domingo, 23 de maio de 2010

Recordar a infancia, momentos


Devido a diálogos sobre passado, hoje decidi escrever sobre esse passa do, houve um tempo não longínquo em que depois de ter vivido numa cidade, metrópole florescente que depressa a guerra demonstrou que ate o florescer de uma cidade qualquer guerra pode danificar estruturas, fomos viver para uma aldeia remota em trás-os-montes, lembro-me que na cidade um prédio era um edifício, e ali naquela aldeia um prédio era um campo de cultivo, terras de cultivo minifundiárias que abasteciam a aldeia de tudo. Criavam-se animais, cultivava-se a terra ai o sino dolente marcava as horas do dia e a existência parecia compassada a rifemos de ave marias, e se Maria era a mais cantada na igreja marias eram muitas raparigas que uma senhora sempre é uma rapariga desde que essa moça exista dentro dela, e atrás das saias a brincar andavas a correr atrás da Maria, era uma Maria que te olhava com carinho, era uma Maria que te escutava ou com ela brincavas, e depois havia outros nomes que compunham o reportório.
Nessa aldeia naqueles tempos parecia um poema do pessoa, havia harmonia, brincava-se aos cobóis, o tanque de rega era o fosso do castelo, ou a tábua que punhas no meio entre as suas paredes era a prancha do barco do capitão gancho que transformavas em trampolim e eras uma Ester Wiliams entre rãs a coaxar.
Os morangos cresciam a volta do tanque, e a agua do tanque era a vida da horta, nunca tive jeito para a agricultura por muito que me esforçasse mas la cresciam as coisas mais por mérito dos avos ou da mãe que do teu, nessa época para o teu tamanho, lá ias fazendo pelo menos aprendias ao ver a arte da horta.
E havia um dialogo permanente ente natureza e quem a cultivava.
A aldeia era distante tudo era distante a civilização era distante, a electricidade apareceu e com ela o alcatrão que cobriu a calçada, o telefone, e gradualmente o frigorifico, a tv, mas o curioso é que havia sempre um rádio ligado de alguém, do vizinho que ouvia os folhetins, ou o terço, e musica pouca ouvias, e se ouvias eram aqueles despojos em vinil que trouxestes da cidade onde viveras um dia, e ai parecia que a musica ficara congelada.
Terminada a quarta classe ingressas num seminário e ai a cidade esta perto mas esta longe, sabes que por detrás daqueles muros existe uma cidade, existe um respirar, mas tu vives dentro do muro, distante da família ali estavas eras dos poucos que ate o fim-de-semana passavas la, depois com a convivência ouve colegas que la pediam aos pais para me levar pois ia ficar sozinho, e assim la tive as minhas fugas.
Nessas fugas acontecia de tudo e tudo novo, fui há caça coisa que nunca tinha ido mas gostaram tanto da minha companhia que decidiram nã voltar a levar pois espantava toda a caçaria, para certos caçadores tinham sido a única vês nas suas histórias de caça que nunca tinham caçado nada nem para amostra,  no dia seguinte la voltaram eles há caça mas eu ficara para trás.
Fui ao meu primeiro jogo de futebol num campo que para surpresa minha saímos todos a correr pois houve zaragata e aquilo virou campo de pugilismo.
Fui ao meu primeiro comício de um partido, levado por um pai de um amigo que decidira levar-nos ao comício e ficamos assim a saber quem era Sá carneiro, se me perguntarem que discurso fez não me lembro lembro-me de passar perto de nos que estávamos entretidos num canto sei que parou olhou para mim e começou a falar comigo, acho que me cumprimentou, e os maiores lá continuaram nos seus afazeres e nos fomos levados para o jardim,
A casa era bonita lembro-me disso e o jardim que parecia grande e se calhar não o era, pos as escalas vistas por mim nessa época tudo era grande, depois quando voltei aos sítios, dei-me conta que tinha na memória tamanhos que afinal não correspondiam com a realidade.
O engraçado é que tive o mesmo problema com pessoas, pessoas que me pareciam altas, grandes, com o tempo quando voltei a velas dei-me conta que eram ou da minha altura ou mais pequenas, ou raramente maiores, e só ai dei-me conta que apreendemos o mundo do ponto de vista a que estamos habituados a vê-lo, e cada um tem a sua escala particular associada com o seu tamanho. E se es pequeno o mundo parece grande e se és grande este parece pequeno.
Depois bem nesses fins-de-semana solitários de seminário onde a missa matinal era o único momento onde vias caras estranhas pois iam assistir lá há missa, ou grupos de jovens que iam fazer cursos matrimoniais e como te viam pelo jardim ou pela quinta solitário com o livro do Asterix ou do tintin la se metiam contigo, e sem saber parecia que também andavas a fazer cursos matrimoniais, mas comia sozinho ou um irmão ou um padre lá vinham sentar-se no refeitório grande vazio onde comias solitário numa mesa e eles na mesa dos tutores.
As aulas era mistas íamos a escola normal, mas no seminário, o seminário tinha alugado salas qonde a escola estatal lesionava o programa, só depois comecei a ter aulas no colégio dito privado.
