ar e o odor de terra e dessa África ficava cada vez mais menos presente, e foi-me informado que a fabrica da Nescafe era ali, para mim nesse instante um novo aroma começou a estruturar o meu regresso a África em que o aroma de café que tanto me agrada passou a ser constante no bairro em que vivia, e que ao principio tanto me agradava mas com o tempo me enjoou.

Deixada a mochila fomos jantar perto de Cocody e junto a lagoa num restaurante, chegamos ao restaurante o passado veio em catadupa há memória o restaurante estava cheio de militares que comemoravam não sei o que, mas deviam comemorar o golpe de estado que tinha ocorrido meses antes a 2 de Dezembro. Ao entrarmos sentimo-nos olhados julgados, e o ambiente tornou-se desconfortável, jantamos e a meio do jantar o barulho dos militares tornou-se um ruído de fundo que subia de ton. A determinada altura levantaram-se e decidem descarregar para o ar uns carregadores e o ruído dos disparos tornou-se ensurdecedor e de novo o ruído das armas tornou-se presente na minha vida e em África, a minha cara devia se ter alterado de tal forma que por unanimidade acharam melhor pagarmos e sairmos. Decidimos regressar a casa passarmos os contrais militares que nos obrigavam a parar e a pagar.

R. para me acalmar dizia, não é todos os dias que se recebe alguém com salvas de armas e eu calado continuava e aos poucos sentia-me calmo, mas rapidamente fomos embora.

Não vou entrar em pormenores e problemas pessoais, vividos em Abidjan com R. .

Dois dias depois partia com C. e U. para norte, eu não queria partir, e ainda não me sentia preparado para viajar, e ainda não tinha feito as pazes com R. continuando a afogar as mágoas no café do pequeno almoço, em vez de afogar o desejo durante a noite nele.

Mas como a melhor forma de resolver situações é despachar, despachado fui com pretextos que me pareciam ilógicos mas como o grupo se impunha sorridente partia com magoas e desejos.

Fugas simples para não se falarem dos problemas.

.........

Partimos da central das camionetas vizinha do mercado de Ajamé, formigueiro cosmopolita onde se podia viver toda a África fervilhaste de vida num único espaço, pequena área que concentrava um continente.

Compramos bilhetes para Korhogo cidade que me interessava pois era um dos centro artísticos desse pais em que a escultura era reinha, e por onde tinham passado alguns nomes da arte contemporânea em visita em que o mero facto de ir lá e imaginar Basquiat ou Barceló entre outros para min era um exercício de imaginação tentar imagina-los em locais que sabia que tinham estado e velos na minha mente a deambular por lá.

Conforme progredíamos na viagem mais me sentia não intimidado mas deixava em Abidjan um problema que me acompanhava e viajar ancorado era algo que me sufocava, os meus colegas tentavam convencer sobre a viajem que se iniciava tendo atitudes de naturalidade teatral que nem eles estavam convencido delas mas lá me deixava levar pela dialéctica deles que não me convencia muito menos pela naturalidade nada natural em que os levava a terem actos de teatralidade que ate eles se surpreendiam com as suas atitudes passávamos por lugares fervilhastes de seres e perto de Agboville e depois nas proximidades de Dinbokro pequenas cidades em que as paragens se tornavam obrigatórias paras saíram e entrarem viajantes vendedores com cestos na cabeça aproximavam-se do autocarro e vendiam todo o género de alimentos confeccionados por eles tornando cada paragem uma Introdução ao comércio local e a gastronomia que meus olhos transmitiam para o inconsciente come antes uma bolacha pois ainda não estas preparado para espetadas secas ao sol, entre outras iguarias que não sabia bem o que seriam, e o mais apetecível era a fruta das mais diversas cores e formas, que la ia comprando. Conforme progredíamos no terreno pensava numa estratégia para acabar com o companheirismo imposto que não me interessava e volta e meia teclavam na anedota de Mozart e a caixa de bolachas que vinha sendo repetida a anos e não me fazia piada nenhuma pelo contrario provocava-me uma revolta interior pois a piada transformara-se na punção navalhinha do sarcasmo barato de gozo banal que de tanto repetida nem eles riam e o riso que provocava era o meu ar de surdo ou autista pois cada vês que ouvia “sabes a anedota .... do Mozart ....”, eu pura e simplesmente desligava e se tinham por finalidade rir com a minha cara eu nem estava ai para a chacota, também sei ser actor. Em determinado momento meus olhos sentem que uma miragem se punha a sua frente pois começava a ver a cúpula de S. Pedro em pleno inicio de savana arbórea e num inicio para dizer a verdade pensei que estava a alucinar mal começava-mos a entrar na savana, e a cúpula deu lugar a um corpo de catedral e dei-me conta que o que meus olhos viam era uma catedral imitando a de S. Pedro no Vaticano mas maior no meio do nada e não sabia se me surpreender ou se vomitar, pois tornava-se incompreensível aquele neo-renascentista classicismo em África tornando a savana uma coisa neo-barraco de mau gosto em que a despreza não justifica a sua existência, pois entre tanta carência o que não se precisa é de um templo ocidental para receber a visita de um papa pois orar pode-se orar em qualquer sitio e para haver uma comunidade basta haver irmão que se unam não templos, um hospital seria mais indicado que uma catedral idade media africana que não consigo entender a não ser através de políticas publicitarias em que se cria o efeito da montanha paru um elefante branco e la se vai calando o povo, pois tão grande saiu o elefante que os marfilenhos ainda devem andar de boca aberta deixando-os mudos devido a cena surrealista da situação, de devaneios de chulos políticos que exploram o seu irão e pouco se importam do povo que os pós no poder e poleiro conquistado canta o galo e todos ficam pasmados. Galos autistas com cantar manipulado que parece hipnotizar o povo para engordar uma minoria autista empoleirada. E é assim que caracterizo Yamoussoukro terra de um elefante branco criado pelo homem numa terra de elefantes que deu nome a um pais e dos elefantes nem velos ou tornaram-se também emigrantes em jardins zoológicos do primeiro mundo que apesar das agruras de se tornarem palhaços sempre lhes permite ter uma melhor existência mesmo que este seja traumatizaste pois não vivem na sua realidade.

E a ¾ do destino alego desistir e outra viajem começava para min solitária.

Abandono os meus colegas de viagem em Katiola cidade em que a cerâmica era negra marcando o “modus vivendi” de um povo juntamente com a agricultura, condenando-se a si mesmo a uma existência cíclica como o ciclo do barro.

Tentei saber o horário do autocarro de regresso para Abidjan e como ainda tinha tempo decidi conhecer a cidade e comer algo.

Deambulei pela praça e pelo mercado em que ceramistas vendiam cerâmica preta em que a simplicidade e o seu ar tosco que de tosco nada tinha em que objectos mostravam anos de trabalho de simplificação em que a própria decoração mostrava um encanto em que simplicidade e utilidade mostravam um percurso que remetia as origens daquele lugar.

E entre a descoberta e a curiosidade e a necessidade de ter uma lembrança que se adaptasse a uma mochila de viajante acidental em que volume e peso tinham de ser questionados.

Optei por duas caixinhas ovais em que me questionavam qual nasceu primeiro o ovo ou a galinha. E a galinha é animal central em todos os povoados do norte.

Depois da compra decidi ir comer, mas a própria compra serviu-me para pedir informações onde comer e o que ver.

Foi-me indicado uma choça em que a cozinheira era afamada mas só fazia um prato por dia, o vendedor dá-me o nome ate do prato do dia do qual já não me lembro pois o animal não era do meu conhecimento mas era um roedor qualquer produto da caça.

Dirigi-me para o local vizinho pronto a degustar um prato tradicional nesse meu quarto dia em África, em cinco minutos foi-me colocada uma tigela de arroz e uma outra com um molho pastoso que embebia um pedaço de carne que ainda não dava para ver qual a parte que me tinha calhado.

Entre a fome e curiosidade e a emoção de provar algo tipicamente africano bem depressa uma nuvem de desilusão povoou o meu almoço já caminhando para o jantar.

O arroz consistente e betumoso não me surpreendera, mas comia-se e preparava-me para comer a iguaria e mal meti a colher no molho dei-me conta que uma cabeça de rato tinha sido a parte do animal que me tinha tocado e os seus dentes serrados riam para min. Um suspiro saiu do meu interior e a sensação de fome desaparecera num ápice. Respirei fundo tornei a respirar e sem querer estragar comida mas sem querer comer encontrei-me no dilema de não saber o que fazer. Talvez problemas de criação europeia ou culturais mas a única certeza que tinha era que ainda não estava preparado para aquilo e para chegar ali teria de passar por um processo de habituação, que não tinha e o meu estômago entre um silencio dizia ainda não.

Pedi a conta e sai, sem comer quase nada alem da garfada de arroz, ao sair sem olhar para trás só sei que a cozinheira dizia para a mossa que me tinha servido que estranhos são estes brancos, pede comida e não come.

Nesse momento dera-me conta da falta de preparação que levava para a viagem e de como andava mal habituado em gostos culinários.

Deambulei pela pequena central e por volta das 20h dirigi-me para o local onde partiam as camionetas para Abidjan. Já era noite candeeiros públicos iluminavam algumas ruas ou antes estradas em que donde a donde fogueiras acesa pontilhavam a paisagem e sons de vozes bem como de musica de rádios com sons metálicos que pareciam sair de um poço e não de um radio ocupavam o espaço.

Já perto do local onde iria apanhar o autocarro o som de tambores encheram a noite e o passo tornou-se mais lento e nessa lentidão cheguei ao largo donde partiam os autocarros. Local engraçado coberto de cartazes publicitários, em que uma sala sem paredes com bancos servia de sala de espera e uma televisão passava uma novela brasileira em que os actores embora conhecidos também por min pareciam estranhos devido ao francês que falavam em Caetano Veloso que servia de banda sonora fazia a espera menos solitária.

Depois de um bom bocado chegara o autocarro e uma voz anunciava o seu destino, entreguei o bilhete ao condutor, que ficou intrigado por ver um branco viajar sozinho em transportes públicos a noite mas não disse palavra o seu olhar brilhante denunciava o seu pensamento.

Ao entrar dei-me conta que já vinha cheio o autocarro e lá arranjei sitio ao lado de uma mulher que aparentava uns 40anos e deu-me lugar ao lado da janela alegando que ia dormir a assim podia ver a estrada. Só mais tarde dei-me conta pelo seu desinteresse em ir há janela, pois a noite era escura e pouco se via no escuro com a excepção das queimadas que volta e meia pontilhavam o percurso. Mas o que mais marcava a viagem era o barulho da lata do autocarro bem como o tremer dos vidros.

Mas a viagem cheia de cheiros, roncares dos que dormião, dormitavam, conversas que não entendias.

De meia em meia hora havia controles militares que passavam revista, identificavam, faziam sair alguns para serem revistados e para minha surpresa comigo não queriam nada pois mal prestavam atenção ao passaporte e para surpresa minha nem me chateavam na tentativa de extorquir alguns Cefas.

Chegamos a Ajamé por volta das 4 da manha e ao entrar o autocarro para a garagem ao ar livre vejo de relance um taxi ao qual faço um sinal ao condutor para seguir o autocarro pois precisava dos seus serviços, para diser a verdade não entendi bem esta minha reacção mas foi o que me valeu pois mal parou o autocarro uma multidão cercou-o e instalou-se uma confusão e entre a confusão só sinto uma mão que pega em min e uma voz que me diz que o carro estava ali e se tinha bagagem. Respondi negativamente pois não me tinha separado da mochila e rapidamente sai dali dentro do taxi e da confusão.

Foi a viagem mais rápida que fiz ate onde me hospedava ou melhor dizendo a casa de R..

Pela primeira vez passara a ponte sem parar nessa primeira fase das três viagens que fiz a costa do marfim.

Paguei ao taxista e dei mais alguns Céfas[8] de gorjeta, despediu-se gentilmente e partiu enquanto abria o portão. Dirigi-me a porta e toquei a campainha bati a porta, e repeti este acto por algum tempo. Depois senti sussurros, a voz de R. que perguntou em francês “quem é”, a que respondi que “sou eu Paulo” ouvi de R. “um momento” uma porta a abrir-se e a fechar, e uns pés caminhavam em direcção a porta que foi aberta ficando entre nos uma porta mosquiteira e o meu sorriso que pedia abrigo e Amor.

A porta mosquiteira foi aberta entrei, e do pátio comunitário ouviu-se o som de uma mota que saia disparada a alguma velocidade pelo som.

Depois uma pequena discursam interrompida por um pedido meu de que estava cansado e queria dormir e se podia beber um copo de leite pois estava esfomeado.

Meti-me na cama e dormi rápido um sono a correr a sentir o fresco do ar condicionado que punha a fresco o calor bem como os pensamentos que devido ao fresco e ao cansaço já fervilhavam na mente. Mas com o sol nem ar condicionado arrefecia o ambiente e o sono corrido de pressa chegou a meta em que os meus olhos se abriam lentamente e como fim de meta inglória apenas estavam os lençóis, uma nota num papel, que dizia “bom dia, jantamos juntos as 13 beijos telefono mais tarde”.

Sim dormimos abraçados mas continuei afogando os desejos por algum tempo na chávena de café matinal. E as carências essas compassavam a ocupar espaço no intimo de mim mesmo, que faziam com que nos tempos mortos perdesse tempo a tentar arruma-las para que não fossem muito visíveis.

As 13h apareceu o R. com o Medico amigo para almoçarmos e lá fomos para o restaurante Madame Côna e em português da para fazer muitas anedotas, com vistas sobre a laguna. E entre algo que me confortava o estômago e o calor que me ensonava com a ajuda de umas Flag`s.

Da conversa lembro-me que o medico me perguntou a minha profissão de fé, e disse católico mas não praticante embora praticasse ou quisesse praticar o Amor.

Com o tempo perante aquele medico novo com cabelo de cenoura e sardas da Opus, tomei uma atitude Sartriana em que cada vez mais que falava com ele me dava conta que o homem era uma paixão inútil. Que provocou uma guerra acesa entre nos, ele alcunhou-me como o rapaz das suíças não simétricas, e quando estava sozinho com o R. tecia criticas que o próprio R. num jogo duplo entre min e ele fazia o seu melhor pois interessava-lhe.

Com o tempo tínhamos que manter uma vida em que eu era hospede de R. e não a pessoa com quem compartia a vida com ele mas isto é outra história africana de paixões inúteis. Em que por tempos preferi cegar-me que nem Édipo ao conhecer a verdade e como estava sego não via mas mandava umas bocas fuleiras.

Quando medico sonso de cabelo de cenoura deixou Abidjan correspondência mantinha com R. em que eu e os leitores erramos motivos de chacota de uma mente frustrada que quando descobriu como era bom estar com um homem na cama, gozava durante a semana indo correr aos sábados confessar-se pois tinha que ir comungar ao domingo, repetindo tudo logo na segunda-feira esperando pelo perdão do sábado, mas para consolo mental dele a namorada esperava-o em Madrid com quem casou para melhor viver a sua tendência católica bem Opus. Em que eu em ladainha repetia para mim destes sonsos livrai-nos Senhor, pois são os piores.

E com o tempo lá terminou o contrato e a despedida ridícula que ouve por parte deste trio egotismos dava outra história.

A parti di dei um tempo há minha relação para melhorar e jurei que andar com homens galinhas seria coisa que não voltaria a repetir pois se ando com homens que pelo menos tenham “quilhões” que para maricas assumido já chego eu que até tenho uns grandes quilhões em todos os sentidos.

Foi uma tourada em trio mas que nunca lidávamos juntos na mesma arena, ainda bem pois iria ser um matador, mas quando em momentos a arena era mutua lá no fundo um certo pânico camuflado misturado com um ciúme e ódio recalcado que não podia ser muito demostrado pois seria dar-me todos os trunfos num jogo de bezerro com tendência de vaca em vez de touro em que não se dava conta que a cor da areia da nossa arena era vermelha cor da terra de África e o meu lidar estava pintado com as mesmas cores da arena.

Guerras sem alecrim e magerona mas com calor, humidade, e sem gota de suor, eu touro negro toureiro em fato de luzes.

Cheguei a ser infante terrível por um amor que agora vendo bem as coisas não merecia guerra.

Mas com tanto café matinal, e magoas afogadas em chiaras com aroma forte de café bem negro, saia de casa com os nervoso na cartucheira da indiferença e com a Paludrina[9] em franja, mal via o medico o meu discurso tornava-se de tal forma anti-opus que não tinha paciência para canonizações compradas em corredores do Vaticano. Nessas alturas, seguia conselhos dos diários de uma mulher de franja que tinha sido furcado(a) nesses “Cornos da Vida”, depressa deixei de ter magoas matinais, e descobri a beleza marfilenha bom marfim em altares bem trabalhados que só de os ver colocados em alvas toalhas dava vontade de celebrar uma missa, queimando toda a lenha numa volúpia ardente.

E o calor desponta o desejo dos sentidos, e não posso esquecer os libaneses ai os libaneses que tanto gostavam de comer manjerico, e eu kebapes ou rolos de cordeiro do sacrifício executado em altares de desejo. Iluminados por lâmpadas candeia eléctrica que lá me ia acendendo e iluminando alguns momentos de tédio que o abandono e o calor provocavam. E esses homens Apolinios ou Priapos do desejo que entre voltas faziam-me renascer saindo por portas levando comigo um sorriso que ao chegar a casa declaravam uma traição em que se misturava um sangue de Bovary temperado a Valmonte. Mas estes rituais só aconteceram quando Bovary decidiu agarrar no cavalo de tão farta que estava e pular a cerca em direcção ao palácio dos desejos.

Mas ate esse acto em que desespero e libertação a minha vida durante 6 meses foi um desespero Flaubertiano que prometia uma tocata em fuga resultado de solidões e poucas e nenhumas entregas com poucos chapeis altos e muito cabelo rapado pois mais valia aparar a relva cornos de jardins que iriam levar a mudança..

Verdi e a “Força do Destino”

(Que não é das obras do Verdi que mais gosto, mas gosto)

Mais uma vez sublinho que falo dos meus gostos que são diferentes de pessoa para pessoa, por isso assumo neste texto que pertence a um todo pequenos fragmentos da minha vida, que as vezes serve de pretexto para contar algo.

Tomei conhecimento desta Opera de Verdi já eu andava na adolescência da vida, perdoem-me quem pensasse que talvez já a tivesse conhecido antes mas não e há tanta musica ainda para descobrir pois cada um sente e faz musica a sua maneira. Por isso gosto do radio pois é o gosto de alguém que te da musica, e há surpresas, e o estar entregue aos pensamentos e seres surpreendido pela musica, não deixa de ser sempre muito agradável.

Um dia no escuro em trás os montes passou a força do destino, na bendita Antena2 que (Que devia ter um programa sobre jovens compositores, e se estes jovens não teem CD publicados embora publiquem ou coloquem coisas em rede, que tenham oportunidade de ir para o estúdio da radio como antigamente e darem a um publico a sua musica e terem oportunidade de grava já que estão num estúdio radiofonico, vivemos numa era multimedia vamos falar de musica “tolking abaut muzik” e de quem anda a fazer musica dando assim as suas musicas a escutar)[10] , não sabia nada sobre a opera (a do verdi), alem do que relatavam e ainda bem as vezes o não saber nada leva-nos a surpresa de descobrir, e ascoltar per la prima volta é sempre uma experiência, e preparado estava, no escurinho deitado na cama com o corpo bem relaxado e a musica começou, e foi uma experiência entre tantas outras experiências musicais de sentir a musica, a orquestra começa uma abertura soberba que de tão soberba e forte quase me mijei de emoção, ficando tão assustado pois ainda íamos na abertura. e desculpem a expressão mas as vezes para certas coisas temos que ser um pouco viscerais, pois há emoções que até com as entranhas mexem.

E estava eu no escuro de olhos fechados e essa abertura prece a síntese de toda a historia mas ainda maior que a própria história que é contada na opera. E parece que conta a historia de uma vida numa abertura pois a opera fala de um “pormenor”, e de olhos fechados na volúpia e na força se faz a vida, depois nasce e entregue ao destino num piano casi forte che fa presto, voluptuoso vivaci, anci alegro alegreto, ..... majestoso che la vita, se passa a infância e por ai forra, que também não vou repetir o Verdi a contar a historia.

E levei um estalo de alegria. E sem drogas só com a musica.

E nessa noite trancuila ouvi a força do destino, olhem que emocionei, e como a opera é uma arte total em constante renovação com argumentos sempre actuais, olhem montei uma encenação de olhos fechados que foi pura mas pura emoção.

Há coisas que teêm que ser descobertas individualmente, o meu destino não foi ai que o vi, mas ai foi musica. E musica é sempre uma experiência das mais puras e abstractas.

Bem sedo descobri que a musica é composta por um dualismo o som , o não som e tempo. Uma experiência entre o existir e o não existir.

Anos mais tarde sentado numa plateia de teatro, teatro que muito me fala ao coração em ambos os sentidos, num festival de cinema que da por nome de Fantas-Porto, vi um filme da Nova Zelandia a tradução do titulo original é Soluções Desesperadas, traduzindo a letra do original, mas o titulo oficial português acho que era diferente, e de banda sonora entre outras tinha a força do destino, o filme não ganhou nada acho que ate teve uma passagem discreta mas para min nesse ano foi o filme. E gostos são gostos,

O argumento estava muito bom a posta em cena pois era bastante teatral, a fotografia, o guarda roupa, e os actores sim se não forem bons não o vão ser pelas plásticas ou pelo samário ou o guarda roupa, que os faz se faz o actor, esse é produto visceral da adaptação do seu eu a um eu que tem que viver que não é o dele. Difícil trabalho de um kabuki sem mascara mas com mascara.

Um chá na Savana

Na segunda viagem que realizei a África coincidiu com o mês de Agosto, e pala primeira vês na arte de viajar e da descoberta, tinha companhia de um casal amigo, e como as amizades são escalares onde o ponteiro da amizade indicava mais uma afinidade com a Barbara lá fomos nos rumo a costa do marfim, viajar acompanhado é descobrir também quem esta próximo de ti e numa viagem devido ao mero facto de viajar somos constantemente postos há prova e ai na viagem vem sempre ao decima o que de mais humano há em nos.

Vou abreviar a viagem e vou situar-me já na segunda parte da viagem com os meus amigos, mas não me vou esquecer da primeira parte da viagem que fiz com eles onde também descobri coisas interessantes, sendo esse percurso iniciado em Abidjan, e passando pelos seguintes sítios mas não pernoitando em todos onde a arte de pernoitar levava há demora e há descoberta, vou simplesmente referir os nomes dos locais dessa primeira etapa a três, iniciada na capital económica desse pais passando por Divo, Gagnoa, cruzamos o rio Sassandra, e Danané e Man cidades das mascaras Dan, Odiénné, Korhogo, no dia 8 de Agosto saímos de Korhogo e rumamos em direcção a Kong, nome de cidade que me despertava a imaginação pois ainda não estava la e a curiosidade já era grande pois sem saber a origem do nome do gorila do King Kong, argumentava que íamos há cidade que deu nome ao gorila do filme, sem saber se seria verdade ou não mas a coincidência fazia-me piada. Sair da Korhogo rumo a Kong pós há prova todo o grupo que em Korhogo tinha sido aumentado por mais uma pessoa e agora éramos quatro formando dois casais, e o por há prova foi uma coisa que se começa a aprender há prova em África mal se chega, o estar a espera dentro de um ritmo que devido a sua leveza em passar tevês causa efeito do calor pode colocar qualquer ocidental abitado a ritmos de vida onde a caocidade é tangível e deparares com situações em que a arte de estar só pelo mero facto de estar pode colocar espíritos em estados de nervos, devo referir que a min em África nervos tive mas não provocados pela cultura e pelo continente, os nervos que tive foram sim provocados por Brancos, mas continuemos na descrição que urge chegar ao zénite dessa viajem que ainda não começou e ainda estamos na espera do transporte que nos iria levar ao destino.

Transporte publico africano é possivelmente o acto de viajar onde economia e humanismo andam sempre associados, pois há sempre um lugar onde o numero limite do veiculo é colocado a prova a cada viagem, onde se coloca a prova a noção de espaço e preenchimento do espaço, e enquanto houver espaço cabe sempre alguém, e 22 pessoas, incluindo animais bagagem e toda a parafernália que pode ser o termo bagagem que poe há prova toda a noção de movimentação de produtos pois o impensável pode metamorfosear-se se ser bagagem de mão para alguém. Mas como referia a carrinha só saiu quando o condutor achou que a relação espaço ocupado e trajectória estavam em relação com uma noção de rentabilidade e não de horários, e se saia as 9 horas acabamos por sair de Korhogo por volta das 16h. Mas o que interessa é que saímos e lá começou a viagem em que o acto de esperar não deixou de ser uma descoberta e de conhecimento pois começava a sociabilizar com as pessoas que iriam viajar contigo, e em África eu falava ou tentava comunicar com quem quer que fosse desde de consentisse, se te sentavas ao lado de um estranho a viagem terminava com saudações e augúrios de felicidade bem como de convites para visitares lugarejos onde a existência era sempre descrita como o local mais lindo para se viver, onde nunca se falava da adversidade mas todos eram seres políticos com ideias muito concretas e quando esta vinha a conversa sempre havia a esperança de que amanha seria menos duro.

Eu nesta arte de circulantes sobe rodas, tentava sempre ir há janela, pois apanhava ar fresco que o dizer ar fresco não deixa de ser uma figura de estilo ocidental pois temperaturas superiores aos 40º nem a sombra é fresca, e toda a deslocação de ar provocada pelo movimento da carrinha só é refrescante devido há circulação de ar provocada pelo movimento da carrinha que sempre era melhor que nada, e o importante era ver a paisagem, apreciada. E ai novos tipos de aglomerados iam aparecendo com novos sistemas de construção onde o celeiro individual fazia parte da própria existência tanto do homem como da ideia de habitação, e como eram bonitos os seleiros em terra-cota cota ao sol, circulares apoiado em pedras, onde o numero de celeiros familiares formavam toda uma visão particular dos aglomerados marcando a sua importância devido há sua quantidade, quantidade que simbolizava poder, e numero de descendência para cada detentor de celeiros. E o vermelho e o ocre dominam as gamas cromáticas onde o verde deixa de ser uma explosão dominada por um pilo de vegetação que tende a ser mais baixa e diferente da existente a sul, a floresta tropical deu lugar a uma savana arbórea sendo a cor terra dominante na existência bem como do ritmo onde começa-se a ter que essa terra acompanha o céu em grandeza, duma vida condicionada a partir do momento que se conheceram novos tipos de vida onde o exterior passou a introduzir novos padrões onde o choque bem como a imposição levaram a acelerar processos onde um outro rimo marca a existência olhando mais para o desejo que condicionou a visão. Onde voar limita-se ao poder do corpo e não da imaginação e o ademirar os pássaros que na sua simplicidade em cada bater de asas põem em causa a lei mais básica da atracção (a gravidade), entregues há existência onde tudo se diviniza e se torna divino, há escala do humano.

E entre saltos e chuviscos aldeias e olhares, chegastes a Kong, perto do ocaso solar que em jeito de despedida deixava um arco Íris desenhado no seu pousando sobre uma mesquita de lama que prendia o olhar provocado bela beleza da arte de se voar onde um ninho de andorinha serve de modelo para o engenho da arquitectura adaptada ao meio.

E o edifício de lama prova de engenho e saber prendeu o olhar, com um toque pictórico em que a humidade e o sol decidem pintar no céu esse traço de boas vindas , fazendo-nos caminhar hipnotizados pela beleza aproximando-me tocando nessas paredes que o sol tinha endurecido e eternizado. E quem nos via , pensava estes brancos são tão estranhos. Só depois desse contacto táctil e de quase gastar um rolo de fotografias e sentires que a luz no seu ocaso trazia a mente a preocupação de arranjar um local para pernoitar, processo que foi fácil pois todos indicavam um único sitio e antes de te instalares um habitante local rapaz que se publicitava de guia com sorriso e um corpo que simbolizava uma garantia de nada de mal nos acontecer convidando-nos para um chá a porta de uma loja casa de já local de convívio, e entre goles de chá lá vendeu as suas aptidões de guia, entre chás e chás, na soleira do quiosque, e eu com o meu olhar ficava intrigado surpreso mas nada espantado mas tentando entender porque tinha umas sobrancelhas há Marlene D.[11] Que lhe davam um toque engraçado e estranho pois aquelas sobrancelhas finas e bem delineadas naquela cabeça que encimava um corpo musculoso naquele lugarejo era um laçarote estranho mas que não me surpreendia mas era estanho, e com o tempo dera-me conta que era o único, o que me levou a admirar e ver essas sobrancelhas como um toque de beleza de uma poesia viril, minha cabecilha de estética ocidental que de espanto achava engraçado, mas o todo parecia estranho lá isso parecia e sofria também de uma descalcificação de pulso talvez provocada pela má nutrição, mas o problema não parecia nuticional, mas como estava mais interessado em olhar a mesquita que ficava do outro lado da rua, e falta de cálcio e sobrancelhas era coisa menor e entre chás expusemos o que queríamos ver sendo o destino a visita ao parque nacional no dia seguinte, ele expôs como poderíamos lá chegar, onde tudo pareciam facilidades, e como o chá era bom decidi comprar uma caixinha de 250g de chá seguindo o conselho de comprar um dada marca que era a melhor que poderia comprar naquelas paragens e já que estava de compras comprei uma bule igual ao deles onde preparavam o chá, e como o chá que comprar era melhor do que o que bebíamos e já que comprara também uma bule metálico de ferver agua e fazer o chã parecido com os marroquinos decidiu ensinar a preparar o chá e provar o chá que comprara. De facto o chá era bom e depois de bebermos mais uma rodada de chá e como o escuro da noite cobria tudo e os candeeiros públicos eram parcos, terminado o chá encaminhou-nos ao único hotel, ou pensão existente indicou-nos um sitio para comermos e disse que a carrinha saia as 7 a. m., e fora embora para dormir. Mas avisando que estaria bem sedo para acordarmos e apanharmos o transporte. Despedindo-se e trocando umas palavras com o recepcionista da pensão avisando ou apresentando-se ao recepcionista como guia para não ter problemas no dia seguinte sublinhando com o tom de voz que passaria bem sedo. Tornou a despedir-se com um:

- Até amanha durmam bem não se esqueçam as 7 horas temos de já estar na carrinha palavras pronunciadas com um sorriso de dentes branco, uns dentes branquíssimos, esbranquiçados com a seiva dos paus que rilhava nos tempos livres, franzindo as sobrancelhas a Marlene D.

Tratamos das inscrições pedindo dois quartos e terminadas as papeladas de entrada, indicaram-nos os quartos nos quais começamos logo a instalar a mosquiteira trocamos uns chochos acendemos uma espiral repelente de insectos e saímos indo para o quarto da B. e do EZ. Perguntando se precisavam de alguma coisa e depois de verificarmos que tudo estava montado a B. acendeu uma espiral repelente de insectos e desinfestou com insecticida o quarto como de costume. Saindo do quarto e vindo ter com nosco que já nos encontrávamos no corredor e saímos do hotel e fomos em direcção ao sitio que o guia nos indicou e que era o único que servia refeições.

O caminho era mal iluminado mas ao longe via-se a luz que saia do restaurante se podemos lhe chamar restaurante pois era um coberto com um balcão e uma cozinha ao ar livre sobe outro coberto, há porta uma jovem sobe uma esteira rezava as orações da noite virada para Meca, falávamos de viagem mas ao aproximarmo-nos da moça que rezava calamo-nos e entramos sentamo-nos numa mesa comprida com bancos corridos e um jovem veio atender-nos e nestes casos onde as vezes pedir algo que não conheces não será uma boa opção já que ainda faltava muito caminho para percorrer pedimos o frango de churrasco arroz banana, frita, mandioca, bem como um molho de tomate picante para molharmos as bolas de mandioca e uns refrigerantes para matarem a sede e adocicarem a boca que chegaram de seguida e acenderam umas velas informando-nos que o gerador dentro de pouco iria ser desligado e a povoação deixava de ter luz eléctrica, e ao sabermos esta novidade que não nos espantou pois as comodidades já tinham sido esquecidas há saída dos grandes centros demográficos que as vezes também não funcionavam, alguém decidiu retornar ao hotel buscar as lanternas.

O tempo passou a luz foi desligada as bebidas esvaziadas e outras demandadas vindo já com a banana frita e o molho servindo de entrada aperitivo, acalmando o apetite enquanto esperavas o frango e o resto dos acompanhantes, e como os bancos eram corridos um local sentou-se ao lado indagando a nossa proveniência e se caso precisasse-mos de telefonar ele tinha um posto telefónico do outro lado da rua, perguntou-nos pelo Figo pois era o único português que era realmente conhecido por todos e Portugal era sinónimo de futebol e de Figo, indagava sobre se era fácil o trabalho de onde vínhamos, se lhe arranjávamos trabalho, falou da sua vida da mulher que tinha do dinheiro que gastou para se casar e de como era difícil fazer dinheiro naquelas partes. E lá tentávamos entabular uma conversa convidamo-lo para se juntar a nos e comer connosco coisa que não aceitou mas mesmo assim pedimos para beber algo pois fazia anos no dia seguinte e assim juntava-se a nos na comemoração ele disse que sim com todo o prazer mas felicitava o aniversariante no dia seguinte, expliquei-lhe que partíamos sedo para o parque natural e de certeza que talvez não nos íamos ver, ele disse que sim íamos ver-nos pois já estava no posto telefónico a partida do autocarro, pois também despachava cartas que lhe pediam para escrever bem como encomendas que expedia pelo autocarro. Brindamos mas sem festejar ou desejar felicidades pois não se devem precipitar felicitações antes das datas, o frango chegou, tornamos a convida-lo para se juntar a nos mas recusou pois era tarde e já deveria estar em casa e como viu que erramos novos no sitio decidira saudar e oferecer os seus serviços telefónicos. Despediu-se num até amanha e saiu também com um sorriso desaparecendo na noite escura engolido pelo seu mundo na existência da sua dor duma dor imposta a uma forma de vida que não queria aceitar mas via-se limitado onde o sonho era sempre distante onde tudo oferecia e podia trazer mais felicidade pois ai na distancia tudo era possível.

E ali ficamos nos em frente ao frango com a mandioca , Inham e arroz ouvindo o canto dos insectos, um silencio interior e toda a realidade que nos fazia pensar, sentindo o peso dos alimentos a passar pela garganta.

Pensar no sorriso de uma felicidade, felicidade de fronteira no fio da existência olhando o horizonte para lá dele havia a esperança, mesmo naquela noite escura os olhos luminosos que nos rodeavam viam esse horizonte luminoso, iluminado, iluminador na dor das novas utopias de uma cultura que se descaracterizava em cada arvore tombada últimos guerreiros de um silencio secular, que já deixaram de ser iniciáticos para a vida adulta, perdendo todo o estatuto com os novos caminhos que ligavam continentes, e cada arvore tombada era sinal de perda de cultura de identidade, olhando a vida não como ritual mas como sobrevivência, um salve-se quem puder, começado com a fuga ao primeiro barco negreiro, é a dor do respirar e tudo pode ser uma surpresa onde a má surpresa é a constante do destino, e as boas surpresas eram cada vês menos tangíveis, visíveis, onde o sussurrar do vento anunciava mudanças e tempos ainda mais difíceis, isso era visível num medo que as caras pareciam anunciar.

Caras que nos olhavam a comer e se intrigavam que farão estes fantasmas neste fim de mundo, nos queremos fugir eles venhem passear.

Mas o comum daquela noite naquela ceia foi o silencio e as trocas sonoras de palavras entre nos tinham como destino adjectivar a beleza da mesquita de lama que distava alguns passos daquele banco corrido, iluminado ténuamente com a fogueira da cozinha nas traseiras daquele restaurante.

E tudo parecia paz, daquelas pazes que anunciam um ribombar, uma expulsão de não se conseguir conter devido as cargas a que o dia foi sujeito devido há explosão solar.

Terminada a refeição, como era habitual em min perguntei se tinham café e encomendei dois cafés os que eram desejados a ser bebidos e depois de comentado o sabor do inham do aloko, chegou o café de púcaro com um aroma divinal, aroma que já era sentido antes de ser visto abrindo as portas do desejo daquela agua tingida forte e revigoraste, e entre golos silenciosos quebrado pelo pedir da conta, pagou-se despedimo-nos com um sorriso de quem voltaria no dia seguinte bem sedo e acendendo as lanternas caminhamos em direcção ao hotel.

Entramos na recepção iluminada por um daqueles candeeiros a querosene denunciado pelo cheiro e com um sorriso de quem cansado de esperava se resguardava por detrás de um balcão de recepção, e sem dizer palavra acendeu mais dois candeeiros colocando-os sobre o balcão da recepção e desejando-nos boa noite, e se sempre queríamos acordar de manha bem sedo.

Em uníssono os quatro respondemos um “oui”, que parecia o resultado de um treino coral a quatro vozes, teimando durante a viagem.

E de candeeiros nas mãos lá fomos para os quartos, para descansa, despedimonos uns dos outros desejando boa noite e poucas picadas de mosquito, e o som de um canhão fez sentir-se no ar agitando todo o espaço, eu esbugalhando os olhos digo:

- bem a noite promete, e com sorriso malandro repito mais uma vez, durmam bem.

Sendo respondido por todos com sorrisos. e entramos para os quartos.

A ténue luz mostra-nos a cama docel efeito mosquiteira tornando a cama protectora e acolhedora, que nos aguardava, dentes lavados, beijos trocados a meia luz que pareciam anunciar uma prenda antecipada de aniversário tão desejada, depressa senti que os beijos de R. eram apenas o aperitivo do desespero de quem não estava disposto a dar mais nada, sussurrando um:

- te quiero, agarrando-se a min

E eu respondendo um também te quiero em jeito de va la fasso anos, pronunciados mentalmente movendo os pes tentando provocar o que já morto estava no desejo de dormir, e ele murmurando mais uma vez sussurra:

- Para Paulito para, tenta dormir,... estoy echo polvo.

E mentalmente dizia para min:

- “Polvo”, queria eu, respondo a sorrir num sorriso nervoso de desejo não realizado, cansado do pó acumulado do desejo. E fazendo dos pensamentos silêncio digo em vos nervosa, procurando com uns lábios mais um beijo e chocho dado mais um; dorme bem bons sonhos, pronunciado, virando-me para o lado procuro o sono, ouvindo a chuva a cair la fora acompanhada pelo trovão.

E entrelaçados assim à colher ele adormeceu e aos poucos ia fechando os olhos que se iam abrindo ao ritma do trovão voltando a cair ate caírem de vez sentindo os braços de R. abraçado a min adormeci e uma segurança que só a minha crença fazia acreditar nela.

Fomos acordados com um bater na porta violento, Laudes a toque de caixa (porta) que ecoavam no quarto, mão pesada que no seu ritmo de toque pretendia respostas de confirmação, e exaltada a voz de R. pronuncia um si, sim, oui, de um dia que anunciavam comemoração que não tardaram a ser ouvidas e sentidas, ronronar do corpo meloso de R. anunciando trombetas de desejos matinais que o tempo no seu tique táque dizia estais atrasados, estais atrasados e musica de metais não podiam ser tocadas, mas o mel matinal tornava o acordar trôpego, e o beijo anjelos de deseijo anunciando o feliz aniversário depressa respondidos, por um “gracias”, cheios de graça de felicidade interior melosos no despertar do ser nessa manha da vida que renascia.

E ainda mal tinha saido do banho já um novo toque na porta mais leve chamava meu nome, confirmando a urgencia em dar corda as sapatilhas e corrento abri a porta confirmando que já estavamos quase prontos a sair.

Mal a porta foi aberta um dueto começa a balbuciar o parabéns a você cheio de sorrisos, incorporando um obrigado entre o cantar de risos e obrigado e naquela musicalidade matinal lá saímos correndo do hotel caminhando em direcção ao local donde saia o autocarro. Ainda não tínhamos chegado e já víamos o guia com um pau preso pelos dentes brancos, cortina do sorriso de um rasgar de lábios que anunciavam um bom dia.

Depois das saudações R. foi comprar os cinco bilhetes e lá nos acomodamos dentro do autocarro. A do interior do autocarro dirigi o olhar em direção a mesquita de lama e mentalmente comecei a cantar um gloria em sinal de obrigado, e uma sensação de felicidade invadiu o corpo fazendo-me esboçar um sorriso amarelo, sorriso que aos poucos foi invadindo também a alma e nem o barulho do motor e o inicio da viajem aos solavancos fizeram perder aquele ar de felicidade. Pouco depois a B. anunciou que trazia com ela o pequeno almoço pois já calculava que não iríamos ter tempo para comer nada, aceitei uma bolacha e só nesse instante me apercebi que as pressas não revi o conteúdo da mochila e não trazia o elementar para quem viajava, nem repelente nem agua, nem bolachas, uma camisola de manga comprida um boné, um livro sobre: Psicologia e entropia da arte, peso que carregava esperando ter tempo para o ler e sempre crente que o leria na viagem, mas carregava-o esse o folheei duas vezes posso mentir. A caixa de chã comprada no dia anterior, papeis papelinhos vestígios de locais que ficavam esquecidos no fundo da mochila e faziam parte da memória da viajem. Depois de confirmada a inutilidade do conteúdo da mochila, olhei a para a paisagem e decidira aproveitar, nascera naquele continente e nunca pensara que o destino me proporcionasse um aniversário no continente em que nascera.

A terra cor de sangue personificação de um povo, cor de vida, cor de comunicação traçando linhas formando estradas, caminhos vermelhos mas mais claros sinal do caminhar dos seres que se comunica, cruzam, vermelho ligação, de culturas e de vidas de uma historia em marcha, continuidade e direito a caminhar. Serpenteando em direcção ao norte, ondulação símbolo de ritmo, maneira como se progride no espaço e se enfrentam as dificuldades, gráfico de um povo que olha para o norte, no constante ziguezaguear da existência onde lá longe serve de exemplo condenação há depressão colectiva de uma existência condicionada. Mas se o vermelho é cor de terra pontilhada de verde, canto vegetalicio pintura impressionista savana pontilhante imenso coberto de torres grito de uma esperança ainda para acontecer, arvores castelos, bastiões avançados tentando travar a desertificação, e a seu lado termiteiros de vida espalhados na imensidão, de onde em onde se podia-se ver uma coluna de fumo sinal de sociedades e formas de agricultura primitiva, que anunciava um povoado e uma forma de estar inter. relacionada e dependente do meio, que em breve veríamos nos ondulares do caminhos cristas ondulantes esculpidas por intempéries sazonais épocas de chuvas que tudo renova, naquele serpentear de ligação e comunicação, e progredíamos naquela paisagem aos saltos surfando a savana, depressa, pé a fundo, deixando sempre um rasto de pó, sinal do nosso avanço na imensidão. Parecíamos personagens de uma corrida louca numa lata que poderia colapsar a cada momento a cada salto, e duas ou três horas depois de Kong, a carrinha autocarro parou, os ocupastes e nos saímos, pensándo que seria uma dessas paragens para aliviar qualquer necessidade, damo-nos conta que afinal a paragem tinha sido forçada, imposta por um camião que se encontrava parada no meio de uma ponte de troncos sobre um rio. A curiosidade essa fez-nos aproximar do camião e verificamos que a este tinha ficado preso pelas rodas na ponte, devido a queda dos troncos que tinham cedido devido ao excesso de peso do camião, e ao cederem os troncos, caindo no rio, o camião ficara preso pelas rodas cravado na ponte de uma única direcção impedindo a circulação, condicionando assim a circulação de veículos.

Eu ainda fui perguntar ao nosso condutor se o reboque iria demorar muito, rindo-me mal acabara a pergunta, contagiando o condutor no riso, olhando para mim de forma duvidosa sem saber se a minha ignorância era tal ou estava a rir da situação, mas sem pedir explicações riamos, e depois de rir disse:

- Bem reboque, ..... há um a uns 200km, e vamos ter de esperar. Hoje ou amanha passará outro transporte.

E nesse preciso instante dei-me conta que continuar a viagem seria difícil, e iríamos ter de esperar. Fui falar com os meus companheiros na espera onde indefinição era uma realidade os ou iria passar ao fim do dia um transporte ou só no dia seguinte. Começamos entre nos a tentar decidir o que fazer e fomos falar com o condutor que parecia autista e somente dizia não se preocupem vai vir um transporte ao fim da tarde de hoje ou amanha e poderão prosseguir, ainda lhe perguntamos se poderia dar a volta e levarmos de regresso a Kong, resposta negativa pois dizia:

- que não podia ir para trás, .... o seu destino era há frente e não a trás.

Mas para trás até podia o que não podia era ir para a frente.

Tentamos negociar, não queríamos era ficar ali no meio do nada, mas o homem era indomável e o seu argumento em esperar para continuar não parecia ter lógica, pelo menos para nos, onde a nossa argumentação parecia ser levada pelo vento, decidimos esperar e ver.

O condutor diz-nos que havia um povoado a frente a uns dois quilómetros, e podíamos ir lá ver pois podia haver transporte.

Os seres que viajavam connosco decidiram pegar nos seus pertences e começar a caminhar, já experientes dos transportes e desapareceram da nossa vista, indo em direcção ao povoado que nos tinha sido indicado pelo condutor, o mais interessante é que nem reclamaram, nem procuraram justificações no condutor, olharam para o que se passava e decidiram pôr-se em marcha com exclusão de duas moças jovens e nos que entretanto já falávamos com o condutor do camião que obestaculizava a circulação, a B. tentava falar com o nosso condutor. E depois de nos convencermos de que esperar iria ser uma imposição e não estávamos ali a fazer nada, e os mantimentos que tínhamos era um pacote de bolachas e meia garrafa de água de litro e meio que eram da B., decidimos também nós seguir os passos dos que já tinham desaparecido no caminho em direcção a aldeia, já previamente indicada pelo condutor, o engraçado era que o guia estava mais perdido que nos, pois não estava a contar com aquele percalço que o desarmara, achando que era boa ideia também pormo-nos em marcha. E lá fomos nós em direcção a aldeia e nesse caminhar damo-nos conta da grandeza das construções das térmitas tornando-se tema de comentário entre nos, mas como a finalidade era alcançar o povoado por muita curiosidade despertada pelos termiteiros não nos detivemos passado uns 20 minutos, cansados chegamos a aldeia debaixo de um sol abrasador, como se diz na minha aldeia, um sol de Justiça, mas a aldeia aparentava estar deserta, formada por meia dúzia de construções de barro seca ao sol com os seus respectivos celeiros cilíndricos, fálicos, depressa nos demos conta que a aldeia não tinha um único comerciante, nem agua engarrafada, nada, apenas as vidas que dormitavam há sombra aliadas do problema que acontecera a uns dois quilómetros donde vínhamos, problema que parecia não interferir em nada nas suas vidas embora a estrada fosse o meio que as comunicava com as restantes aldeias, não se sentido perturbadas, aconselhando-nos a esperar, onde as nossas perguntas não obtinham resposta. A cor da pele gerava uma desconfiança de adultos e a fuga assustada dos pequenos que ao ver-nos sentiam que as historias contadas ao fim da tarde sobre os antepassados se tornavam realidade e fugiam, olhando para nós como se fossemos almas penadas que procuravam algo, os pais riam do comportamento dos pequenos, sem se preocuparem, os adolescentes esses reagiam inversamente olhando para nos com olhos de fascínio e curiosidade, olhando para as nossas sapatilhas, aos poucos os mais pequenos ainda intimidados iam aproximando-se escondendo-se por trás das pernas dos adultos, onde as lagrimas davam lugar a olhos esbugalhados de curiosidade e de temor protegidos pelas pernas dos adultos, que tentavam ajudar ou tentavam responder as nossas perguntas, depressa nos demos conta que a única coisa que tinham para vender eram umas mangas verdes, que compramos, a aldeia era tão pequena que não tinha comercio, sendo-nos indicado um povoado que ficava a umas 2 horas a pé, esse sim era maior e já tinha comercio, onde havia transportes. Achamos melhor regressar para trás, com as mangas, e decidimos comer algumas mangas enquanto caminhávamos de novo em direcção ao local donde tínhamos parado, e mal tentamos comer as mangas, estas estavam tão verdes que não as conseguíamos comer, e nesse regresso já nos detivemos em alguns termiteiros vendo-os de perto sem nos afastarmos muito da referencia que era o caminho. Chegamos à ponte intransitável para veículos, passamo-la e fomos falar de novo com o condutor. Este repetiu a argumentação anterior repetindo o argumento, que não podia regressar e tinha que continuar. E por muitas explicações que déssemos não o convencíamos a dar meia volta e levar-nos de novo a Kong, e para ele continuar viagem era continuar não retroceder, nesse instante a B. começa a ficar agitada, mais nervosa, começa a andar para trás e para a frente, e subindo o tom de voz:

- Nem repelente temos, ..... e se temos de pernoitar nem mosquiteira trouxe, .... só tenho meio pacote de bolachas, .... e mais de meia garrafa de litro e meio de agua, olhando para nos pergunta, e vocês o que trouxeram?

Eu abrindo a mochila olhando-a com uma cara de puto que se tinha esquecido de fazer os trabalhos de casa digo:

- Não troce nada, olha.... nem agua, ... nada....só trouxe a maquina fotográfica uma camisa e uma caixa de chã.

- Chã e a agua para o chã?

- O problema não é agua, é cafeteira, e começo a rir.

- Sois uns..... olhem não me venham pedir agua....., Ahaaaa .... es um irresponsável..... Ahaaaa,....... .

E começa a andar a gritar, parecia que ficara possessa, o mosquito trasformara-se no animal a temer e ali sem repelente nem mosquiteira iria ser o nosso fim.

Tenta entabular uma conversa com o condutor, que não parece entender o que ela lhe diz, que parece despreocupado do que se passa, alegando:

- “cét l`afrique”.

E lá isso era verdade, era mesmo a África.

Decide pôs-se a andar para trás e para a frente, entra em desespero, ainda tentei conforta-la mas depressa dei-me conta que era melhor nem dizer nada, e deixar o EZ. conforta-la ou acalma-la.

E como ele estudou iniciação a psicologia deve saber melhor que ninguém o que se passava com ela, e como são companheiros lá se vão entender. E a B. deve estar abitada em diagnosticar casos passantes já que é perita em diagnosticar estados mentais.

Mas como africano que sou decidi dormir uma cesta há sombra de uma arvore, pois o que tinha de fazer era esperar e se viesse a noite ia dormir para o autocarro, e se o mosquito me mordesse não iria ser o primeiro, e fome são três dias. E decidi nem dar importância ao que se passava que seria melhor e são momentos destes onde devemos estar calmos e observar, e tentar tirar proveito da paisagem ou do que for. E como o calor apertava não tinha agua, decidi dormir, o sol esse alcançara o zénite e a sombra era a melhor amiga, sombra bem junto ao tronco pois até a sombra tinha decidido ir embora, o murmúrio do rio acalmava o espirito sussurro tranquilizante e para dizer a verdade sentia-me tranquilo, senti cede mas nem me mexi pois se fosse pedir um golo de água poderia despontar algo que já tinha sido despontado e agravar a situação e decido cochilar de boca seca por muita agua que os meus olhos vissem e os meus ouvidos sentissem, entreguei-me ao sono abstraindo-me de todas as referencias que pudessem aumentar a sede. E na sombra sentindo o calor que ensona entreguei ao sono e ............... um Béeeeee, seguido de um Méeeeee fez-me abri os olhos e um cabritinho estava a minha frente, de seguida junta-se-lhe a mãe e por uns momentos tive a sensação de que talvez estava a ter uma miragem daquelas de filme só que em vez de ver um poço ou um copo de água um cabrito, e este (o cabrito) aproxima-se da cabra e começa a mamar na teta, e de seguida um rebanho começou a aglomerar-se há minha frente, e por muito que pestanejasse estava um pouco incrédulo, tudo parecia estranho, os cabritos e as ovelhas, entretanto escuto a voz do R. que me pergunta donde veio o rebanho e eu ainda mais espantado, a pensar que estava a ter uma miragem, dei-me conta que afinal era real o que via por muito irreal que me parecesse, disse:

- Sei lá estava aqui meio a dormir.

E sorrindo para min volta a desaparecer na companhia da Marlene D. como eu chamava ao guia, talvez pesquisasse os termiteiros.

Entretanto aproximam-se três pastores que me saúdam e comprimentam como se fizesse parte daquela paisagem e estivesse ali sentado toda a minha existência. E oferecem-me agua duma cabaça para beber, aceitei, e bebi, nem pensei se a agua era mineral, ou se provinha dos Alpes, ou de qualquer termas Europeia que exporta água para aquelas paragens, depois de beber, convidam-me para ver o seu rebanho, levanto-me da sombra e sigo o pastor de chapéu cónico de palha de tez clara, que parecia conhecer bem o rebanho perguntando-me o que se passava, na ponte, mas não despertava grande curiosidade na resposta, estando mais interessado sobre o que pensava sobre os elementos do rebanho. E perguntou-me se gostava das cabras e das ovelhas, respondo afirmativamente chegando mesmo a comentar que quando a minha mão se chateava comigo dizia sempre eu devia era ter-te comprado um rebanho e mandar tomar conta delas, disse-lhe que onde viviam os avos havia pastores, e assim pareceu que criamos uma intimidade como se fossemos íntimos de toda a vida, entretanto aproximou-se o condutor que troca umas palavras com os pastores e volta para a ponte continuando a conversa com os condutores do camião.

Os outros dois pastores começam a colocar esteiras no sitio onde estava a dormitar e convidam-me a fazer-lhes companhia, e sentar-me junto deles pois assim estamos mais confortáveis. Entretanto um deles com um fracalhão começa a esburacar o solo e a fazer um buraco, o outro vai para o mato trazendo pauzinhos secos e fibras de troncos secas colocando-as perto do buraco, sentando-se ao seu lado e partindo os paus com a mão e colocando-os no buraquinho que o seu colega já tinha escavado, tira de um saco uma chaleira metálica e enche-a de agua da cabaça entretanto o outro tenta acender as fibras e os paus do buraco abrindo uma caixa de fósforos eu predisponho-me para executar essa tarefa e digo-lhe:

- Deixa-me a min, eu faço isso. E tiro do bolço o sequeiro. E inclinei-me perante o buraco com os paus e comecei a tentar acender as fibras, mas parecia que as fibras não queriam nada comigo e recusavam-se a arder.

- Obrigado, assim não gasto um fósforo. Respondeu-me ele. Eu acendo vais ver que é fácil tens de saber qual a fibra que arde mais facilmente, a que estavas a tentar acender embora esteja seca é grossa, estas a ver esta parece un paninho castanho, vais ver como ela vai já começar a arder.

- Gostas de chã, perguntou-me o outro vestido de túnica.

- Sim, respondi.

Entretanto colocava o bule metálico cheio de agua, sobre os paus que ardiam

Depois de acesos os paus, um deles perguntou-me se já tinha comido.

- Não. Respondi.

- Vou ver o que posso fazer por ti, pois vamos passar um bom bocado juntos, e o pastor de chapéu cónico levanta-se e vai ver o rebanho.

- Gostas de chã, perguntou-me o outro vestido de túnica.

- Sim, respondi

- Vou fazer um chã para nós, e tira do saco uma bolsinha, e cheira o seu conteúdo, sustendo-a entre as mão como se fosse algo precioso, e depois de sentir o aroma olha em minha direcção e diz: sente o seu cheiro, é muito agradável, de certeza que vais gostar. E com uma mão a pegar no saquinho, faz um movimento aproximando-o de min, para que eu o pegasse e sentisse o aroma.

O aroma era muito agradável, intenso, de chã, mas não conseguia precisar o tipo de chã, se por um lado parecia chã preto, havia outro aroma associado, pois lembrava o aroma do chã verde, ou talvez fosse o calor que alterasse todos os aromas. Mas não pensai muito no assunto, pois ali no meio do nada tudo pareceu começar a ficar diferente, e parecia que uma paz reinava por baixo daquela arvore, se calhar é o ritual do chã, uma espera meditativa silenciosa. Os participantes calados a observar o bule, e a espera parecia que nos unia mentalmente, unidos sobre a mesma arvore debaixo da mesma sombra esperando o chã, e se tudo a volta parecia intranquilidade ou um nervosismo, aquele momento em que olhávamos fixamente para o bule e esperávamos, espera que troce uma calma trasbordante espalhando-se há nossa volta.

Entretanto o pastor da túnica levantasse e levantando a tampa do bule metálico, libertando uma coluna de vapor branco que se perdia em transparecia em direcção as folhas da arvore viajando para o céu, pedindo água, verifica se a agua já esta a ponto, e levantando os olhos em minha direcção diz já esta pega no bolsinha de chã e com um movimento lento tira da bolça o chã colocando-as no bule, tapa o bule e deixa levantar fervura. O aroma agora sim tornou-se aberto, livre e espalhou-se à nossa volta, e se a espera trouxe o chã o seu aroma trouxe alegria, parecia algo nos unia e íamos beber juntos o chã, o estranho era que a sensação era de união de irmandade, parecia que nos estávamos assim já há imenso tempo, e algo nos unia.

Retirou o bule do fogo, acrescentou uns pauzinhos para que este não se apagasse, e tira do saco quatro copinhos diminutos, e dirigindo-se para nos diz:

- Vou lavar os copinhos enquanto o chã repousa, e caminha em direcção ao rio. Regressando passado um bocado com dois copinhos em cada mão. Senta-se no sitio em que estava.

E ficamos todos calados. O pastor sentou-se. O pastor que tinha ido ver o rebanho juntara-se a nos e sentara-se também em silencio. E ficamos todos em silencio a olhar para o bule, onde o seu interior entrava em repouso.

- Sabes esperamos. E com esta diminuta frase o silencio foi quebrado pelo pastor responsável pelo chã. As vezes esperar, .... faz bem, é como fazer chã, ... se não esperarmos as folhas secas não tem tempo de libertar o aroma e darem cor e sabor há agua, toda a espera deve ter um resultado, ninguém espera o nada, mesmo quando a espera tem como resultado o nada sempre se chega a algo. E esperar um chã e sempre uma espera para algo, e essa espera é sempre curta, quando dividida essa espera com alguém vai resultar sempre em algo entre as pessoas que estão há volta do bule que repousa, para saciarmos os paladares, e depois deste saciar o dialogo é sempre mais frutuoso, pois os convivas vão estar mais próximos uns dos outros. Não temos açúcar, ..., olhou-me e esboçou um sorriso.

E levantando o bule até uma determinada altura começa a encher os copinhos com o chã, quando cheios estes ficavam com uma espuma no seu topo. Depois de cheios os quatro copos, efectuou a divisão dos copos começando por entregar primeiro um copo de chã a min e depois os restantes aos seus colegas e por fim pegou ele no dele, olhamo-nos todos nos olhos e nesse instante o pastor que praticamente não tinha saído do meu lado pronunciou as suas primeiras palavras:

- Há fraternidade, .... e ao amor entre os homens.

Levantamos os copos em silencio em sinal de aprovação e bebemos. E para ser sincero o chã ate estava doce nem precisava de açúcar, tinha um sabor suave e muito agradável, que me acalmou a sede mal passara pela garganta talvez devido ao calor do chã. E ficamos assim em silencio a bebericar o chã ate os copos ficarem vazios, e só depois de terminado o chã é que começamos a falar, o pastor de chapéu cónico perguntou pelos meus companheiros, e nesse instante expliquei-lhe que estávamos há espera, falei do objectivo da viagem, e da forma como nos tínhamos dividido enquanto esperávamos uma solução.

Eles sorriram entre eles, sorriso que não entendo, e passado um instante o pastor que dirigiu o brinde do chã perguntou:

- E essa espera foi a divisão, cada um foi para um sitio diferente, e tu ficastes aqui sozinho a sombra, entre a estrada e o rio, mas tu também não estas sozinho, agora estamos contigo, ...e o teu amigo, porque não te faz companhia, ..... porque prefere a companhia do guia que pouco sabe do que vê e de térmitas ainda sabe menos que tu? Tu ainda olhas para elas como uma sociedade, para ele são animais que sempre estiveram ali .... vais ter de pensar nisto e em mais coisas que vão acontecer nas tuas viagens levantar perguntas sempre fez bem e sempre procuraram respostas.

Viajar é dar sempre um passo há frente em direcção ao homem, para ti e para min terás de ser isso, e isso não é fácil, viajar é tornar o coração mais grande, .... tornar o coração mais grande e amar, amar é olhar o homem sem impor e sem pedir, é uma troca gratuita. Descobrem-se coisas mas se não descobrirmos o homem na viajem somos demasiados egoístas, ... fugimos procuramos cegos, saboreamos descansamos, e ao regressar estamos cansados .... do vazio. Isso implica saber receber, se eu recebo-te tu vais ter de me receber também, eu vou falar contigo as opções vão ser tuas, eu vou abrir-te o coração, dar o fígado, sempre há trocas, e tu aos poucos vais dar o coração, o fígado, e nesta diversidade nesta diferença vamos ver que somos iguais. Todos somos iguais. Todos temos de saber acolher ..... dar e receber é muito difícil, e quando o amor faz parte das trocas o homem em vez de se unir tem a tendência de se afastar, .... amar as vezes cria o medo. Mas vamos comer. Vais avisar os teus amigos que os pastores vão oferecer a comida desse dia, África quando quer dá sempre mais do que se possa imaginar.

Levantei-me em silencio algo ecoava na minha cabeça mas não era tempo para pensar, tinha de avisar que ia haver comida e esse problema não seria causa da desesperação. Olhei os pastores e eles sorriram, virei as costas e corri em direcção ao transporte, entretanto olhei para trás e vi que os três pastores dirigiram-se ao rebanho, e as cabras e ovelhas cercavam-nos. Continuei a correr e as duas moças que tinham ficado com mosco há espera perguntaram-me:

- Onde vais com tanta pressa?

Parei e respondi:

- Vou chamar os meus colegas para virem comer, .... olhem ofereceram-me mas se estais com fome acho que os pastores mandaram-me chamar os colegas e todos somos colegas pois íamos no autocarro.

- Não, não, vamos trouxemos algo e já comemos. Responderam-me elas a rir, continuando. Não te oferecemos nada, não sabíamos que queríeis comer, agora vamos tomar banho naquela charca tão bonita, vai ter connosco lá e refresca-te.

- Talvez. .... Respondi, e tirei a maquina fotográfica do bolço e fiz uma fotografia, pois achei o momento digno de fotografia, e os olhos estavam convidativos que tinha que tentar captar aquele olhar, olhar que foi modificado mal viu a maquina, e nesse instante o momento da fotografia perdeu-se pois a moça já estava a fazer pose, disparei a maquina e continuei o meu caminho. Entretanto chegara ao autocarro, e entrando a B. e o EZ. Estavam sentados no banco do fundo, as caras eram de preocupação, e silencio sisudo, e digo-lhes que os pastores nos convidam a comer. E entretanto B. pergunta-me:

- O que vamos comer?

- Não sei. Respondo sem saber nada sobre o que nos esperava para comer. Eu já bebi chã. E não tenho sede, olhem vou perguntar e já vos digo. E sai do autocarro. Ainda ouvi sons do interior que não prestei atenção, pois naquela situação devemos dar pouca importância ao que ouvimos. E começo a caminhar apressadamente em direcção aos pastores. Entretanto um......:

- Uuu, messiouuuuuuu: Circulava no ar, e girando a cabeça em direcção ao charco, e vejo as duas moças nuas metidas no charco rodeadas de nenúfares e outras plantas, de braços estendidos convidando-me a entrar na agua. Viennnnn, vem ....: convite meloso acompanhado com gestos convidativos.

Parei e por um momento estive a ver as duas moças que se banhavam, parecia um momento poético, duas moças jovens ali no meio do nada agora banhavam-se e convidavam-me para me juntar a elas, e tudo parecia demasiado apetecível, ainda dei dois passos na sua direcção, mas parando naquele risco vermelho de terra que avisava o limite do caminho é aqui e um passo há frente deixas de estar no caminho. Tirei a maquina do bolço e faço uma fotografia, elas riem e continuam com os convites, eu rio e com ar de puto traquina desapareço correndo o som dos convites das moças continuam a ser lançados ao vento, ocupando o ar, mas eu ar para que te quero corro em direcção aos pastores.

Ao longe já os via juntos no meio da estrada e um som agudo um berrar mudo nesse preciso momento faz-se ouvir e os passos que velozes eram, ao som daquele berrar fincam-se no solo e naquela distancia porssima vejo tombar o cabrito, espalhando o seu chão pelo solo. Fiquei estático imóvel, um silencio nesse instante ocupou todo o espaço e nem vozes de raparigas , nem cantos de pássaros o insectos nem ruído humano, ecoou tudo ficou num silencio esperando um primeiro som para quebrar esse momento que me parara. E um novo meeeeME ecoou e nesse instante conta que haviam sacrificado o animal para saciar a fome de quem faminto andasse, e senti-me sem fome tirei a maquina do bolço e quis tornar aquele momento como um drama sacrifício da savana que não entendia, e não sei porque talvez este ar infantil que tanto me caracteriza comecei a chorar, aquilo era desnecessário, e com maquina na mão aproximava-me, e disparei a maquina, tirando ali a imagem da acção, do que ai se tinha passado, e um dos pastores olhou-me agarrou nos meus ombros e disse:

- somos animais, ..... essa é a base que nos une, somos porcos que tudo devoramos, podia-te contar mil historias para justificar o que aqui aconteceu, mas garanto-te que esta foi uma decisão que nos foi difícil, se houve a consenso, foi no dar o que de melhor temos para quem neste mundo estranho tinha fome. E olhava-me nos olhos profundamente, continuando, acaso andasses por ai cheio e fome e te encontrasses com um leão ou com uma hiena, quem iria convencer quem a se deixar comer? De certeza que eras tu a refeição, mas olhando para ti desconfio que a hiena ou o leão iria decidir pastar aguentando forças para caçar algo, mas talvez me engane e te devorasse tornando o teu fim naquele momento que serviria para dar de comer a outro ser. E olhando-me ainda mais profundamente como se abrisse o livro da minha existência e o estivesse a ler, continuou. Repara a morte é a única certeza que todos nos temos, não sabes se vais ter comida, não sabes se vais ter filhos, ou se algum homem ira deixar de ser egoísta e amar-te, nem sabes se estarás com forças para amar, mas morrer sabes que iras morrer. É a certeza que a todos nos persegue e torna-se a companheira de cada respirar. Ouve entende isto como um sacrifício, como um acto inissiatíco no meio deste vazio. Repara todos te abandonaram, e dormias com a tua solidão. O medo divide e tu vais ter de suportar o medo, a dor, vais ter de continuar, acreditar para ter forças. Tu es católico como eu o meu irmão não é, muçulmano, e o outro nem uma nem outra coisa como vocês dizem é animista, mas somos irmãos, sabemos que tudo se transforma, e mesmo o aninista em que tudo se sacriliza e vira sagrado no meio da natureza dá-se conta de um deus o mesmo que é o meu o teu e o do meu irmão, ambos pronunciamos e ritualizamos louvores diferentes ambos procuramos a chave para a fechadura da nossa existência. Mesmo aqueles que dizem não acreditar acreditam e essa é a sua imagem de Deus, igual a nossa no ritual e no sentido em que eles vem. Agora lembra-te desconfia sempre dos que dizem coisas e não falam do amor.

Tirou a mãos dos ombros e afastando o olhar ficou em silêncio, colocou-se ao meu lado e colocando o braço sobre os meus ombros, deu a intender que deveríamos aproximar do animal que jazia morto ai voltou a pronunciar-se dizendo:

- Agora tira a fotografia, para que te lembres de que a vida são sacrifícios. E tirou a mão que estava pousada nos meus ombros.

Tirei desse momento uma única foto. Ele pegou na minha mão e de mão dada levou-me para a arvore sentando-se e com a mão dando a entender que me devia sentar. Olhou-me mais uma vês e perguntou se estava bem se queria perguntar algo, mas o meu silencio denunciava que lá no fundo nada estava bem. E ele disse:

- Empresta-me o sequeiro. Estendendo a mão em minha direcção. Continuando disse; vou fazer chã, vais ver que te vais sentir melhor. E pondo-se de joelhos começou a colocar mais fibras e pauzinhos no buraco e fez o fogo, abriu a chaleira e sacudiu-a deitando um pouco de agua no seu interior e agitando despejando depois o seu interior em direcção há estrada, encheu a chaleira de agua e colocou-a no fogo. E ficamos em silencio a observar a chaleira e o fogo, antes desta começar a arrufar denunciando o ponto de ebulição da água, levantei os olhos e os outros dois pastores despirão a pele ao animal, só nesse instante é que me dei conta que havia uma quantidade de paus por trás deles, depois de despido o animal espetaram-no em paus e espetaram os paus no chão, entretanto um deles veio-me pedir o sequeiro emprestado e foi fazer fogo depois de acesso voltaram a espetar os paus que prendiam o cabrito perto do fogo e deixaram ai o animal a assar. entretanto dei-me conta que agua já fervia e colocavam no seu interior chã, voltando a colocar a chaleira ao lume.

Entretanto um dos pastores aproximou-se pediu desculpas e retirou uma das esteira que não estava ocupada e afasta-se estendendo-a na estrada posicionando-a segundo a orientação exigida e começa a rezar em direcção a Meca. Nesse instante sem sair do meu sitio fiz uma fotografia do pastor que rezava e guardei a maquina. Enquanto este rezava o pastor que me tinha levado para junto da arvore levantou-se e foi buscar uma bandeja que estava ali perto e nesse instante verifico que o fígado do animal estava colocado na bandeja. Colocou-o no nosso meio, colocando ao lado a faca que dera morte ao animal. E olhou para o pastor que continuava as suas orações, o chã já fervia retirou-o do fogo e deixou-o descansar. E nesse instante o silencio envolvia-nos e tornara-se companheiro. Um pouco depois inclinou-se e começou a servir o chã e terminando de o servir disse:

- O silencio também da respostas, nele vais ter de procurar. Não olhando para ninguém concentrando-se no acto de servir o chã.

Entretanto o pastor que se retirara para orar aproxima-se de nos e senta-se. Pega no seu copo de chã e dá um golo. Olha para nos e inclinando-se paga na faca e na bandeja e divide o figado em quadrados pequenos, terminando esta divisão pousa a bandeja com o fígado dividido em pequenos quadrados, pega na faca e lava-a com a agua do cantil e nesse momento demo-nos conta que a agua do cantil tinha terminado. Voltou a pegar na bandeja do fígado e aproximou-a de min dizendo:

- Esta é a melhor parte do animal, a mais doce, para min este pedaço de corpo simboliza o amor. E ri, continuando de seguida o seu discurso. Sabes para ti calculo que o órgão que simboliza o amor é o coração, mas para a minha cultura é o fígado, nenhum é menos importante que o outro e não podemos viver um sem o outro. Espero que gostes. E nesse instante o olhar dele caiu sobre min esperando que eu me servisse.

- Obrigado. E fiquei imóvel olhava o fígado cru, e sentia-me atónito, nunca tinha comido fígado cru, já comera figado mal passado, mas cru nunca, e os meus braços sentiam-se presos, e não os conseguia mover para retirar o pedaço de fígado, sentindo os olhos dos que me cercavam caírem sobre min e esperar que me servisse. Nesse instante a bandeja agitou-se e nesse instante movi os braços e retirei um pedaço de fígado, e meti-o há boca, era dose mole, meio esponjoso e se o chupasse desfazia-se. Os pastores retiraram cada um, um bocado e comeram-no olharam para min e riram-se, e que andava sempre mais calado com um sorriso nos lábios disse:

- Tem cuidado pois podes ficar todo manchado, parece que pintaste os lábios. E ria. Quando terminares vais ter de ir lavar a cara ao rio. E continuou a rir. Mas primeiro come, quando terminares vamos todos. E ria, pega na bandeja e dirécionando-a para min para tirar mais, obedeci retirando mais um pedaço de fígado. Metendo-o na boca. A bandeja circulou ate desaparecer o fígado, eu fiquei-me pelo quarto bocado, e alegava que já não queria. Um deles ainda disse:

- Olha que ainda vai demorar o cabrito assado, olhando-me nos olhos. Olhos que denunciavam uma certa intranquilidade. E sempre a fixar-me nos olhos o pastor de túnica continuou:

- Ficastes muito admirado com o termos dado morte ao cabrito, para comermos. Sabe, estamos em África, e começa a pensar. Qual era o pastor que matava um animal só par dar de comer a uns estranhos perdidos num caminho? Repara nos os três temos religiões diferentes e somos irmãos, os católicos já não sacrificam um cabrito no dia de Abraão, nos os Muçulmanos sim, um chefe de família só passa a ser bem visto quando sacrifica o cabrito, tradições e rituais, todo o ritual serve para dar significado. E o pastor fés silêncio, .....depois continuou. Mas Abraão ao sacrificar o animal acabou com todo o sacrifício humano, e o sacrifício do cabrito deve chamar há consciência que apesar de sermos todos diferentes somos todos irmãos, os tempos andam conturbados já ninguém houve ninguém, avareza e desrespeito corromperam o ser humano, as quimeras tornaram-se a dinâmica que move o homem, e o homem tornou-se sego surdo e mudo, em vêz de se tornar digno da sua grandeza que o destingue dos outros animais, virou animal, macaco das conspirações onde as quimeras imperam e desviam as preocupações, os tempos são de desrespeito. Entramos em tempos que a vida perdeu o significado, repara Abraão sacrificou o cabrito para não haverem mais sacrifícios, e o homem não ser dado como sacrifício, mas nos tempos que correm o homem sacrifica-se para dar morte em nome de Deus. Não será esse a maior dos sacrilégios? Quando o homem decide julgar em nome de deus não estará a ir contra os seus mandamentos, acaso a vida não é o maior mandamento, e para haver vida tem de haver amor, so o amor une o homem. O não mataras que significado tem? O homem foi chamado para viver em liberdade, mas toda a liberdade implica a sua responsabilização. .... estas a ficar com sede?

- Um pouco, ..... Mas já não há água, respondi.

- Água, estamos rodeados por um rio e por charcos até a muita agua. Respondeu-me outro pastor, levantando-se pegando na chaleira e caminhando em direção ao rio.

- Não te assustes, depois de fervida a agua é boa para ti, alem disso ele levou um cuador para não encher a chaleira de animais e impurezas. Respondeu outro.

- Nos até já estamos abitados, a agua anda cada vez pior, o lixo contamina tudo, e não há uma preocupação as pessoas sentem-se impotentes, há poços que sempre deram de beber, e estão doentes espalhando a doença, se a pobreza é um problema, onde a política tem muitas responsabilidades, a degradação do ambiente é um problema educacional. Na viagem que andas a fazer alem da natureza, o que te chama mais a atenção? Perguntou o pastor de chapéu cónico?

- As roupa, os panos, a arte, as casa, o modo de vida, respondi.

- Isso é a cultura, mas modo de vida o que achastes mais estranho? Tornou a perguntar

- O lixo, os cheiros fétidos, as carências, a miséria.

- Há o lixo, esse já é tanto, ocupa tudo, já reparastes que as arvores andam cheias de plásticos? Mas o lixo é um problema de educação, há lixo que podia ser fertilizante e não se sabe usar. As pessoas não sabem que estão a contaminar tudo. Há fome mas essa fome podia ser minimizada. Mas fazer agricultura agora implica uma nova atitude, as pessoas tem de aprender a voltar a agricultura. E dela tirarem a comida, não será melhor ensinar a produzir, do que enviar comida claro que numa primeira fase é importante, mas ensinando estas gentes a cultivar começam a produzir, as vezes um tractor uma bomba de agua tem implicações para o futuro, ensinar a fertilizar a terra em vez de queimar, olhar para as aldeias como núcleos a desenvolver e devido aos sistemas comunitários com ajuda as coisa dam resultados. Educar para a realidade. Ajudar a criar condições de higiene.

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Amarelo

É a cor que mais gosto.

Não vou entrar em teorias de cores de gamas, etc.; para isso já muitos outros andaram nesses meandros. E o que me interessa expor é simplesmente porque gosto do amarelo, ser sou e para min é cor mais luminosa, associada as estrelas e ao sol (também estrela), ao calor, e por conseguinte há vida, para haver vida tem de haver uma determinada temperatura, alem da agua, se dermos uma cor para a temperatura da vida essa cor será o amarelo pois o homem experimentou vida neste planeta azul em que o sol visto da terra sempre foi amarelo. Se neste momento o sol fosse branco como já o foi na sua infância cósmica ou se já atingisse a fase vermelha a vida no planeta azul que esta a ficar um pouco cinzento seria mais difícil de existir e o próprio azul da terra ficaria vermelho.

Por isso o amarelo nunca foi desespero mas sim esperança, continuidade, e acima de tudo luz que permite vida.

Nunca vi desespero no amarelo, desesperados andavam aqueles que ao amarelo do seus significado com o tempo como factor criaram teorias de dor associado ao amarelo. E os que mais acreditaram no amarelo gritavam vida. E não desespero, pois não os deixavam viver.

Amarelo Luz.

O cheiro do abandono

O silencio subia as escadas

Devagar

Parando na soleira uma musica de chaves

Telintou no eco nocturno

Murmurando um rangido de abrir a fechadura

Chiando a porta

O soalho rangiu

Grunhindo passos pelo corredor

Repicares de sinos procuravam desculpas

Respostas murmuradas

Do despir das roupas cansadas

Caídas no repouso do soalho

Permanecendo mudas na noite

O lençol abriu

Um outro silencio

Que do outro lado

Um hummm virou

Murmúrios dos lábios

Trémulos

boa noite pronunciavam

convite de aconchego morno

sorriso, risos de paixão

no acordar piano de ternura.

Eco no sacrário

Joca de estalo

Repenicada desculpa

Despertou o cheiro

Sentindo que o amor

Não se deitava ao seu lado.

E quando acordou

Ouvindo um roncar baixo

O silencio do soalho

Ditava o fim

Dos murmúrios sem significado

Dos sonhos dos suspiros dormidos

Da realidade da separação

Batida com força

Porta que ficava

A montante

Do silencio

Que desciam as escada

(O fim de Agosto,

depois desse dia

passou a ter um

outro significado

de outono no verão,

onde ainda suspiro

as navalhas há beira mar

comidas com avidez)

Samorinha 01h30m 28-8-07 já terça-feira

Jogos Olímpicos

Se os Gregos legaram ao ocidente a base da sua cultura, pois a filosofia que ai nasceu torna-se espinha dorsal (coluna vertebral) de todo um sistema nervoso associado a sua cultura, tornando a Lógica com toda a sua significação que a lógica implica, pois a lógica esta na base de todo o raciocínio sendo ele musical matemático, estético, ...... , político, Democrático,......etc., lógica que permite ao homem criar realidades saindo da caverna mítica em que a própria luz (a fogueira) é o mito que da origem as historias explicativas, da realidade aspirando-se ao sol da razão, lógica que leva ao conhecimento, sol fogueira cósmica que levanta uma nova era de porquês, tornando a lógica a razão o conhecimento do mundo dando-lhe uma nova explicação surgindo uma nova realidade perante o homem que ainda hoje tenta compreende olhando para essa realidade em duas perspectivas micro e macro sendo a lógica o meio que mostrou ao homem um novo mundo micro e macro que se integra num só formando um todo relacionando-se entre eme nestas duas perspectivas que são uma, e ainda hoje estamos a descobrir numa descoberta sem fim, numa realidade em que estamos inseridos, com um novo olhar onde a lógica passa a ser a luz da razão, o não mito mas resposta lógica produzida pelo intelecto do homem.

Mas lógica que não põe em causa uma ideia de Divino, pois se o por em causa o divino surge ao homem a angustia, a dor, o homem como paixão inútil acaso da existência, onde tudo é o acaso. O que não implica uma ideia de acaso em todo o acto criador, em que evolução e adaptação estão ligadas dentro de uma lógica cósmica evolutiva, em constante adaptação, e por vezes essa adaptação pode ser posta em causa, pois determinadas alterações podem provocar erros. Mas estou a distanciar-me do assunto que me levou a começar esta minha exposição que se afasta da ideia principal que me levou a escreve-lo.

Voltando ao jogo, e falando dos gregos, dos seus jogos olímpicos, que reflectem toda uma ideia de perfeição (a própria ideia de perfeição implica devir, de procura, adaptação e constante reconstrução reflectindo a realidade do homem no e do cosmos) de uma sociedade há procura dela e do seu lugar de identidade num devir de procuras, tentando criar in corporum harmonia[12] que o homem pode criar na terra sendo essa harmonia uma decisão de homens entre homens, elevando o próprio homem ao divino através da lógica e a sua responsabilização por um todo onde esta inserido, sobe alçada de Deus que estruturam a sua aspiração do reflexo divino em que estamos inseridos. Humano e mito surge como coluna estruturaste, criadoras da moral, mural criada pelo homem como sistema balizante de responsabilidades perante a, liberdade, igualdade, fraternidade, sexualidade, Amor são reflexo da divinização do ser humano através da lógica e da sua evolução. Moral que cria a sociedades como as conhecemos, e o mais interessante moral que nunca aspira a igualdade castradora de liberdades, criadora de exclusão social, não entregando ao homem meios de libertação e responsabilização mas sim de opressão e castração e que moral teêm os criadores de morais? Que ao longo do processo histórico são desmentidos e postos em causa, nunca se importando que alem da humildade as desculpas evitam-se, não se criam pretextos para atingir fins onde mais sedo ou mais tarde vão pedir desculpas. Onde nos podemos questionar se a moral e a melhor forma de responsabilizar o homem pela liberdade que tem liberdade que leva há divinização do próprio homem que o torna responsável, não moralista, acho que vivemos numa sociedade em que se gosta mais de atirar pedras uns aos outros que construir, mas todos sempre teem uma pedra há mão pois é a forma mais facil de se demarcarem, onde me questiono sobre o sentimentode Amor, que parece cada vez mais raro onde o egoísmo das dores individuais se sobrepoem ao próprio individualismo, se outróra a tragédia era familiar esta falta de amor tornou a tragédia numa dimensão mundial em que divisões e egoísmos (económicos, sexuais, religiosos, etc.) são responsáveis pelo futuro, do próprio homem .

Onde através da lógica somos catapultados para o universo e uma maior responsabilização do cosmos que a lógica nos permite a descobrir, e através do jogo do saber , chegar a ser deuses menores irresponsáveis, torna-se engraçado ver já nesta mentalidade a ideia se super-homem, que se torna presente com o surgimento da lógica onde muitos anos mais tarde, nesse retorno a Grécia regresso a Tragédia, Nietzsche, voltar a posicionar o homem numa dimensão divina, espinho Socrático renascendo; o mito do super-homem (que tantas vezes tem sido mal interpretado) e por tantos aproveitado para criar diferenças. Super-homem não de capa vermelha voador mas nas asas do pensamento onde a logica o posiciona ou melhor o responsabiliza não o tornando um super homem mas um ser divino, divino que o torna responsável por tudo e todos.

Onde não é a uniformização mas sim a diversidade a chave do futuro, olhando o nascer do sol embriagado nos seus pensamentos para um novo renascer, onde diversidade, igualdade, liberdade, fraternidade, amor e paz devem ser os novos ideais no ser humano. Sempre é tempo de renascer, e sempre é tempo para a paz. Uma fronteira não pode ser barreira mas atracção para se dar a conhecer e ensinar, uma língua sempre tem uma expressão que é esse pequeno Q significado que só nela esta significaste.

Filhos há pancada em mandar é das tragédias mais estúpidas nas famílias, em vez de dignificar torna os envolvidos menos dignos das posições que ocupam.

Sobre este tema voltarei quando expuser o texto da alegoria da batata, onde terei que fazer muitos desenhos a computador e experimentar a tecnologia , tecnologia é ferramenta que nos permite chegar a fins mais depressa. Por trás da tecnologia esta sempre o milagre da lógica humana.

Mas o que me interessa agora é a ideia de jogo como produto da lógica de uma sociedade de cidades, de cultura em que a ideia de jogo Olímpico permite a entrada do homem no Olimpo dos deuses tornando a competição entre homens algo de sagrado envolto por uma atmosfera de paz onde não tem cabimento a guerra como era defendido na sociedade grega primitiva. E se o jogo reflecte um sentido de igualdade entre pares democrática o próprio jogo reflecte um lado sagrado celebrando o homem no seu esplendor elevando-o a potência ao quadrado ao seu cosmos interior projectada para o mundo que o rodeia, aspiração ao infinito tornando o herói através da competição, pois o jogo eleva o humano também ao divino, através da memória que cria no homem, o jogo reflecte o homem e a sua necessidade em se superar, o atleta sobe ao pedestal de ídolo, referencias, modelos, dando ai uma nova imagens para uma cultura, onde o físico e a estratégia (lógica no jogo) Uma cultura e educação física andam de mãos dadas, onde o físico serve de pretexto para a roupa por sua vez a moda e não o inverso. Ai sim surge o exemplo do físico a seguir, não do cabide que serve de modelo. A roupa pode ser um produto estético um cabide é um mero suporte dessa estética nunca modelo de estéticas. O modelo é o corpo humano na sua dimensão mais vasta a estética deve abranger essa pluralidade. Se há que ter modelos para corpos então olhemos para os atletas esses utilizam o corpo maquina e mente que leva a fins, a medalha é o maior triunfo para o atleta, triunfo individual que se projecta no colectivo e ai sim deve servir de referencia. E toda a linguagem de marketing onde se vendem modelos para consumo de adolescentes em fase da sua estruturação mental, onde o jogo como acto de demonstração física para se chegar ao Olimpo dos melhores[13] nesta sociedade e esses devem ser a referencia não os cabides dos guarda-fatos. Onde a regra é ir mais alem dentro da limitação a que estamos votados dentro deste mesmo corpo o ir mais alem e o homem superar-se, superar quer dizer aumentar a fasquia.

Mas os jogos olímpicos da era moderna alem de elevarem o homem a um estatuto divino, entrando numa cultura Pop de marketing, tornou-se reflexo de políticas de nacionalismos, em que o jogo se torna político, e ainda mais perigoso nacionalista onde são defendidos nacionalismo e não uma ideia de humanidade como um todo, reflectindo não o desporto mas a política do países, bem como de toda uma mentalidade capitalista associada ao jogo, onde a cada jogo são discutidas estratégias de linguagem, vendas, lucros, interesses económicos, e num segundo plano o humano.

Se o ressurgir dos jogos olímpicos como por base celebrar o humano basta olhar para o significado da bandeira dos jogos olímpicos, depressa os jogos se tornaram em escudos de políticas, ideologias onde o lado humano dos jogos deixou de ser pretexto de união aparecendo teorias, raciais, políticas, boicotes, disputas numéricas de medalhas entre países em vez da celebração do homem na sua dimensão corpórea, e como o próprio corpo dentro da sua limitação deixou de ser aceite apareceu o doping, transfusões, drogas, etc. ... E os jogos em vês de unir serviam para fazer pressão, reflexo de uma capacidade onde a própria limitação de corpo não é aceite.

Mas os jogos olímpicos agora assumiram um papel que eu ando estúpido onde liberdade é posta em causa, segundo parece vai ser proibido dar beijos (calculo que seja boato), os jornalistas vão estar condicionados, entre tantas outras coisas que não vou enumerar, que mais parecem ficção de poderes de pés de barro, geradores de interesses onde o humano é sempre posto em causa.

Num pais que tenta vender uma imagem não assumindo a sua realidade onde trabalho precário, condições de vida, onde a vida humana não é valorizada, a mulher é descriminada em relação ao homem reflectindo-se numa política de natalidade discriminatória em que o conceito de vida é posta em causa onde se privilegia o sexo masculino, liberdade é posta em causa a todos o níveis, mesmo a nível religioso onde a religião deve ser uma aspiração individual e não uma teoria de políticas de estados. Estados que defendem o direito em ocupar territórios como reflexos de ideologias que já demostraram que não servem nem para a economia como para a vida em sociedade onde castração física e intelectual é base ideológica em que o social nunca parece ter existido e sempre foi pretexto.

Também ouvi dizer na televisão que proibiram a reencarnação, facto que parece irónico pois se não acreditam os dirigentes políticos na reencarnação porque a proíbem, ou será um acto falhado das suas mentes, provas de que alem de falharem no resto são detentores de mentes falhadas?

Defenderem uma política de ocupação territorial baseada no ridículo, leva-me a questionar por onde andara o mundo, ou se este mundo é mais para uns espezinhando os outros. Será que desenvolvimento industrial passa por em causa o consumidor, pelo trabalho mal remunerado, condições precárias que nada dignificam o ser humano? Será isso desenvolvimento industrial? Ou um nacionalismo que põem em causa os seus cidadãos? Já sabemos que a cultura foi posta em causa há muito como pretexto de revolução que não passou de frustração? E vemos uma industria ordem utiliza o mercúrio nas tintas dos brinquedos das crianças que são o futuro, onde qualidade e normas internacionais estão constantemente a ser desrespeitadas, onde cada camisola representa uma política esclavagista criando uma imposição de preços miragem para consumidores quem não pode comprar criando ciclos viciosos na aquisição. [Por exemplo: devido a necessidade de uma cuecas colocamos a própria ideologia em causa uma cueca no chinês custa 2euros, e respondo por min vivo com 200 Euros por mês e lá vou eu comprar ao chinês só boxer e quando dispo as calças dizem sempre que boxer fixe tu tens, deviam te ter custado uma fortuna, e faço um brilharete, só com o despir das calças ainda faço mais com o resto que não é de compra, (há ... para os que acham que eu saio pouco, com este capital a onde posso ir? E já muito faço eu, deixei de pintar pois acumulava e só dando os queriam e só tinha prejuízo, o mais engraçado é que dizem o teu trabalho é bom mas porque não compram? Mas, vou fazendo a ritmo de aniversários, economia nas prenda, lolol, mas sinto-me feliz, neste momento na minha existência por muito estranho que pareça a palavra dor não existe, talvez seja por isso que me acham tão estranho)], parece ser a base de produção e viciação comercial, onde a necessidade leva a manutenção de sistemas. Se o símbolo CE é um símbolo de garantia dos produtos europeus que passam por uma fiscalização cerrada porque esse símbolo esta a ser utilizado por um pais que não garante as qualidades exigidas pela Europa, Porque esses produtos não são vistoriados nas alfândegas e colocada ai sim uma etiqueta codificada que possa localizar produtos quando estes tem problemas, se somos assim tão tecnológicos porque não se aplica a tecnologia. Fala-se tanto de desenvolvimento comercial acho que a china deveria ser proibida em utilizas o símbolo CE, E repensar-se de novo as garantias de qualidade exigidas pela Europa se os nossos produtos saem mais caros devido a essa garantia de qualidade em que o símbolo equivale a qualidade de uma determinada região planetária porque esta a ser usada por outros. Se isso não acontece que se informe os cidadãos que o símbolo CE não garante qualidade. Essa qualidade deve ser reflectida tanto na qualidade do produto como na confecção, eu não gostaria de estar a comprar algo e a contribuir para a exploração infantil, políticas esclavagistas laborais, etc. ...

Sistemas que pouco se devem interessar com o futuro pois não olham para uma política onde ecologia e meio ambiente não são respeitadas. O ser humano não é respeitado, etc. .....

E para que servem os jogos? Mostrar uma arquitectura e um urbanismo que põe em causa o meio ambiente, onde crescimento e sinónimo de desrespeito do meio ambiente, sirvindo para mostrar um poder, que o smogue existente na cidade contradiz, será que a maratona vai ser realizada com garrafas de oxigénio?

Surgindo uma ideia de jogo de imposição.

Será que há algum atleta crente ou não crente de um Deus maior a participar nuns jogos que põem em causa a essência de jogo e de humano, mas que acreditem num conceito de humanidade que não se reflecte num estado com pés de barro. E não se sinta marginalizado e lesionado no que há mais de intimo do seu ser que é o divino na sua existência?

Sem falar dos desfiles militares que vão garantir a defesa dos jogos tendo o terrorismo como pano de fundo mas que servem para se voltar a desenvolver um poderio armamentistico onde o comercio de armas utiliza os jogos para publicitar as novas armas que vão defender os atletas em que tudo é pretexto para o desenvolvimento dessa política onde guerra parece a massa cinzenta de um cérebro reptiliano que não sabe ver mais alem do que uma política apoiada na guerra e no armamento, sendo exemplos de uma política jurássica onde o reptil imperava.

Onde parece que a própria política de terror é mais proveitosa para o comercio de armas mais do que a sua abolição.

Claro que devido aos tempos que correm o terrorismo é uma realidade, e os próprios jogos já tiveram experiência disso, a comitiva israelita pós Munique 1972 é a mais protegida que pós 1973 o governo israelita tem uma política proteccionista em relação aos seus atletas devido ao sucedido que é justificável essa protecção.

Existem espertos a nível de terrorismo e de como se movimentam e estratégias, mas venderem-me um sistema de protecção por mísseis de longo alcance para defender os jogos olímpicos de inverno parece-me contraditório, ou há outra coisa por de trás.

Só espero que não provoquem um atentado e depois digam que são terroristas onde Alkeda já serve de desculpa para tudo.

Acho que durante os jogos os grupos terroristas deviam utilizar os jogos para defenderem uma política de não terror e anunciarem o não haver atentados abrindo a porta para um novo dialogo entre povos e com essa atitude ate poriam certas políticas em causa, já que é mais que evidente políticas de olho por olho dente por dente não servem para nada a não ser para acimentar uma política de ódio entre povos, morte pede morte, leva há vingança criando um ciclo vicioso que não leva a nenhum lugar simplesmente há degradação do ser humano, viver numa sociedade que se diz evoluída deve corresponder a uma evolução mental não ao obscurantismo ideológico, o ser humano deve caminhar mentalmente para uma harmonia com o ser do planeta, o que interessa viver numa aldeia global quando a base da convivência é a inveja o egoísmo a falta de compaixão, em vez de se olhar para a vastidão olhamos para o umbigo, onde a interculturalidade deveria unir os povos trocar ideias elevar a novos passos. Vivemos em sociedades ditas evoluídas, onde a mentalidade deveria acompanhar a evolução tecnológica, aproximando. Torna-se chocante determinadas atitudes políticas numa época onde se torna visível determinadas catástrofes ambientais, provocada pela exploração desenfreada do planeta onde não se tem em conta o futuro do próprio planeta, onde a irresponsabilidade das atitudes políticas deveriam ser julgadas pos é o homem na sua existência que é posto em causa, e os países polidores deveriam ser responsabilizados pela subida de temperatura que põem em causa ditos países terceiro mundistas, sofrendo as consequências dessas transformações climáticas, onde esta a ajuda para as Honduras, Nicarágua, Guatemala, Jamaica, Haiti, etc. ... Acaso a tragédia deles não e talvez pior do que a de New Orliães? Quando vemos que os meios de comunicação se ocupam mais com o desaparecimento de uma criança ( e perdoem-me a forma um pouco insensível de falar do assunto) onde se fazem debates e mais debates sobre o que terá acontecido e tragédias climáticas mal levantam interrogações, promovem-se debates sobre processos de investigação e nunca foram questionadas posicionamentos educativos, utilização dos meios de comunicação onde os meios de comunicação talvez devido há falta de assunto ou de visão vira mais sensacionalista que informativa, onde não se questiona a relação de tragédia individual tornada colectiva, isto parece mais uma adaptação de tragédia grega com visão shakespeariana adaptada a uma sociedade de comunicação global, acho que Sófocles e Shakespeare, por muita imaginação ou forma de ver a condição humana perante isto ficariam surpreendidos ao ponto que isto chegou. Será que por exemplo, 20 crianças mortas valem menos que o desaparecimento de uma? Desculpem mas não entendo e não quero parecer insensível, mas estas atitudes na comunicação deixam-me perplexo, será que o ser humano se esta a tornar numa paixão inútil? E assim vai o jornalismo ou o sensacionalisno que deveria vir a debate.

E vemos aparecer uma estrema direita em países de leste que não gosta de emigrantes que trabalha onde essa estrema direita não quer trabalhar pois sente-se superior que me leva a questionar quem poderá estar por detrás dessas mentalidade extremista, servindo-se da comunicação para passar uma imagem de que nesses países se liquida ou encena que liquida emigrantes, associando assim ideologias onde temor e terror são armas de intimidação, onde são pateados homossexuais quando reivindicam direitos quando pediram autorização as manifestações onde a força de ordem ou fica impávida ou decide cargar sobre os manifestantes em vez de os proteger no seu direito de se manifestar mostrando ao mundo a forma de como tratam grupos minoritários, e a forma como lidam com minorias, , num pais onde desfiles e manifestações faziam parte de um direito desse passado recente que parece mais uma encenação a grande escala, mas a linguagem de como estes casos chegam ao ocidente e da forma como são utilizada servem para reflectir, se por um lado denunciam por outro dizem-nos tenham cautela, estamos a ir por aqui. Mas a noticia que li mais engraçado é o desenvolvimento de um míssil para os possíveis atentados dos jogos olímpicos de inverno, tendo o terrorismo como inimigo, mas a meu ver o que justifica tal argumento é a comercialização deste novo tipo de mísseis, contribuir com uma maior instabilidade internacional, uma política bélica recordando um passado recente que me leva a perguntar mas afinal o que se pretende com tudo isto? Há parece que o comercio armamentistico é mais importante que a vida humana. Será? Será que esses dirigentes defendem que futuro? O extermínio do ser Humano num planeta, onde esta o intelecto no meio de tanta política reptiliana ou não conseguem dar o passo para o futuro? As vezes pergunto-me se essas pessoas não pensão no futuro dos seus filhos. Será que a máfia já controla de tal forma a economia que o único controlo que lhes resta é uma política de armamento bem como uma política psicológica baseados em tratados focilizados das experiência da guerra fria? E assim vai o mundo. E ainda nos chamamos civilizados.

E como desculpa os jogos Olímpicos no meio de interesses, neste sentido apelo a todos os participantes dos jogos que não estejam de acordo seguindo o exemplo do passado em forma de reivindicação façam como fizeram os atletas de cor que perante as políticas do Raiche levantaram o punho como sinal da sua existência e contestação a uma política em que põe a vida e do ser humano em causa bem como os ideais dos jogos, onde diversidade, igualdade, liberdade, fraternidade, amor e paz ; devem ser a justificação dos jogos por isso o pódio deve servir como posicionamento desse atleta alem da sua glorificação pela gloria atlética atingida neste sentido o levantar o punho é sinal de inconformidade. Os jogos olímpicos primeiro glorificam o atleta depois donde esse atleta é originário Os atletas também deviam protestar da forma em que as escolhas são feitas para a realização dos jogos e levantar a mão de punho fechado sempre foi símbolo de protesto calado. E como vivemos em tempos que devemos intervir apelo que dentro da liberdade de consciência de cada atleta o pódio sirva para protestar em que o punho levantado com uma luva de qualquer cor sirva como grito silencioso por uma humanidade melhor. Para levantar um novo despertar nas consciências. A época de jogos devia ser uma época onde a paz deveria ser falada e defendida, existem mais pontos de união no ser humano que de divisão.

Todas as guerras foram infernos, e a ideia de guerra é a ideia mais primitiva duma mentalidade presa a uma forma de pensas arcaica, as mentalidade evoluem e reformulam o homem posicionando-o no mundo, a continua aposta numa políticas armamentistica serve simplesmente para manter uma industria e uma economia apoiada na diferença, nestas polípticas onde existe o sentido de Humano? Acaso o homem não esta todo junto na mesma existência? Ou por que razão há uns mais que outros? Apoiados em que teorias da diferenciação? Se em determinados pontos evoluímos noutros tornamo-nos em seres de que o futuro pouco se pode orgulhar. O mais engraçado é que utilizam o nome de Deus para fins, onde o Divino não se orgulha nada cometendo as maiores blasfémias de ambas as partes. Perguntando-me se os senhores políticos não tem remorsos, ou será que as ideias de paraíso iram ser compridas? Acho bem que não. Por onde anda o Amor? Ou será o ódio o amor contemporâneo, ainda é tempo de mudar. Quem avisa amigo é.

E preciso despertar. Abrir os olhos já que somos deparado com a realidade que criamos seria a melhor forma de se verem os problemas. Ou vivemos na cegueira do vicio que criamos e nos condiciona a mentalidade?

Como estamos como sociedade para onde vamos?

Sonham com cosmos e colonizações quando as leis elementares das harmonias não são entendidas, vil condena nos condena o homem, onde responsabilidade equivale a destruição perversão, desrespeito.

Em vês de se discutir o futuro discutem-se armas e divisões.

Esta arca celeste já mete agua por todo o canto, entregue nas mãos de quem não merece respeito sendo eles quem forem políticos, terroristas, comerciantes, vendilhões, religiosos, ... vitimas, agressores, que respeito merece um ser que nem entre ele se dá ao respeito. Acaso a liberdade não implica responsabilidade?

Ou somos escravos de nós mesmos?

Se somos escravos rompamos com os agrilhoes, e esperança é sempre a ultima a morrer, mas para esta vencer deve-se descobrir o Amor. E para voltar a haver Amor vamos ter de nos redescobrir, dialogar e ver que quem esta a minha frente também é igual a min nesta existência colectiva que nos condena. Condena que pode ser um novo passo para a libertação e para a mudança.

Por muito avançada que ande a tecnologia, o ser humano tornou-se numa paixão inútil, pela forma de como se cria e reformula. Ou criamos uma sociedade apoiada num sistema vicioso que a condena? Será a economia mais importante que o humano?

Eu não vivo sego para a desarrumação do meu apartamento, dou-me conta de como esta e quanto mais tardo em arrumar mais difícil se torna, e depois entra um factor preponderante força de vontade e querer para se começar e começando até é fácil, o engraçado é que o ser humano vive num mundo ainda mais desarrumado que o meu apartamento, e o curioso é que não vê.

Existem tantas formas de falar das coisas a linguagem é tão infinita.

A mudança tem de ser colectiva não em função de economias.

Ainda é tempo para começar.

Linux e a escola:

Sistema operativo(s) que circula livremente na rede (Internet) e desenvolve programas abertos assentes numa filosofia de não é por motivos económicos em comprar programas que as pessoas que queiram trabalhar com um programa não tenham acesso a ele.

Ideia que me agrada imenso, quando cheguei a Escola Soares dos Reis verifiquei que o sistema operativo em vigor era o linux numa das suas versões, praticamente só o utilizei para navegar, pois não tive acesso a outros computadores que não fossem os da biblioteca, e do choque tecnológico tão apregoado pelo poder político por muito que metesse os dedos no sistema choque não apanhei nenhum.

Mas lá tentei fazer tentativas em programas vectoriais e de tratamento de imagem em programas livres e quando não sabes o B, A, BA o experimentalismo é a fermenta mais pratica para a descoberta, outra coisa que verifiquei é que as próprias pessoas encarregadas pela informática e pelas áreas tecnológicas não acreditavam no próprio Linux já viciados por outros sistemas operativos, e nada melhor para expandir um programa e adapta-los as necessidades de projectos relacionados com determinadas áreas em que esses problemas são fundamentais pois ao estar-se em contacto directo com as exigências do trabalho prático tem-se uma visão das carências desses programas e como melhora-los, adaptar e ampliar.

O próprio sistema permite que descarreguemos da rede novas ferramentas ou que desenvolvamos ferramentas para as necessidades colocando-as também ao alcance da comunidade que trabalha com estes programas. E seria interessante toda a comunidade escolar desenvolver, adaptar programas as suas exigências, posicionando-a através da diferença num mercado cada vez mais exigente criando assim um posicionamento, e um lado inovador.

Mas para isso, e já que estamos numa escola e existem pessoas que se dizem informáticos que essas pessoas adaptem os estudantes ao programa que pretendem por em prática, e não desenvolverem uma atitude um pouco autista em relação as pessoas que ate querem aprender.

E como não se introduzem as pessoas ao sistema claro que não o podem dominar, criando uma atitude de repulsa pelo próprio sistema.

Por ex. descarrego umas ferramentas para necessidades no tratamento de imagem mas não posso inclui-las no programa pois necessito de códigos de acesso que não são fornecidos.

Mas como posso adaptar e desenvolver um programa de acesso livre quando as pessoas que dirigem o projecto parece que não acreditam nele, ate parece que tem lucros ao fomentar programas comerciais que se impoem como os best a nivel operativo. E quando o posicionamento é este: pergunto onde posso utilizar determinado programas pois quero trabalhar determináda imagem para apresentar um programa e respondem-te compre-o custa 600 Euros, quando a escola até tem o programa, acho que as atitudes pedagógicas de quem dá tal resposta deixa muito a desejar, podia alegar que estão ocupados os referidos programas ou devido há utilização do Linux os alunos deveriam frequentar cursos de aprendizagem ou adaptação aos sistemas operativos defendidos pela escola, e já que estou numa escola a própria escola deve ver a informática para o desenvolvimento potencial dos seus formandos tornando maior o leque na aprendizagem não se focalizando só em programas de industrias que se impõem deixando outros sistemas operativos com dificuldade em se afirmar onde parece que vincula a escola a sistemas privados económicos e informáticos, põem em causa pedagogias desenvolvidas que parece que deixam muito a desejar, ou internamente existe um sistema discriminatório já que só permitem o uso de certos recursos a alguns indivíduos pondo em causa o próprio sistema publico em que estas inserido o ensino e o acesso a educação.

Quando a escola pode marcar a diferença e ser um polo de inovação, e abertura de horizontes, são atitudes destas que me custam a entender.

Mas a polémica pode ir mais alem, onde se tenta fomentar determinado arduer, que tem de ser importado quando a própria economia esta paupérrima não fomentando o uso do nacional bem como o ser desenvolvimento e adaptação aos requisitos dos utilizadores. Ou a criatividade artística depende do aparelho, o aparelho deve ser visto como ferramenta? Ou o importante é que as coisas funcionem se o funcionamento dos aparelhos tem a ver com o seu aspecto será que o pais não tem técnicos que desenvolvam esse embelezamento, então para que servem as escolas? Será que os desenhadores que concebem formas não são capazes de reformular desenhos e formas de objectos tornando os objectos nos quais trabalham competitivos, ou será por gostarem tanto das formas dos computaores que utilizam não os permite ir mais alem devido a veneração diária que fazem a concepção desse objecto, onde o contrário devia ser regra caímos na habituação da conformidade. Por onde anda a inovação? A interdisciplinaridade? Ou será que o estarem em permanente contacto com objectos não os permite ir mais alem? Competir, inovar, iria tornar os produtos com uma nova afirmação no mercado. Tornando os produtos nacionais mais competitivos, se sabemos como são e quais as vantagens porque não tentar ir mais alem? Praticar-se o conformismo a nível industrial e económico é estagnar. Acima de tudo limitar Horizontes. E limitar horizontes em idades que deviam ser abrir tendo como pretexto ferramentas de utilização dá que pensar.

E assim vai o ensino em Portugal.

Ensino artístico a minha experiência.

No ano de 2006 decidi frequentar uma escola artística, e frequentar um curso geral de artes visuais, a experiência como experiência saiu-me negativa, e muito, se queria contactar com novos sistemas operativos pondo-os em causa bem como sistemas de programação, softuer, etc. tentando perspectivar saídas. Depressa vi que o ensino artístico se encontrava viciado em pedagogias e na descoberta de pedagogias.

Uma coisa que sempre soube é que um professor só é chamado professor se tiver pupilos e ensinar ajudar a evoluir esses pupilos. Se o aluno não existir pode ser um intelectual, uma mente preocupada, interventiva, critica, mas não é professor.

Depurei-me com muitos bons professores por quem tenho grande estima, e deu-me muito prazer frequentar as suas aulas, considero-me uma mente que gosta de aprender, e aberta bastante aberta.

Mas fui deparado com uma disciplina que deveria ser o centro e núcleo de toda a aprendizagem nessa are que eram as oficinas, oficinas que deveria reflectir todo um lado prático exposto nas outras disciplinas onde interdiscilinaridade deveria andar de mãos dadas senão a coisa torna-se repetitiva maçuda e pouco atraente.

O certo é que me tentei aplicar dentro do ensino secundário que deve criar bases, ensinar técnicas, aguçar a curiosidade a certas questões, e deparo-me com colegas desmotivados, com vontade de aprender, e com um professor que não estimulava nada, onde as queixas eram gerais, dos colegas que tive ouvi queixas de todos, mas lá trabalhei, mas só tive nota há unidade que não trabalhei nada que foi a primeira que fiz com ele estudos pessoais de adaptação, fiz um teste e deram-me a nota, nas unidades que se seguiram trabalhei mais até do que era pedido alem de desenvolver conceitos estéticos pessoais requesto que não era muito pedido mas a meu ver esta intimamente ligado com o acto criativo.

Na apresentação desse primeiro grupo de trabalho sobre o movimento desenvolvi um projecto deu um candeeiro em que o abajur era a estilização do movimento de uma mosca no espaço há volta de uma lâmpada, uma prova de contacto de uma serie fotografica sobre o movimento com o nome do Café ao W.C. onde por imagem expunha o que se passava no trajecto do estar em determinado espaço beber um café e reflectir na imagem o movimento o espaço em meu entorno e do percurso que fiz e depois o esvaziar o liquido no W.C.

O terceiro era a execução de um outro projecto fotografico onde jogava com os tempos e a exposição realizando fotografias dos mesmos espaços em alturas diferentes e revelando esses vários olhares num único fotograma revelado usando quatro fotogramas em momentos diferentes utilizando diferentes aberturas e diferentes velocidades na captação da imagem, o resultado ate foi interessante e surpreendente, poderia ter sido melhor mas como pedi para utilizar o laboratório de fotografia da escola, donde obtive a resposta de que seria impossível por parte do professor, lá os revelei na banheira, mas apresentei.

O quarto trabalho dividido em duas partes feito em slaid para ser projectado captava o meu percurso ao ir para a escola e o trajecto que efectuava, variando a angulação do ponto de vista, na primeira fazia fiz fotografias em que captava sempre o elemento céu e o entorno pelo qual passava, no segundo captava sempre o solo, passeio, estrada, onde o mesmo percurso e os mesmos momentos de captar a imagem pareciam diferentes mas eram feitos do mesmo sitio. E quando foi a apresentação disse ao professor que iria de precisar um projector para expor as imagens a resposta que obtive foi a escola já não se usa projectores e nem demonstrou interesse em ver o conteúdo nem a proposta.

O quinto trabalho era um trabalho colorido sobre movimento de linhas coloridas feito em acrílico sobre papel em que procurava obter através da ondulação e diversidade cromática o efeito de movimento.

E disse agora professor quero fazer o teste e disse como apresentou estes trabalhos vou tirar fotocopias e com o relatório fica a unidade feita. Tirou fotocopias incluso ofereceu uma copia de tudo o que fotocopiou e comecei a dedicar-me há unidade seguinte sobre a cor.

E nesta 6ª unidade fiz 200 auto-retratos utilizando o linóleo e imprimindo-a de forma caseira pois foi-me dito que a escola não tinha uma prensa, mas estava a desenvolver o projecto e isso era o de menos.

Apoiando-me nos estudo da cor e nas teorias de contrastes possíveis segundo Johannes Itten. Desenvolvendo as pociveis variaveis.

Apresentei o trabalho, ficando o professor com uns 30 trab. para calcificar bem como o relatório. E como desenvolvi tal trabalho fica dispensado do teste. O engraçado é que quase toda a escola teve conhecimento destes trabalhos. Pois antes de os apresentar ao prof. Mostrei-os a quase todos os professores da escola pois gosto de ouvir comentários sob o trabalho, e acima de tudo mostrar.

A 7ª unidade apresentava o meu trabalho final convidando vários professores para assistir há apresentação do projecto Dar o corpo e a alma ao manifesto, em que desenvolvia o conceito de hapening forma de expressão que eu considero das mais difíceis pois o artista passa a pertencer há própria linguagem e dás-se aos outros expondo-se.

Terminadas as aulas verifiquei que o professor não me deu notas, espantado tentei saber porque e alegaram que não fiz os trabalhos. Ainda bem que sou calmo, devia partir era a escola toda. Andei a trabalhar para quê? O engraçado é que o professor abria a porta desaparecia ficava-mos na sala sozinhos e ia para a sala dos professores utilizar os computadores descarregando musica etc. e se queríamos algo andávamos há sua procura, mas isto era presenciado por toda a turma.

Ele recebeu o salário fez o que quis em seu proveito pouco se importou dos alunos e no fim ou perdeu ou sei lá, quem ficou com a disciplina por fazer fui eu, por muito que reclamasse o professor estava incontatavel, quando devia estar na escola, se quer ter a disciplina feita vou a exame.

Agora digam-me onde esta a pedagogia, e o conceito de escola.

E pelos jornais descubro que um grupo de professores não quer ir para concursos pois já dá aulas na escola a mais de 10 anos ou há 10 anos, bem para manter professores destes acho que deviam fazer exames de demissão aos professores por uma entidade independente sobre pedagogia bem como da disciplina a que vão leccionar pois com o exemplo que tive foi mais que imcompetenci parecia mais esturquir o estado utilizando o direito de estatuto que ocupa numa escola, e se o estado contrata então que seleccione os melhores, é do futuro e formação que estamos a falar, ou são de tachos, acomodações? Já sei que isto parece a republica do mama, mas tão explicito parecem mais “chupa cabras mexicanas”.

E éramos uns 6 alunos que assistíamos as aulas assiduamente.

E assim vai a educação. Esta foi uma experiência com que convivi joguinhos de interesses e compadrio, e ainda me vem com atitudes anti reforma educativa etc. então quem não esta bem que se mude e dê lugar a outros ou a quem queira trabalhar, e eu sou aluno e quero aprender.

O engraçado é que ouve elementos que estavam na manifestação passada na televisão do grupo estudantil que já nem há escola pertenciam pois tinham acabado já o ano lectivo no ano transacto. Podem ser namoradas de alunos ou namorados mas quem mobilizou os alunos para defender a incompetência dos professores? Ou os tachos? Compadre chama compadre? E em época de ferias não estou a ver tal mobilização estudantil se não fosse promovida por professores.

E se não havia dinheiro para fotocopias, já houve para as bandeiras?

Apelo há Justiça mais nada.

Eu cheguei a pedir o livro de reclamações na secretaria e foi-me dito que para escrever ou expor o caso que não tem a ver ao que expus anteriormente mas outro , tinha de pedir autorização ao conselho directivo para utilizar o livro de reclamações. E desisti passar da escola e sair, pois com atitudes destas , não vale a pena.

Acho que também não vale a pena, reforma e já com selecção.

Paludismo ou Malária

Nasci numa terra em que o paludismo era uma realidade embora durante esse período embora muitos problemas tive de saúde por sorte nunca tive paludismo ou malária, anos depois regressei a África e na ultima viajem que tive uma fêmea mosquito glutona e enamorada em época de ovulação voando andava nas suas picadas pela sobrevivência e propagação da sua espécie em terra que propicia era para criar ninhadas em charcos moribundos resquícios de chuvadas.

Mas esta fêmea vampiresca vivia numa laguna onde melhor podia por ovos e muitas ninhadas.

Regressei a Portugal depois da viagem e uma semana depois tinha todos os sintomas da doença, possuía um quite de analises rápido que me permitia fazer dois testes e mal fiz o teste minutos depois fui ao hospital pois seria melhor pois tinha paludismo, comigo levei o tratamento que decidi não tomar sem falar com o médico, na altura o medicamento era composto por três comprimidos que deviam ser tomados em três tomas durante três dias de seu nome Alfan.

No hospital decidiram tornar a fazer as analises para confirmação ou despiste de probalidade, e ao fim de algum tempo umas 2 horas foi-me confirmado positivo ao paludismo que não era novidade, pois já sabia, mas entendo perfeitamente os tramites, hospitalares.

O ser-me confirmado o Paludismo acarretou a surpresa de ter de ser transferido para um hospital de infecto-contagiosos, O hospital chamava-se Joaquim Urbano, fui transferido de ambulância e cheguei já passavam das 21horas, quando sai da ambulância uma enfermeira assinou os tramites burocráticos e passei a ser doente do hospital, ela olhando para min, e com um olhar intrigado disse:

- Sabe este hospital não é muito do seu género ou para si.

Mas como já estava com febre e não tinha cabeça para interrogações ou questões fiquei calado. Fui levado para uma camarata e devido há falta de vagas fui colocado ao lado de um outro doente numa espécie de compartimento meio envidraçado.

Ela aproximando-se de min perguntou:

- Tens algum objecto de valor?... dinheiro?

Ao qual respondi:

- Não .... não tenho... só tenho o telemóvel.

- Olha se não queres que te desapareça dorme com ele debaixo da almofada, aqui é normal que desapareçam coisas.

Vais ter de ter cuidado. Amanha o medico vem ver-te. Dentro de pouco vão ser apagadas as luzes e a porta do corredor é fechada há chave se precisares de algo tens essa maçaneta para chamares alguém. Dorme bem e boa noite amanha de certeza que vamos voltar a ver.

E saiu do compartimento.

Do tempo que ainda ouve de luz o tentei ver o que me rodeava e o hospital parecia estranho, antigo, com um ambiente que não conseguia perceber bem, a outra pessoa que estava comigo no compartimento tossiu e olhando na sua direcção verifiquei que estava acordado e que aquela tosse não era para chamar a minha atenção mas sim porque tinha vontade de tossir. Apresentei-me e estendi a mão ao qual respondeu com um abanar de cabeça e nem o seu nome pronunciou, virando-se friamente para o lado, e as suas costas ficaram a ser a única coisa visível, monte quente coberto por um lençol frio todo amarrotado que tapava completamente.

A enfermeira voltou a aparecer e disse-me:

- Reparei que não trazias nada e trago-te um pijama.

Peguei nele e saiu dizendo:

- Boa noite, ate amanha, dentro de pouco vou desligar a luz despacha-te.

Despi-me, o pijama era como os que usava o meu pai, e depois de apertar os botões deitei-me na cama, e o meu corpo tremia e sentia que a febre tomava conta de min, e os meus poros começavam a libertar suor. Ainda pensei tomar o Alfan mas decidi esperar pelo medico, que viria de manha.

As lâmpadas foram apagadas, coloquei o telemóvel em silêncio e coloquei-o por de baixo da almofada.

A meio da noite comecei a ter frio, e passado um momento não parava de tremer, e todo o meu corpo começou a libertar suor que me encharcava, e um ferio estranho tomou conta de min, batia o dente e estávamos numa noite quente de verão que se anunciava gélida solitária e só minha.

A determinada altura não aguentando os tremores o ferio e os lençóis pois tinham-se convertido num charco, mais quente que o meu corpo frio mas incomodo decidi tocar na campainha, voltei a tocar, e passado um pouco um som de fechadura percorria todo o espaço da ala, as luzes foram acesas e o ruído de uns chinelos de sola dura ecoavam pelo corredor parando na porta do cubículo onde estava abrindo a porta num chilrear fino e agudo e uma foz fez-se anunciar com uma pergunta:

- O que se passa?

- Tenho frio.... muito frio. E nesse momento dei-me conta que era dificil falar pois tremia todo.

- Ela disse olhe que esta um calor, a noite esta tão quente.

Olhei-a, e nesse instante ela própria deu-se conta que se passava algo de estranho, aproximou-se e disse:

- Deve estar cheio de febre.

Aproximando-se coloca a mão no lençol e deu-se conta que estava molhado, observando-me melhor viu que o pijama e tudo o que era pano estava empapado. E com um ar de que se passava algo disse:

- Vou buscar um termómetro, roupa seca e agua.

Saindo a pressa fazendo o seu ruído ecoar ainda mais no espaço devido a avidez do seu caminhar que provocava uma maior intensidade do som. Reapareceu com tudo o que disse que ia buscar deu-me o termómetro para eu por debaixo do braço, mandou-me sair da cama para poder mudar os lençóis esclamando de vez em quando:

- Isto esta tudo encharcado, isso é que foi soar, ainda bem que também trouxe outro pijama para poder trocar esse, depois vai ter de beber água, muita água, pois esta a perder muita água.

Depois de ter feito a cama disse:

- Dá-me o termómetro pois já deve estar, para ver a temperatura, e muda esse pijama que esta todo molhado.

Dei-lhe o termómetro e colocando-me mais perto da cama de forma que ela ficasse de costas para min fui desapertando o pijama. Entretanto vira-se e com um ar de espanto roçando uma certa preocupação balbucia primeiro num tom baixo e subindo o ton:

- Sabe... você ..... sabe... vou ter de lhe dar algo e o medico só vai poder vir ca amanha e .... sabe pode tomar paracetamol... é que esta com .... com 42 graus você esta com a febre muito alta. Vou la dentro pois vou ter de fazer alguma coisa já venho.

Mudei o pijama e deitei-me continuava a tremer e o suor voltava, electrizando o meu corpo que deixava de controlar, mas ainda ao lucidez do pensar não me abandonara e sabia que tinha de beber agua embora não me apetecesse e lá ia bebendo água mesmo que o corpo não mo pedisse.

A enfermeira voltou trazia dois comprimidos para a febre os cuias tomei esperando eu também que a febre desaparecesse sabendo que não iria desaparecer pois aqueles comprimidos pouco ou nada iriam fazer.

A noite passou o sol inundou a camarata bem como as divisórias, tratamentos começaram a ser dados, burburinhos sentiram-se um cadáver da grande camarata foi retirado, e eu já pouco sabia do meu eu, o medico apareceu, novas analises e só ao fim da tarde comecei a ser tratado com comprimidos de quimino, agonias viscerais provocaram e de tanta agonia já numa fronteira mais em la que para ca da dor, e da consciência de ver e nada poder fazer abandonado a um fado bem português de exclusão, desejava no intimo se me desse isto em África de certeza que era mais bem tratado. Só já ao por do sol em vez dos comprimidos, o quimino me foi injectado directo pois do pouco ou nada fazer e talvez com a política de estado menos um peso o pais na economia o pais iria ter e só assim ali entendia naquele barco o nosso triste fado, e a noite anterior repetiu-se, mas se agonizava de tremores ruidos da camarata grande ocupavam o espaço na clausura hospital prisão onde estava votado, podemos questionar liberdade igualdade fraternidade, dignidade de um fim única certeza que temos que de morte antes da escrita já a voz adjectivou, direito a morte, realidade que por muito que não queiramos é das poucas certezas a que aspiramos, depois desse grito de dor onde a liberdade de respirar traça caminho e vida da incerteza onde vivemos cada dia com a única certeza que nos condena mas nos da esperança nesta vida balão cósmico de certezas.

E dignidade onde a vida essa as vezes só passa a ser questionada quando o fim sentido na cama aguara olhando muda e calada o corpo da esperança implorada na picada.

Mas olhando continuava o fim calado e mais uma vez ouvias uma voz dizer:

- Morreu

Outro corpo frio por tua porta em maca passava, em frente da tua porta envidraçada.

Outro cadáver era levado daquele barco de esperança onde o esquecimento por companhia, único conforto de silêncios.

Mudos nos companheiros acompanhados, acompanhávamos em silencio segundos e horas impostas da hora não marcada.

E ali estávamos, num Haiti que também era ali numa Europa de primeiro mundo, raptados dos olhos que se podiam ferir.

Dos que proclamavam, fronteiras caídas, onde tantas fronteiras ainda se viam e não era precisava olhar, nem interpretar o passado. tangíveis palpáveis, um som de povo que de já tão calejado, não acreditava no fado.

Que Europa esta de diferenças criada olhando impérios do passado e dos que existem alem Atlântico, de economia vírica destrutora corrompida corruptora, lacaios nos de um sonho que podia ser maior, votado a ideais menores, insistindo nos erros precistentes, preexistentes, repetidos de um presente passado, mais soporífero, é-nos visível, mas mais doloroso, fitas de civilização com inaugurações apressadas de trabalhos de casa desleixados com o tempos poucas vezes cumpridos e sempre ultrapassados, contratos da insanidade e o empregador sai multado e o não cumpridor beneficiado, constroi-se o presente as pressas esquecendo a base da civilização o povo nos braços berço onde tudo foi criado.

E recebia visitas, mas as visitas fugiam de uma realidade que lhes custava acreditar que também por eles custeado em votos em assembleia poderes legados, numa terra que se dizia Europa a beira mar, porta de entrada e de saída dependendo de como vemos a porta numa Europa que sempre esteve incorporado, olhando dela outro impérios,

entre mundos foi criado,

olhando dela outro impérios implantado,

economia da condenação futuro da condena que nos abrange a todos

e cegos,

amen se dizia sim a uma economia carrasca,

vilipendiando na usura do consumo

e de tanto consumir glutão doente,

compromete o futuro,

um futuro já com promessas de envenenado,

a vã utopia da riqueza ou do materialismo cego

no tanto querer laços foram quebrados, presente onde o ver era o mote mais olhos que abriga todos tinham e de tão cheia a abriga,

já não viam os pés onde estavam implantados,

nada, nada ..... e de tanto egoísmo,

nem o ver os filhos a crescer,

se via que o próprio futuro dos filhos deles eles próprios em futuro,

ião ser marcados,

compromissos malditos da cegueira por eles criado,

tudo conseguiu comprometer, cegos, cegos e na cegueira

se estava a comprometer,

sem dar-se conta da marca que no futuro estavam a fazer

tão cegos andavam preocupados,

glutões insaciáveis, sem políticas de crescimento económico e de mercado,

sustentabilidade ...... sustento ..... destino colectivo....... utopia

vã filosofia.

E numa lentidão enganosa de exigências de consumo,

que tal avareza consumiste

batendo recordes de velocidade

nos animais inteligentes

parece que perdemos instintos

não dávamos conta de um destino perdição

criado com as nossas mão que parecia que comprometia todo o sonho,

a que nos Homens estávamos destinados.

E fugindo todos andavam da realidade que os tocava, visitas que quando se iam diziam olha amanha não vamos vir, isto aqui ver é muito complicado.

E delírios suores e tratamentos primitivos ainda usados, e eu mesmo entre a realidade e o delírio ali votado as vezes ia dizendo, olhem tenho ali uns comprimidos com eles devia ser tratado. Mas quando se começa tarde tudo fica complicado.

E três comprimidos que resolviam aquele fado, fadado fiquei a jogos da não razão

Mas posso dar grassas do atraso dado no tratamento pois se recuasse mais um passo em vês de estar preso, picado com soro e quimuno no braço.

Estaria no jardim deitado com gin-tónic abençoado, mas se a ciência tinha evoluído porque assim, e naquele tratamento estava metido.

A Mário Cesariny

Tive conhecimento deste nome

Numa vez

Que numa dessas livrarias de sonho[14]

Um titulo me despertou o olhar

E em letras gordas li

Numa capa

“Uma Cerveja no Inferno”

E sem pensar, analisar, duvidar, questionar,

Comprei o tomo,

E apressado

Para uma esplanada me fui eu colocar

Porque nada melhor

Para se iniciar

Nos poemas de inferno e pranto....encanto

De Rimbaud ....Cesariny...pranto

que uma esplanada de tarde ensolarada.

E em boa companhia

Lia os seus cantos.

A 3 beber uma cerveja de encantos

E para espanto

Éramos três.

E daquela tradução

Em que toda a traição

Acrescenta ao original mais um canto

As portas do inferno os três

Abrindo a lombada

Iniciamos leituras e cantos

E como calor apertava,

três cervejas tomadas.

E fechando a lombada,

As portas do inferno a três

pois lá deles não parecia figurar seus nomes,

nos grossos tomos.

E ali pacatos,

Na esplanada os copos vazios e o tomo.

La fomos vendo as vidas de prantos

Passando a banda em cantos.

Dia de anos

Dia que começa no dia anterior

Meu curto grande dia espiritual

Em que o meditar

É fulcral

Iniciando, iniciador, iniciático.

Um tarde acordar

Um bom sono bom dia anuncia

No pretexto da data se pensa o ano.

E se vivi nessa temporalidade

Vejamos as coisas sem enganos

E pela mente o passado num dia é convidado a voar, pairar

E no dia de anos

Ver nascer o sol

Acto de revisitação

Nascimento, criação

Festa momento comemoração

Pois ao nascer do sol nasci

E sair num passeio

Depois,

Em muitas formas de passear,

O voltar outra vês a cama

Pode iniciar-se também um caminhar.

E em cada descoberta dos passeares.

Se impõe o meditar.

Passado se propõe em futuro.

Para erros não revestira.

E por muito que tentes corrigir.

Alguma pedra

No caminho

Te pode fazer desviar

Mas sempre

Se inicia o caminho

E o inicio tem de passar pelo verbo

Amar

Neste dia

Para min

É passagem de ano

E no silencio a min desejo

Augúrios pró ano

Bom ano

08/08/2007

E levei o computador para arranjar.

Que não arranjarão. xaizen

E o retiro

De retiro nada feito

Pois mal entrei em retiro

Logo

Me perturbaram, com afazeres inventados só para me desconcentrar

E terminou, por fora,

Mas por dentro estava em retiro.

David Mourão-Ferreira

Li pela primeira vez uma obra de David Mourão-Ferreira em 1988 e comecei pela “Obra Poética”. Gostei tanto do seu encanto de escrever e falar principalmente das mulheres que de seguida li “Um amor feliz”, sabia que o livro tinha originado bastante polemica e nessa altura estava eu num seminário, alem de o ter escondido lia-o em horários noctívagos para não ser descoberto, pois isso levava a ter de ouvir um raspanete e sermão indexado o livro como tantos outros que foram, já que o responsável pelas revistas ao quarto era o Irmão Paulo Muzik, polaco de solfejo. E chamo quarto devido a comunidade que oferecia mas seria mais propicio cela.

Da obra poética ficaram-me frases na memória que ainda hoje me acompanham reflexo do grande saber do autor bem como do seu lado interior.

Em que dentro daquelas quatro paredes uma pequena frase dele fazia-me companhia que dizia o seguinte:

“Olhar de frente o Sol Assim se aprendem

as letras iniciais da Solidão”.

Mas dentro do mesmo poema uma outra frase poética levou-me a oferecer esse livro de poemas que dizia:

“Entre bruscos lençóis de gritos fomos feitos

com lenços de vogais saudamos o universo”

E com este magnifico verso de criação e vida, no dia do seu aniversário fiz-lhe cegar os dois livros do David, e este acto do dar livros acontece com frequência quando sei que esse livro pode ajudar a. E por muito ciúme[15] (porque me fazem crescer), que tenha nos meus livros lá os vou compartindo e espalhando quando tal se justifica.

Dar também quer dizer amar.

Por isso também deve-se aprender a saber dar.

E nestes jogos do compartir e amar,

por incrível que possa parecer,

um pequeno gesto pode ser a diferença

para renascer.

E nessa época pareceu-me importante dar a uma pessoa muito importante na minha vida, pois suspiros de falta de amor pronunciava

pelos cantos sozinha andava.

Abandonada dela do pais

E só com tempo para a literatura para se refazer.

E não tendo Édipo como referencia ofereci a minha mãe os dois livros como companhia,

reflexos de alma de um Casanova,

pois o espirito de minha mãe

nova construções de adjectivos

precisava na sua vida pedia.

E nada melhor para suas feridas curar,

Alguém que tanto amou,

E tantas mulheres fez suspirar,

De suspiros que tanto receberão,

E ele tanto as cantou no seu dom de as ver e anulaza.

E na minha vidinha monacal,

De distancias obrigatórias

Entregue a metafísicas paixões

Incensadas polo amor do zimbório.

Poemas do David, dei a mãe

Cheio de paixões e muito amar

Para recriar dos alicerces novas construções.

Paredes de paixões

E o importante é ter alma grande

“asas de condor”,

E dar, dar, dar........

Império do entregar.

E ai se faz verbo amar.

Reflexos a minha inexperiência

Que de luto não sabia nada.

Mal da juventude

Querer tudo as pressas,

Mas a vida é mais complicada.

Traduzida por silêncios

Interiores.

E assim dou um triplo obrigado

Ao David, a vida, ao amor.

P.S. Acho que mãe não entendeu nada da prenda, pois achou alguns versos demasiados, vivos para serem dados por um filho. Coisas da mezinha. Pois eu fui feito com muito amor e de amar, podemos as bochechas avermelhar, nunca envergonhar.

.............................................

(Isto de andar numa poesia entre o popular, e o erudito erudição aquém anda eruditos de quem meu sentido obrigado nesta língua em português sinto-me obrigado a dar, e dizer obrigado, poetas, so em tosca poesia popular, ambição minha quando de grandes ando a falar. Sinto-me pequenino infantil, quando uma palavra Obrigado seria melhor)

Olivier Messiaen

Antes de contar uma historia em que a musica de Messiae esta envolvida e tentar expressar o quanto gosto da sua musica convém salientar que levo anos curioso em ouvir uma obra deste compositor obra de encomenda dos únicos mecenas que na época lufadas de cultura traziam a este manjerico a beira mar plantado. Mas que nunca tive o prazer de ouvir, escutar, sentir, reflectir e nem sei , se existe uma gravação e se existe calculo que esteja em Portugal, ou nos arquivos da Antena2 (emissora que tanto gosto que me dei-a musica, pois gosto de ser ouvinte)e já agora o meu sincero obrigado a todos por me darem musica, e tanto me ensinam. Parece-me pois não tenho certezas, trata-se de uma obra coral encomendada pela fundação Gulbenkien e a este respeito não tenho certezas alem de suspeitas, onde daqui poderia entregar ao exercício da imaginação e compor uma historia em que a ficção seria a base e um sonho todo um pretexto de um texto na sua estruturação.

Mas como neste momento o pretexto do estar a escrever é falar de quem gosto porque gosto no quê da musica de Messiaen tanto gostar em muitas obras em particulares.

E abandono esta possível historia coral que não tem nadada de ficção para me entregar a outra seguindo em texto um pretexto de regras de anotações em que uma paixão em particular nos une num gosto que são os pássaros. E devido ao facto de ter tido uma fase de gagueira na minha infância e cantar era um jogo de que, que, que, segundo uma visão que o não gago tem muito que, que, este que, eu passarito gago e uma letra musical em que o que se torna nota do resultado da corda vocal. E arte também é brincar. E já que o q é parecido com uma nota musical aqui vai uma canção de um passarito gago que gosta de Messiaen.

que

Nos porquês

do porque gosto

ou do que

que me levou a gostar

neste porquê de viver

e estruturar no q

taxodermico inato do q

da eterna criança que

no reino dos porquês

em cada respirar que

que se estrutura

entre o que,

que leva ao porque,

no reino dos acordes do “q”,

ou do quê nove,

que se parece a um “q”,

nas interrogações dos porquês,

em que a arte do brincar

que começa

sempre em quê,

que leva

ao que da história,

em que

o quê pode ser musical

do quê, como nota musical

canório no seu que animal

que o diferencia

nos quês

de pensar no q

sem que pretexto

um “q” pode ser texto

do quê e com que

neste que universal

que o ser animal

um quê cósmico

no que da sua pequenez

no seu q

da diferença dos q

que o diferencia

desse quê animal.

Em que o “q

que é interrogação

No seu q

que leva a imaginação

no que da criação

que fiz um rapp

de quês

que, que, “q” também há em francês

em que os Catalogue d‘oiseaux

que, -, que, - ,que

são o que da fuga

da paz que dão

que as vezes da minha mente

que em fuga

no seu quê de inspiração

em que a voz

no seu que

q” instrumental

neste que em voz

que é instrumento

em ”qque,

de quê, que

nunca quê de lamento

que, com tanto, “q”

que um canto de Pardal

que é mais elaborado

que este intrometo vocal

que, que

-

-, que, -

-

que usa a garganta

que é tão instrumental

e nestes quês

criando um q

no seu quê ri-te-mo-mal

a rir que rio

ouvindo os Catalogue que,

num quê inspirador

que um rap

no seu que de vocal

que é musical

que é resultado

de cordas, que é instrumento

no meu pássaro que

é gago ou que fui

neste q

com quê piar

que passarinho eu

que homenageio Messiaen

no meu reino dos porquês.

que querendo dizer obrigado

Por muito qque tenha

nunca fez qual mal.

-

que

-

Merci

Lolololololololololol

que, que

-

E depois desta brincadeira em que, que, gago cantando que, e não me levem a mal comêssemos.

Posso dizer que “conheci” Messiaen com os seus Quatuor pour la fin du temps (espero não me enganar nas acho que compôs esta obra no inicio dos anos 40 do Sec. XX bem acentuado por duas grandes guerras, e por tantas outras, pois não existem guerras menores mas sim maiores pois põem o homem e a sua capacidade de criarem e recriar o inferno e todos os infernos conhecidos são bem humanos no pior que possa caracterizar o Homem que através do seu grito de guerra o leva a eterna condenação na sua plena existência, e quem por pretexto guerras defende pouco humano ou sensível deve ser, pois por muito que tente tapar o mostrou do seu interior só mostra o demoníaco da sua mesquinhez.).

E traduzir o que senti nessa antevisão de holocausto, messiânico foi das composições em que terror e fim fazem levantar muitas questões e questionar a dimensão humana e a guerra em especial[16]. Dos tempos de terror que preverá, e no final moribundo da morte que anuncia de uma humanidade na plenitude e na dimensão em que o significado de humanidade acarreta eu fiquei enfiado naquele sofá e nos porquês me que me perguntei porque a guerra tem de ser o impulso da história da humanidade quando somos todos iguais e nos prendemos em mesquinhez menores.

E desculpem-me os criadores de imagens visuais, mas no, Quatuor pour la fin du temps temos a guerra numa visão de tal forma dura arcano apocalíptico da dimensão humana. Em que nos interroga sobre a guerra e sobre a dimensão do que ainda existe de humano no Homem, quando o conceito de guerra se tornou a base estruturaste do ser humano.

Por isso gosto de estudar história de arte, pois mesmo que a arte nos fale dos terrores dos horrores as vezes da guerra, utiliza uma linguagem para que tomemos consciência dessa dimensão em que o horror da própria guerra põe em causa a beleza da linguagem e da dimensão Humana.

Que perante uma imagem de guerra todo o humano perde a dimensão cósmica no ponto que o posiciona com todo o cosmos e Cosmos é oposição a Caus.

E todo o dualismo leva há evolução e toda a evolução deve ser para o infinito e não para a finitude.

Depois, .... ?

Por verdes vales e colinas andava

E o verde era presente em tudo o que pisava

Alegre corria

Cantando,

harmonia, se proclamava.

Mas depressa o tempo me mostrou que do verde que pisara.

Outro o transformava

cinza e negro

novo amor proclamava.

Cobria o que meus olhos antes cria e acreditava,

Se dantes via riachos

Cataratas nos olhos me cegava,

Mas cupioso

No andar prosseguia

E chegando

A fonte que cantava

No seu canto calmo moribundo

De cada gota proclamava

Que depressa um silencio se anunciava

E seu canto que no passado grito de torrente bradava

Se transformava,

Agonizante gota a gota proclamava,

Agora, seca, uma outra mão a transformava

E de cinza agonizante.

Também ela quedar

E do cristalino vibrante

Do seu corpo pouco quedara

Sua seiva que vida anunciava

Tornava-se espelho de desilusão

Presa a um encanto

Que nenhum sonho

Prevera no que ela e tudo se tornar.

E ela vitima de sonhos menores

Precipitações do telintar

Vibrante

De uma vã riqueza se tornara

Predição

Da avareza

Que a todos nos preceitos proclamava.

Mentiras do do rumor de um som metálico

Plástico se transformara,

Aspirações de futuros

Anunciando novos paradigmas

Mascara de destruição,

numa nova continuidade

comprometia

em seu canto de sereia

a todos hipnotizava,

cegueira de vaidades descontrolada

que devia ser regrada.

E de futuro, anunciava,........ qual futuro?

De terra queimada

Da avidez do consumir tudo deglutia

E tudo cinza ficava

Agonizante

E sem esperança para ressuscitar

E para isso implica mudança

Na mudança e na vã comunidade

comprometia no caminhar

futuro de, e comprometedor.

E só todos, no tempo é hora de mudar

Todos.......

Compromisso

Em cada aurora

Tempo solar

Do seu despertar, proclama

Pregação do tempo

Que cada dia

Um ultimo respirar.

E mais pobre se anuncia

Cada dia

No seu exterminar.

Carrascos da economia

Avareza, onde já nem o viver é razão

Novo campo de concentração

Que a todos nos prende

Onde já começou a destruição.

E vivo numa cadeia de mãos dadas há vida

Não em canto de sereia

Campanário de horas perdidas.

Que em cada badalada

Se anuncia um ponto fina.

E da cadeia do todo

Ao desprender

Condeno a espiral deste ponto cósmico,

tão sedo um ponto final.

E em verdes vales já mais castanhos se tornara

Ferido andava clamando

Procurando amado que perto andava

E de sonho de futuro por entre vegetação

proclamava

Anunciando

A mentira

Em voz serena com seu canto.

Um canto amado de desilusão se havia tornado.

E incredolo andava.

E do vento emanava

Um suspiro de desilusão

Porque os ventos cheiros de tumbas,

Sepulcros da condena

Da vã ilusão.

há que mudar

cantava o que vivo de um todo anunciava

senão tudo devagar agonizava

partia-se o vaso

do casamento

ficara a ilusão.

E na mudança há que acreditar

Ou provas mais que cabidas se estão a dar

E triste andava com amado nos verdes que de poucos verdes já quedava

E eu que em tudo cria e tudo tambem amava desiluzo nos quedamos em riacho longe da estrada

E em conversas de desiluzaão

De historias me ilucidava

E dessas historias se compos murmurio de canção

Que mudança proclamava

E ferido amando andava

Por vales e montes

cimento plantada nova presente anunciava

e da vida que por esses vales e montes cheia estava

fantasmas cinzentos

a visão proclamava

não em canto

mas em imagem anunciava

e lá prosseguia ferido

sangrando pingava

e da vida que outrora via

meus olhos tristes nada contemplava

e novo discurso se assiste

de arqutetura pouco integradora de um todo implantada

e gaiolas

prisoes

novas condoções

anunciava

aguilhoados perdidos cegos

que não crião acreditar

ate as cosmologias modificam

para melhos se justificar

e utupia da vida

a vida alterada

caroços de adão por todo o lado apareceram

e ate a doenca das mutações

nova foi criada

e anuncios dos egoismpos

assunções de destruição anunciavam

e morte egoismo imveja

ligadas a uma econumia de estados

imperios da vâ marcha

preludis da descrença

atrasada do incomfurmismo

novo fim inicio de estrada

e duro se torna voltar

a um amor

inicio de estrada.

Paradigma da avaresa

Se tornara o conviver

Se uns em tronos vivião

A outos

Mendigos

E vitimas do trono

Já se conformavam

No fim que sempre seria melhor

E não queriam

No egoismo acomodadado

Preferião uma rezinha

Mais fácil

Nos vales e prados rezinhas não fazia nada

Implorando a milagres totais

Mas que milagre fazer

Se não se muda insistindo no erro

Que os levava a esse cruzamento de estrada

Tristeza vã da incompreensão

Em que cinzento

Se cobriu tudo

e onde para a esperança

a luz da mutação.

(Falta terminar)

Ficção

A cortina por trás da qual falamos de realidades.

A intensidade da sua trama,

Joga com as transparências da alma.

Para não ficar em silêncio.

Há festa na aldeia

Para os que estão há espera de um poema talvez o escreva mas não vou fazer poema.

Na minha aldeia todos os anos era costume haver uma festa, e pensar-se na festa da aldeia era sinal de prelúdios de verão já que antes da festa toda, toda a aldeia era convidada para participar na festa, através dos preparativos havia o dialogo entre uns e outros disputas eram esquecidas, namoricos começados, esses preparativos começavam já com o rematar das terras da santa, que neste caso a santa era a virgem Maria que para a aldeia assume o titulo de Nossa Senhora da Graça, nome que não deixa de ser curioso pois estar cheia de graça quer dizer plena de amor e neste caso plena do Verbo, Verbo que é Amor, e neste sentido para min assume uma importância central no culto católico já que representa a Theotókos, não vou aprofundar neste momento a noção de Theotókos, mas a ele voltarei pois acho que é um tema central dentro do culto Mariano. Maria com a sua maternidade assume-se como a primeira Eucaristia, seu corpo altar, mesa Eucarística deu-nos o Kristus, através dela o verbo fez-se corpo matérico e se dá ao homem. Celebrar Maria dentro da sua proliferação de nomes celebramos a festa da encarnação da Theotókos, faz-nos peregrinos, e se o presépio simboliza a primeira peregrinação em que todo o ser humano foi convidado a participar e a celebrar, Maria no seu corpo altar nos entrega Kristus ma proto-eucaristia da celebração em que reis e pastores somos chamados onde não há diferenças é superior mas igual. E Maria devido aos diversos pedidos assume perante a humanidade as mais diversas adjectivações, invocações que a transforma a Theotókos Maria na Senhora das Dores, Prazeres, Viagem, Paz, ..... etc.

Como já referi a imagem de Maria na minha aldeia tem o nome se Nossa Senhora da Graça, e quem esta cheio de graça, e estar cheia das graça e estar plena de amor e quem ama tem sempre um sorisinho no canto da boca. E a imagem por muito ar serio que tenha há um sorrir, sorrisinho, remetendo-nos para o interior, neste sentido podendo concluir que o escultor conseguiu captar esta ideia de graça associada a elaboração de uma imagem que transmite uma mensagem.

Mas a festa da aldeia deu me uma lição que quero expressar aqui, e a meu ver é fundamental.

Em primeiro lugar tornasse necessário a fixação de uma data para a festa, já que o sentido de ritual é necessário e a base de estruturação do ritual começa. pela calendarizarão. Cada ano que passa as datas são alteradas e a noção primitiva do primeiro domingo de setembro, que devido a uma necessidade de ordem de compatibilidade como o calendário dos filhos da terra que tiveram necessidade de sair para encontrar novas perspectivas para a sua vida, e o mês de Agosto simboliza o regresso as referencias e a terra de onde saíram a data foi alterada para o ultimo fim de semana de Agosto mantendo-se a proximidade no calendário original. Neste sentido urge que se chegue a um consenso e a fixação de datas.

Outro ponto tem a ver com o lado de festa, este ano limitou-se a festa há procissão e há imagem da virgem e a missa na capela no cima do monte. E por muito que me dissessem que não era uma festa, resta-me deixar uma pergunta no ar. A meu ver a missa é uma festa e uma procissão festa é. Se retirarmos o sentido de festa que é central na eucaristia bem como da liturgia ficamos mais pobres. Outro ponto há festa deste ano tem a ver com a forma como a festa foi organizada. Se repararmos a comunidade é pequena e esta data deve ser momento de união e não de discórdia bem como de tricas em que leva há divisão da própria comunidade. Neste sentido urge a criação de uma confraria, aberta a todos aqueles que queiram participar.

Outro ponto tem a ver com a celebração da missa Dominical que deve ser para a celebração da comunidade não dedicada a intenções particulares. Eu tinha a noção que a celebração da missa Dominical era dedicada ou as festividades que coincidam com o calendário liturgico, mas a cima de tudo a celebração do domingo como dia de pausa de descanso e de união de uma comunidade.

E ouve festa na aldeia, onde foi nítido a divisão, com evangelho escolhido a preceito a justificar a divisão da comunidade, e aproveitar o momento para um sentido de evangelização e de união no ceio da comunidade e se o evangelho tem imensas passagens a esse respeito, a segunda leitura e os Actos dos Apostulos tem imensas referencias há união da comunidade, quando a festa devia ser união dentro da diversidade das pessoas que estão presentes, pois somos todos Diferentes e todos Iguais. Se um são gregos e os outros troianos o dialogo deve ser a base para a união mesmo que não se possa agradar a todos, mas dialogo ouve pouco, e há ultima da hora as coisas ainda não estavam muito bem decididas.

Neste sentido para admiração de muitos fiquei neutral, estrangeiro há porta da festa que ate eu me sentia que não tinha sido convidado a participar, e para surpresa reagi como reagi pois foi a forma mais neutral de participar sem participar para grande pesar meu pois estávamos num domingo, e como me sentia estranho na celebração achei que não devia participar e manter-me como observador dentro da neutralidade que me estava imposta.

E foi festa na aldeia, foi a festa das tricas na aldeia.

Humildade e contrição? Onde?

Para haver perdão tem de se assumir o reconhecimento do erro. Cair no mesmo erro é normal, mas saber-se que se errou mas estoicamente mantermo-nos orgulhosos é um pouco difícil, o problema não é o erro ou sobre quem o praticamos. Que interesse tem a oração quando não fazemos da vida uma oração? Então se a vida é oração quando oramos dentro das mais diversas formas a oração tem um outro sentido.

Eu sou pecador, e todos os dias tento corrigir. Tento levar o amar como alicerce ou filosofia dentro da redução dos mandamentos que o evangelho faz em que o amor é a base de tudo. Se nos começarmos a amar todos um pouquinho mais a todos uns aos outros e a engolir certas atitudes as coisas começam a correr melhor. E entender que somos todos diferentes e todos iguais e que o amor e a base de união.

Eu gosto muito da festa da minha aldeia, tendo banda ou não, bailarico ou não, mas este ano não gostei nada da festa na minha aldeia. Eu pecador me confesso.

Será que devo confessar-me por não comungar, pois não quis participar no jogo das tricas?

19 de Agosto de 2007

P.S. Acredito numa noção de Theo abstracta, para a minha metafísica do existir, não necessito de imagens ou de criações de imagens que me permitam chegar a um fim ou grandeza interior atingir. Gosto imenso de arte religiosa da relação iconografia que isso implica, bem como uma noção simbólica implícita a esses iconografismos, mas se precisam de imagens eu não necessito.

Como espectador, o espectáculo foi óptimo pena não haver um espelhos

Samorinha 19de Agosto de 2007.

Minha vida

A vida como arte,

como caracterizar,

se colocar a minha existência

em acto de comparação

acho que sou muito atonal

nestes tempos que por ai vão

dentro de uma tonalidade em vigor.

Banda[17] a tocar.

E na minha atonalidade,

tantas preocupações levanta,

na tentativa de adjectivação,

posiciono-me como linguagem,

demarco-me em cada respirar,

e devido a diferença,

eu tranquilo posso analisar

olhares intrigados

querendo ver

se eles gozam

eu mais no meu gozo estou a gozar

intriga nas suas mentes

e eu vejo uma banda passas,

que banda,

poupem-me.

Trompete de invejas

Flautas da mesquinhez,

Toquem, toquem

Essa musica os fará dançar mais uma vez.

Se preocupados andam

numa tentativa de descortinar,

tranquilo ando no silencio

eu existir atonal

cadencia no respirar, respirar.

E se isso lhes faz confusão

É seu problema, meu não.

Se disse a uma amiga que sabia a data do meu fim

Ponho em causa o destino

Pois se quiser

Posso usar a meu bel prazer

A palavra FIM.

E ai todos podemos saber.

O dia o local e a hora

Do existir que eu escolhi para min.

Mas como gosto da vida.

Poupem-me deixem-me ser

Eu numa linguagem

Como arte atonal

Se calhar algo ando a dizer

Diferente paisagem

Num exterior interior habitado

E se brinco

Também tenho humor

E humor, arte e vida

Andam também associados

Se digo nunca houve espanhóis

Será que não vê que estou a gozar.

Portugal é futuro.

Não é tratado de zamora

Quase mil anos a comemorar

Enfim

La vai ela rezar a serafins

Preocupada com a loucura

Nesta aldeia Deivide Linche

Fazia grande filme

Grande gozo.

Da loucura colectiva,

Mesquinhez a analisar.

Eu a seus olhos

Vários adjectivos

De loucura,

Se calhar um novo vão ter de inventar,

Mas a deles não vem

E eu louco

Das suas mãos apontado

E suas bocas a gozar

colectiva loucura.

Um tema koke luxe.

Nesta aldeia seria bom analisar.

Só são uns grãositos de milho?

Depois de assistir as noticias televisivas sobre a invasão de uma propriedade devido ao uso de sementes trangénicas em que várias questões são levantadas eu não resisto em levantar mais algumas questões, já que vivemos num Estado de providencia.

Em primeiro lugar gostava de saber qual a posição da legislação Portuguesa em relação aos tranjénicos já que o vazio legislativo é visível, alega-se a falta de estudos coisa que me parece um pouco descabida já que existem muitas publicações em revistas de especialidade onde a ciência só é reconhecida depois de publicada em revistas de especialidade que novos estudos se irão fazer? Ate seria bom fazerem-se já que iria ocupar muitos jovens naquilo que estudaram no campo e dar-lhes trabalho na investigação e publicarem os seus estudos, já que os estudos feitos pouco fizeram a nível legislativo.

Mas neste aspecto gostava de saber se o Estado é assim tão providente na falta de estudos porque não seguir pelo caminho da prudência e providencia? Em vês de legislar políticas que privilegiem interesses alimentares numa política económica de interesses onde se privilegia mais a economia que a saúde da comunidade civil em que todos somos incluídos. E já que o estado permite este tipo de agriculturas os legisladores deviam e explicar as alterações nas cadeias alimentares com a introdução de trangénicos, bem como os outros etc., que isso implica, e quanto esta disposto a pagar devido a causa efeito, pois introduz-nos num sistema criado por ele por erro dele? E se ira ser viável neste sentido uma agricultura tangência para a sociedade civil, e quem é chamado assim ha rentabilidade, quando os gastos no final da cadeia alimentar vão ser visíveis a nível de saúde publica. O mais curioso é que falam numa política em que a agricultura deste pais terá de demarcar-se pela diferença e pela qualidade (que não quer dizer produtos que entrem numa escala de calibragens de beleza e apelo enganoso) mas sim na sua qualidade nutricional e garantia de qualidade e isenção de produtos químicos bem como de alterações genéticas desses produtos que possam alterar a garantia de qualidade alimentar, quando se olha para a agricultura nacional como potência dentro duma eco agricultura na Europa. Pois o que há mais são terrenos em pousio, etc., onde a política agricula nacional desde sempre foi aposta na copia e não marcar a diferença num sistema que seja resposta as necessidades dos agricultores e aos diferentes tipos de agricultura onde urge um imperativo ecologico para os tempos que correm que garanta uma qualidade alimentar criando sistemas de escoamento entre agricultor e comprador e os diferentes tipos de agricultura nacional. Por exemplo um modelo para o Alentejo não se torna viável em Trás os Montes.

Outra coisa que gostava que me explicassem era a relação de polinização ente árias com produtos trangenicos e não trangenicos e a suas alterações nas sementes (fruto). Outro aspecto o efeito dos pólens no mel, bem como no metabolismo dos insectos que entram na cadeia agricula do milho, já que nem só o vento é um elemento polinizador.

Quando assistimos a invasões de propriedades para chamar a atenção a este tipo de agricultura, bem como das contradições política agrícola nacional, onde urge um posicionamento do Estado já que esse posicionamento do Estado de Direito é posto de ambos os lados, devido aos vazios que existem. E fala-se de trangenicos há tanto tempo, porque há vazios legislativos, a classe política que anda a fazer?

Lembro-me numa discursam levantada a uns três anos em Portugal sobre os trangenicos em que grupos relacionados com a agricultura serviam-se do facto de Portugal não ser produtor de milho trangénico, já que o milho cultivado em Portugal utilizava ainda grupos de variedades de sementes “nacionais” não alteradas (as sementes originais do milho são da América).

E se há um vazio legislativo a medida mais obvias não será prevenir que remediar?

Vou dar um exemplo real que tive na minha pequena horta e pode servir de exemplo, nas vou usar a batata. Devido a uma quebra de stoke de semente que tive, e devido ao facto de comprar sempre semente nova para me garantir a produção este ano verifiquei o seguinte: o saco de batatas estrangeiras como se chama aqui a batata para semente que provem de sítios variados entre os quais a Holanda, que já por si é cara pois é semente, aconteceu o seguinte, a batata foi semeada regada não utilizei quimicos, e chegou o momento de arancar a batata e o que verifiquei, cada batateira tinha muita batata e muito grande só que tive um problema 70% das batatas eram defeituosas verificando que algumas batas quando atingiam um certo tamanho (todas as defeitoosas) dividiam-se elas mesmas coisa que não é comum na abatata e como não completavam essa divisão ficando cheias de cavidades e sulcos, um desastre, chegando há conclusão que o defeito era da semente pois a semente sem ser aquela não tinha problemas, e perguntei-me o saco de batatas não me dizia que aquela semente era manipulado pois era mais que evidente, e nem me dava informação sobre a batata alem da sua proveniência. E eu agora a quem recorro? Que política existe neste pais há cerca das sementes? Ou será que ainda temos sementes sem serem alteradas? E se acontece o que acontece que efeito terá sobre min as batatas já que vou ser o seu consumidor? E se me sentir mal ou acontecer alguma coisa a nível de saúde que custos terá o estado com isto já que permite a sua comercialização, e pertenço ao serviço nacional de saúde como utilizador?

Mas este caso do milho levanta muitas outras questões, a utilização das glicoses de milho na conservação dos alimentos, dos amidos nas comidas em conserva, etc.

E outro factor menor mas maior, que impacto terão os trangenicos na gastronomia, (pouca gente come broa mas somos os inventores dela, e se andamos a dizer ao mundo que temos produtos e qualidades em que a ancestralidade das suas existências são uma garantia, que garantia terá essa broa tangência com a entrada do milho tangência em circulação? Um dia destes descobrem que broa da milho tranjénico da uma moca qualquer tangênica, lolol ou potência um certo tipo de câncer ou cancro tanto em Portugal como no Brasil.

Mas uma coisa gostava que me explicassem a longo prazo o milho trangenico que impacto terá na saúde publica, e na económica do pais? Ou será que o uso de trangenicos é para fomentar a industria farmacêutica? Será que vamos ter de aumentar o numero de hospitais IPO devido aos hábitos alimentares onde políticas económicas suportam todo um sistema de viciação, e quando algo corre mal simplesmente desaparecem ficando a batata quente na mão de quem sofre as consequências como parece ser normal? É obvio que estado seja chamado a responsabilidades bem como a classe política já que implementou e garantiu legislação para que esses erros fossem garantidos.

A invasão da propriedade no meu ponto de vista foi mal menor já que tenta alertar para uma realidade, mas quando reivindicar é um pouco difícil, e apelar a própria sensibilização do estado parece ser a única arma do cidadão que é o povo, e há autoridades que usam a palavra terrorismo para tudo sera que existe um Eco-Guantanamo? E quem é mais terrorista? Os interesses económicos ou quem reivindica a qualidade de vida? Mas a atitude da invasão da propriedade também levanta outra questão que tem a ver com a segurança se a força de ordem estava lá e assistiu a tudo ou estava de acordo com a reivindicação ou afinal para que serve? Já que estão a assistir uma destruição de produto e invasão da propriedade privada e não actuou, e se as coisas chegaram ao ponto que chegaram porque não actuou? Será este o exemplo de como vai a segurança nacional?

E como existem lacunas de ambas as partes e a classe política parece que precisa de algo para em tempo de ferias aparecer na televisão num assunto que exige rigor e talvez cansada dos mexericos das revistas e das festas sociais ou das festas algarvias. E serve-se de uma manifestação que põe tudo em causa problemas reais bem como de vazios que existem na legislação, onde o alarido em vez de cair no problema entra em querelas partidárias em que podemos questionar neste sentido também as políticas, pois o desenrolar da atitude de um grupo enologista também pôs as atitudes políticas em causa. Muitas compulsões se podem tirar deste assunto, e como tento ser Tosca( refiro-me a personalidade de um personagem de uma opera, não ao facto da personagem ser uma mulher, e eu gosto muito de ser homem) apolitica, e já que me acusam de gostar muito de arte, um final pictórico em jeito de resumo. Uma pintora mexicana de nome Frida Kahlo, pintou um quadro como resultado de uma noticia da absolvição do marido pelo assassinato da sua mulher com o nome “uns quantos golpes” pois matou-a á facada, em que levanta a discursam da discriminação bem como dos abusos machistas de certos homens (de h muito minúsculo) em relação a mulher como se fosse uma propriedade e a falta de legislação a estes actos agressivos que tanto marcam silenciosamente ainda hoje a nossa sociedade, e tantas vezes coloca a vida da mulher em causa, e como daqui algum tempo já ninguém se lembra de nada, como parece ser normal olhem:

- Meus senhores mas só foram uns grãositos de milho.

Samorinha, Dois dias depois do acntecimento19ou20-08-2007

Mona Lisa 1503-1506

Antes de começar a expor do que penso sobre este quadro convém referir o nome de quem o fez Leonardo da Vinci, e referir que gostava de jogar.

Podem se fazer várias leituras obra mais aberta que a obra do Leonardo poucos há que a façam. Não vou expor um tratado, sobre o assunto, como disse um professor que andava na escola Soares dos Reis só se aproveita uns 70% dos livros o resto é palha, então ai vai uma introdução com 70% de palha, onde a única palha que meto é o facto de referir a sua visão medíocre.

Convém salientar que em Florença vivia um ser chamado Savonarola que quase, comprometia o que entendemos hoje por Renascimento Italiano, pai da primeira fogueira das vaidades do ocidente tentou promover uma castração intelectual baseada em ideias chamemo-lhes ideias peregrinas, onde foi dos primeiros a lançar a primeira pedra, nas pregações que fazia quando os evangelhos dizem o contrário.

Leonardo criou devido a este ser uma psicose da perseguição agravando-se devido há sua mente prolifera em ideias fugindo e tomando as atitudes que tomou, se Florença era um fervilhar, sentia-se invadido gozado, tendo mesmo casos em tribunal devido as sus tendências sexuais, o próprio cristianismo metamorfoseava-se tentando afirmar-se no jogo político apesar da importância que tinha distanciando-se das ideias primitivas que o estruturaram, se criou códigos foi para se proteger e sentir acima de tudo uma privacidade sobre o que pensava principalmente durante o processo mental, onde punha em causa o existente, reinventava e inventava, pois no intimo sentia que a partir do momento que o homem sonha abre-se a porta para a criação. Mas como não quero por mais de 70% de palha não desenvolvo maiseste ponto ficando como introdução. Mas as ideias do Savonarola deixaram muitas sementes, ideias essas que formaram muitas mensalidades com políticas de fogueira onde atirar a primeira pedra foi uma pratica que se desenvolveu, onde humanidade, aceitação, igualdade, liberdade, fraternidade eram utopias que so a revolução francesa conseguiu promover, ideologias de muitas comunidades de um cristianismo primitivo onde não se impunha mas cativava.

Sandro Botticelli homem religioso e crente quase chegou há loucura e devido a tanto sermão muitas obras as deu há fogueira muitas foram escondidas e quem tinha algo comprometedor escondeu bem das vistas de alheios, e mesmo no leito da morte era perseguido por ideias que o atormentavam, promovidas mais por interesses humanos que divinos.

Sentremo-nos no quadro, temos de ter em conta que este quadro e produzido por um Narcisista, muito particular embora ele soubesse que fisicamente não era nenhum cânon achava-se o máximo, e quando um narcisista questiona-se sobre a morte e gosta da arte da linguagem saiu a Mona Lisa como produto reflexivo linguagem enigmática que só vou revelar uma parte pois vou respeitar um lado intimo do Leonardo pequenez de segredo, que merecem esse respeito e continuação de um enigma que já é de fórum pessoal. A paisagem é um discurso sobre duas hipóteses sobre a vida depois da morte de eternidade tendo como ponto de partida, a existência de um barqueiro versão em vigor anterior ao próprio cristianismo, e a das pontes. Onde desenvolve uma metafísica expondo duas versões sobre eternidade que ainda circulavam na época.

Pega no mito de Creonte sento o retrato por um lado a esfinge que nos lança a eterna pergunta sobre o verbo existir nas suas mais diversas conjugações “Qual é o ser que tem, voz, anda em quatro patas depois duas e depois tres?”, mas o Leonardo vai mais alem, se a esfinge faz uma pergunta sobre a existência e as idades do ser humano, a pessoa retractada tem ela própria dois enigmas que só vou revelar um, a pessoa que se da a retractar esta triste o sorriso é um sorriso postiço, onde o sorriso é o que contrasta com todo uma face marcada pela tristeza, onde o pintor esboça o sorriso provocando a quem vê a sensação de que há algo ali onde o dualismo é a base para a composição da face, e saída, a um problema e como solucionar o problema de quem a sua frente servia de modelo para uma reflexão ainda mais profunda, feito por quem fez o retrato que também se retrata pois decide alterar traços projectando-se ele próprio num ideal de feminino que ele tinha, colocando os seus olhos associado-se ao drama daquela mulher que ele conhecia sendo o retrato o pretexto também de a ajudar fazendo-se participar também ele na dor dela, e utiliza o pretexto de retratar da necessidade em aranjar uma modelo para ajudar esta e tentar compriendeer a dor humana associando-se assim nas suas interrogações e no seu luto, e agora perguntamos mas esta de luto por quê?

Primeiro o retrato feminino é uma mãe que deu a luz e o filho morreu no parto, esta sentada com as mãos sobre o ventre ainda dilatado do parto sentada numa cadeira para não se cansar muito, devido ao parto difícil, ventre dilatado naquela posição é mais facis de decimular e quem vê não apercebe-se logo do que se passa e ele embora quisesse pintar o momento não queria que fosse visível queria-o intimo só dele e devido as complicações físicas e emocionais, esta mulher necessitava de estar sentada; sentada com a dor da perda uma dor na alma e o desejo de voltar a engravidar, questionando-se sobre a maior tristeza de um ser humano, e sobre o nome, adjectivo que se dará a uma morte onde uma mãe vê os filhos morrer, o único tipo de morte que nenhuma língua pronunciada adjectivou ou quis adjectivar pois é das dores mais difíceis que qualquer pai pode ter, ver os filhos morrer. Mas o olhar põe em causa a eternidade e a alma, onde a não aceitação da perda é uma constante nesse olhar que procura.

Se olharmos para os olhos parece que esta mulher nos olha sempre estando nos mais diferente pontos de quem observa, o retrato olha-nos sempre o olhar procura quer ver, quer encontrar, perguntando-se por onde andará esse meu filho que morreu, e perseguindo-nos com o olhar perguntando-nos constantemente quem es tu homem, nesta existência.

Devido a dor da perda esta mulher rapou as sobrancelhas sinal de dor e de luto, luto que é dado forma através desta flagelação onde tenta exorcizar a dor, dor silenciosa eternamente guardada dor sem adjectivo que possa qualificar onde o não ter palavras agodiza o sofrimento, sofrimento que só consegue ser ultrapassado pela sua flagelação estética demonstração de dor e da sua própria transformação que essa perda opera em quem a sente, descaracterizando a sua face demonstração da sua perda, prova de uma dor para quem olha.

Mas este rapar de sobrancelhas da forma uma nova forma já não antropomórfica, mas ligada a existência de cada ser humano e a única certeza que temos, a morte, e recria uma nova imagem para a esfinge em que o drama da interrogação passa a ser parte da existência e do ser humano, onde a pergunta sobre “quem es tu homem na tua finitude” intima posta em causa em cada perda.

Mas ainda tem outro segredo que não vou dizer, talvez sejam os 20% mais de palha de palha.

Quanto aos dois fundos que são duas hipóteses há pergunata da esfinge sendo um dos tratados sobre metafísica questionando a vida depois da morte, num minimalista que é de uma beleza da sua interrogação da sua existência, questionando a vida e a eternidade da alma nas formas onde o relevo a construção das paisagens uma paisagens onde surgem três versões ou melhor três respostas, a do barqueiro, a das pontes e nos olhos a da reencarnação por isso a procura do olhar, olhar curioso que levanta duvidas, onde cara rochedo recria um mundo pos e pergunta algo, dando respostas e levantando duvidas, respostas as varias duvidas sobre eternidade, onde cada existência tem a sua formulação e a sua resposta por isso há três paisagens as duas do fundo e a paisagem do olhar que é a paisagem de quem em frente a mona lisa se encontra a olhar. E quem souber no intimo procura o consolo da resposta. Uma resposta, um sentido de esperança, onde no olhar o outro também há esperança pois nos estamos associados há sua existência, pois formamos todos um uno.

Pondo em causa a vida para alem da morte defendida pelo Savonarela, onde já se vislumbram em um dos lados as três instancias da divina comedia da vida colocando em causa a sua existência e uma nova concepção já esboçada há muito. Do outro lado propõe-nos outra visão outro apelo em que a chave do futuro reside no homem e nas pontes que faça. E o olhar uma outra resposta também, pois o importante é perguntar e achar a resposta que mais se reflecte na alma.

Como não quero meter muita palha termino dizendo que é das obras que são sempre contemporâneas em que o homem ultrapassa a ideia do homem mas guardando sempre o segredo e a eterna questão sobre a eternidade.

Samorinha 26-08-07

P.S. Um dia escrevo sobre a virgem dos rochedos.

O cabrão que me anda a gravar o que escrevo que tenha cuidado pois dentro em breve vai-se foder e bem tem cuidado que quando menos pensares ..... surpresa

Pagamentos

Devido a uma carta registrada que obrigava a minha mãe a pagar o saneamento, obra camarária realizada em 2004 na aldeia prometida pela autarquia nas campanhas eleitorais já desde 1995, com dinheiroso que não me interessa saber se comunitários ou não pois não quero analisar políticas para o desenvolvimento autárquico e esta não é a minha autarquia onde ia simplesmente ajudar a minha mãe que para estes assuntos se sente limitada devido a um problema de audição entre outros, mas apesar dos atrasos o que interessa é que a obra foi feita apesar das demoras e das promessas. A minha mão na decada de 80 emigra para a França devido a necessidade, molher solitaria abandonada pelo meu pai ficando com tres filhos menores para criar, apesar de ter o quinto ano antigo trabalho era coisa que não havia num tras os montes bem atras dos montes esquecido pela classe politica como é normal, onde continua a ser paisagem enquanto o poder não se dignar a olhar com o devido merecimento a um destrito condicionado ao esquecimento. Sendo o IP4 a obra mais visivel de ligação ao litoral dourado onde passava tudo e era polo de aração. Se o IP4 comunicava o interior com o litoral tentando promover a circulação de produtos e de pessoas, promovendo o interior, verificou-se que houve uma deslocação do interior para o litoral esquecendo-se o desenvolvimento, não apostando no desenvolvimento. As politicas agriculas não tem em conta os tipos de agriculturas desse interior e cada vez mais ser agricultor num pais onde a agricultura tem de ser vista com outros olhos sendo a base de uma economia que requer uma nova atitude politica e de investimento onde negociar com uma comunidade europeia que não tem em conta aos problemas e dificuldades de desenvolvimento de determinados estados, promovendo uma agricultura indostrial, apostando mais na quantidade e aparencia, em vez da qualidade do produto, criando desiquelibrios visiveis entre estados ricos que se demarcam, onde teem uma politica agricula que não se consegue aplicar numa realidade nacional com excepções onde essas politicas podem ser aplicadas.

Desenvolver a industria no interior até é possivel mas devido a sentralidade dos polos decisores onde circulação de produtos distante dos grandes centros hurbanos não é rentavel, esquecendo-se que existem mercados para la da fronteira teritorial e os produtos podem competir noutros mercados e não precisão de passar forçosamente pelo litoral.

Mas o que me leva a escrever hoje não é a desertificação, o desenvolvimento economico mas sim sobre a função publica.

Como referi no inicio a minha mãe recebeu uma carta de pagamento de saniamenta da sua cas que ainda não esta ligada ao saniamento, são 300 euros aredondando para baixo, pois não quero ser exagerado em exageros de aredondamentos.

Mesmo expondo a situação disseram-me que devido ao facto de ter canalização de agua sou obrigado a pagar, e mesmo expondo que temos uma fossa septica, e devido a problemas ela não vive na casa pois devido aos problemas de saude dos meus avos tem de permanecer na casa dos meus avos, alegaram que a legislação obriga ao pagamento mesmo que não esteija ligada a rede, pois o mero facto de ter agua em casa obriga-a a ter saneamento mesmo alegando a realidade da situação, como ela ganha o salario minimo não conseguia pagar a totalidade dessa despeza, mas alegaram que se podia pagar a prestações.

Ontem ela já pos de lado um dinheiro e disseme para ir tratar das prestações e pagar dando-me 50 euros pois só lhe sobrava aquilo nesse mês.

E lá fui eu tratar do assunto cheguei ao local entrando nos servissos que estavam vazios onde os funcionarios estavam a entrada e un deles a fumar sentindo-se na obrigação de entrar e atender-me, expus ao funcionario a situação o mais educadamente possível, o funcionario disme, que tinha de pagar a quantia em duas prestações e sereno calmo com voz murmuramte disse que devido a situação economica da minha mãe não lhe é possivel pagar essa quantia, e para surpresa minha reflexo do meio onde se vive o funcionário diz-me mas a sua mãe trabalou 20 anos em frança e não tem dinheiro para pagar isto.

A surpresa da resposta deixou-me tão mudo, pois pensei que deviamos ser as unicas familias do pais numa situação precaria, mas dentro da educação que me deram de escassos recursos disse que não era pocivel. E por tras da secretaria disse com voz ainda arogante que era melhor falar com a engenheira, quando em conversa anterior a própria engenheira me tina falado das prestações.

Entrando no seu gabinete, e expondo a situação sentime obrigado a exporlhe a situação economica da minha mãe, e contando o que se tinha passado minitos antes, esplicando que devido a situação da munha mãe na decada de oitenta se sentiu obrigada em emigrar para frança para criar tres filhos e construir uma casa, regressando a portugal para cuidar dos meus avos pois a minha avó ficara com alzaimer e o meu avo devido a idade também precisava de cuidados apesar da idade. E o dinheiro tinha sido gasto na costrução da casa e na compre de uns terrenos onde tinha uma horta para consumo.

E aleguei que embora pagasse não iria fazer a ligação pois não iria ter dinheiro para o fazer pois iria a estar a pagar o saneamento, falou-me para ir aos servissos sociais da camara,mostroume uma carta tipo que os servissos costumam enviar para os servissos sociais mas não alegando que iria fazer isso em relação há minha mãe.

E teria de pagar o contrato de ligação aumentando-me assim a prestação ainda mais e obrigando-me a pagar todos os meses um servisso que não iria nem vou utilizar tão depressa, pois a casa. E como a constituição obriga lá vou pagar, em cinco prestações.

Pediu-me desculpas do sucedido com o funcionário anterior. E acompanhou-me ao mesmo funcionário dando instruções de que iria pagar o montante em 5 prestações, incluindo o contrato, onde era visivel o descontentamento do mesmo funcionario obrigando-a a assinar nas costas da folha de pagamento que iria de pagar em 5 prestações como prova de que aquela decisão foi dada por um órgão superior.

Irei voltar para pagar uma entrada da primeira prestação de 130 euros, e vou passar a pagar todos os meses o saneamento automaticamente a partir do momento que pague essa prestação.

Só espero que quando vá ao serviço devido ao facto de estar a pagar tenha um melhore atendimento pois também vai ser o meu grão de areia que anda a pagar o salário ao funcionário.

E assim vai uma função pública em Portugal embora privatizada ou o que seja mantém os mesmos vícios.

Paulo Santos

Samorinha (Pequena aldeia trasmontana)



[1] Sempre gostei de dizer mar, mer em francês pois é feminino. Em que no meu inconsciente ou consciente sou eu que penetro mas nunca domino. Muito mais tarde esse La mer aumentou de significado pois Debussy, interpretou sonoridade dessa mer dando sonoridade e sonhos levando-me a uma abstracção prolifera e como La mer nunca a sinto e vejo igual cada vez que estou perante ela.

[2] Anos mais tarde na televisão nos anos oitenta a RTP1 nas suas matinés de sábado passava a Ester Wiliams e a imagem da minha mãe na altura ausente que ganhava a vida em frança fazia-me recordar de piscinas em África e de uma vida que tinha desaparecida, íamos a banhos também ao tanque de rega mais próximo cheio de girinos e limos rãs cobras, etc.; que não deixava de ser uma descoberta refrescante em plena “harmonia” com uma bicharada que bem cedo aprendias como cresciam e como viviam e acima de tudo respeitavas pois bem sedo aprendias que se por alguma coisa estavam lá por alguma coisa era. Mas também vi todo o Tarzan com a sua Chita talvez e este talvez com muita ironia o melhor actor do filme pois sendo um macaco foi o travesti que mais bilheteiras enganou passando por macaca, e imaginar não darem menduís ao macaco para ficar descalcificado ou com uma queda de pulso dá-me uma vontade de rir (coisa que não aconteceu); e Jaine, que falava também de uma África, mas de uma África que tu próprio já não acreditavas nela pois conhecias já essa África com tantas realidades mas como historia era óptimo para tardes de Sábado.

[3] Quem ler estes textos vai encontrar brincadeiras com nomes ou erros incompreensíveis a escreve-los mas quando escrevo nomes dou erros que até eu fico atónito, mas deixo-os ficar, mas quando a minha voz os pronuncia gosto de pronunciar como são.

[4] Todos os nomes embora compreensíveis são escritas numa forma errada que não comprometam o nome comercial, pois não tenho direito para pagar direitos de autor. Ou simplesmente uma brincadeira com nomes que é tão divertido.

[5] Simone de Oliveira que sempre esteve presente ou em vinil em CD, mas nunca em cassete pirata em que numa primavera da vida em que eu sol radioso na alegria senti na pele a perda do sol luminoso continuei sol de inverno em que para admiração da minha dor ela cantava o que seria por muito tempo o meu hino de milhafre ferido, Hino onde dava voz com palavras a minha voz que não queria falar. Grande senhora a quem tenho que dar o meu muito obrigado.

As vezes deixar de amar e morrer, ..... fazer luto e ressuscitar. E cada um vive esse silencio há sua maneira, mas tem de ser vivido para poder renascer para o amor.

[6] De travesti, mas não associando esta ideia só ao sexo mas a uma dimensão muito maior pois esta metamorfose (travestida) incorpora toda uma zoologia ou vegetalícia, em que filiação, identidade, incarnação dão ao corpo uma nova identidade e significado.

[7] R. nome de um ser que foi o meu grande amor que sempre me dizia que era fiel, mas com o tempo tudo eram infidelidade e jogo em todos os aspectos, e na manha em que no seu olhar a mentira acordara definitivamente na nossa cama pois o seu olhar tinha mudado aos meus olhos pois a inocência se tinha esfumado e jogava ao teatro dos inocentes numa representação pouco convincente vi que o meu amor aprisionava e era tempo de deixar voar o pássaro apesar do sofrimento de o ver voar.

Estas segunda parte destas crónicas Africanas abreviadas são sinal disso mesmo começando na despedida em Madrid que o levou para África em trabalho, e eu visitando-o com regularidade para ser mais preciso 3 viagens de 3 meses mais ou menos cada, em que dois anos depois punha um ponto final com uma atitude um pouco louca da minha parte resultado de uma palavra que fez trasbordar a água do copo da relação que era uma fachada em frente aos amigos. E como todos os finais de historias de amor ate se atingir o fim passamos por vários picos experimentais de desconstrução resultado de guerrilha de alcova em que se desconstroi a relação e a existência. Se o sentir fosse pautado por notas musicais fomos actores e intérpretes de uma Opera em que passamos por todos o tipo de sentimentos Tonais e Atonais. Com juba e sem juba. Palhaços do verbo amar.

[8] Franco Céfa moeda em circulação na costa do marfim.

[9] Medicamento preventivo contra o paludismo.

[10] Se escrevo como escrevo português imaginem o inglês, mas já pedi desculpas no inicio pelos erros.

[11] Ao escrever Marlene D. refiro-me a Marlene Dietrich. Ícone do Séc. XX que dispensa apresentações e descrições e calculo que ao falar de sobrancelhas conseguem visualizar as sobrancelhas de La Dietrich.

[12] Através da harmonia do corpo, corpo que alem do animal físico é lógico, (mental, racional) e espiritual sendo este todo a imagem do homem.

[13] Não vou falar da sociedade esclavagista, nem da situação da mulher na sociedade grega, tomo o sentido grego dos jogos para analisar os jogos hoje em dia , pois os próprios jogos a meu ver do passado só tem a chama o nome e a ideia de união.......mas continuemos sem ser no rodapé mas na parede da folha de papel, .....papel??. Ou ecrã ou qualquer outro suporte onde estejam estas palavras escritas, impressas.

Como nunca fui pretensioso a minha pretensão com o que escrevo é somente expressar, ter opinião, opinar nas diferente pis já chega o ão, ão de tantos ão que escuto há caravana que passa, e lá passa a caravana e fica o eco do ão, e por muito que goste de cães, nunca gostei de atirar palavras ao vento, e sei que estas ao vento não andam a ir. Ficam escritas podem ser transmitidas. lololol mas não deixa de ser um ão, ão...... ão. Não se assistem eu não mordo.

[14] Uma livraria de sonho é por exemplo a livraria Lelo no Porto onde comprei a tradução do Cesariny sobe o titulo “Uma Cerveja no Inferno”

[15] A nível amoroso não sou ciumento,

por muito que digam que sim.

Infidelidade feitas com o corpo

não me deixam o corpo e a mente em lamentos

desvairado nas areias do grito da ferida ,

que dessas não habita em min.

Mas infidelidade no sentimento

Gume cortante da destruição,

Ai viro bicho, aguilhão pungente

Que com mesma dor terei que penetrar

E do amor viro lamina de espada, sem lamento.

Terei que ferir quem a min feriu

E nessa sim suprema traição

Exijo a fidelidade da separação

Pois quem dizendo quero estar

E na cabeça tendo outro pensar

Que saia da gaiola do verbo amar

E não prenda quem também tem asas para voar

Num jogo de hipocrisia agonizante

Transformadora de tormentos

Não sou peluche ursinho do bom dormir

Amar é grito interior

Eco infinito sempre a florir

Mesmo na distancia há o verbo calor.

Acredito no amor que renasce

Não no féretro que da bom dormir

Por muito quente que seja o abraço

Alma gélida

Frio acaba por te encobrir.

E companhia amorosa e compartida

Não é comprada por míseros tostões

Prefiro ser mendigo na vida

Ter um horizonte finito

Que escravidão da compaixão

Das tuas ilusões.

Ter por companhia a solidão

Que hipocrisia do teu amar

Amar é abrir a porta

Não é testar sempre a chamar.

Na mentira crónica do teu respirar

Em que olhar desmente o verbo

Gelo verme que faz agonizar

São esses amores que minha alma teme.

[16] Para ter uma visão de guerra não precisava ouvir Messiaen, pois sou refugiado ou fui de guerra, refugiado dentro do meu próprio pais que tem o dom esquecimento, ou a falta de visão em por em pratica a constituição. E sendo português fostes refugiado de guerra em Portugal.

[17] Uso o termo Banda como grupo colectivo que segue uma linguagem musical mesmo havendo vários instrumentos diferentes compõem um todo.

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