Mas no seminário não éramos senhor do tempo éramos senhores da fuga dentro daquele tempo, havia o tempo do acordar sempre ao  som da musica, a higiene, a oração , a das aulas, o tempo todo era marcado por um horário, e quando as novelas começaram a ser polémicas e o tempo depois do jantar era dado como momento livre depressa fomos impedidos de ir para a sala de televisão,  e ai Sónia braga nesse Dancingue Daisi, ou como se chamava deixara de existir mas ela continuava na memória ninfeta.
Do que falava a novela não sei lembro-me dela e como foi achado que era uma novela devassa depressa foi fechada a sala, e com isso ate as noticias, e lá ias para o jardim ou lias nun canto as aventuras dos cinco e outros livros, e um dia naquela biblioteca infantil e devido a uma professora de português que tinha pedido para fazermos uma biblioteca de turma onde cada um levava um livro e fazia uma redacção a partir do livro, que depois era passada a outro colega e assim la ias lendo livros curtos, e fazendo composições, mas ai nessa biblioteca nessas trocas lembro-me do meu Pé de Laranja lima lembro-me de chorar e chora ao ler o livro emocionado e de ter ouvido um raspanete pois entregara uma folha em branco ou antes manchada com as lágrimas da leitura, para mim aquela era a maior composição que fizera até então, mas não foi entendida como tal, ouvi um raspanete, mas para mim era a composição sobre um livro que me emocionou e palavras para que quando elas estão já naquele livro. O e melhor resumo que aquelas manchas aqueles vestígios ha cerca de um livro que me fizera chorar sonhar, procurar carinhos, e estar só mas em camaradas enormes.
Mas depois comecei a escrever, mas fazia poemas ou pretensões a poemas sobre o que lia naquelas leituras, e divertia-me imenso em trabalhos manuais e desenho, havia musica independentemente das aulas de música que tínhamos no seminário, mas naquelas aulas so me lembro de cantarmos uma música ribatejana. E éramos introduzidas a leitura ha partituras.
Era aluno mediano com excepção das disciplinas que me motivavam, lembro-me ter problemas a matemática que so foram resolvidos mais tarde pois um professor deu-se conta de qual era o meu problema e no princípio de uma ala explicou-me aquilo de uma forma que sai dão patamar em que estava para ser ate bom aluno bem as vezes quando gosto exagero pois lembro-me que me divertia imenso a fazer exercícios de matemática.
A português sempre dei erros, na primaria os ditados eram terroríficos não pelos ditados mas pelo temor da régua e da palmatória que depressa deixou de usar mas tinha que escrever ad quase infinito cada palavra e ali estava eu.
Mas também fiz das minhas, bem não por querer mas acontecia. Lembro-me que ter sido expulso e so não levei processo disciplinar pois o padre que era encarregado foi falar com a professora vista a coisa agora aquilo eram coisas da idade, todos tínhamos canetas bic, e o divertimento era o concurso que havia entre colegas de quem rilhava as canetas primeiro, eu rilhava mas nunca devorei nenhuma como vi fazer a colegas e sempre tinha a preocupação de deixar a tampa pequenina por muito que rilhasse ou fizesse por isso depois de rilhar colocava a tampinha, numa aula de estudos Sociais, comecei a ter comichão no nariz, primeiro coças depois o dedo e como a comichão não parava decidi coçar com a caneta, a comichão passou mas quando tirei a caneta dei-me conta que a tampinha tinha ficado no nariz e se respirava entrava, como entrou, em pânico e assustado, comecei a soar-me para um lenço mas como o assoar não parava e eu queria era que a tampinha saísse, comecei a dar nas vistas e a professora mandou-me parar expliquei-lhe o que se tinha passado que estava com a tampa no nariz, e a minha voz tornara-se nasalada, ela se entendeu não devia entender, começou aos berros, eu não entendia nada só queria que a tampinha saísse e não saia, expulsou-me e disse que as coisas não iam ficar assim, bem o certo é que mal ma vi fora da sala funguei tentei tirar a tampinha metia a ponta do lenço e nada ia sempre para dentro.
Vou para o seminário que durante esse período estava praticamente vazio pois estávamos nas aulas e o irmão encarregado ao ver-me surpreendeu-se, e lá tentou ajudar o certo e que a tampinha não saia. Fui lá para um sítio e sentou-me em cima de uma mesa e espreitava para dentro do nariz mas não via nada, bem passado um bom bocado depois dele me dizer funga, disse vou buscar uma coisa que tenho no quarto que pode ajudar.
Saiu e quando regressou ainda eu fungava e assoava-me para ver se saia a tampinha, e a tampinha nada, ele entrou e disse fui buscar o meu clister, talvez ajude, encheu de água e enfiou a ponta que estava presa a uma torneira que por sua vez estava ligada ao reservatório da agua, e enfiou aquilo pelo nariz e ligou a agua, bem olhem não chorava como não chorei mas a agua essa engasgava ele com o cano forçava a tampa com a ajuda da agua, e aquilo demorou ainda um tempo, só depois de uma pausa e lembro-me que ele disse isto esta difícil acho que vamos ao hospital, comecei a espirrar e saiu a tampa.
Nem calculam a felicidade que tive ao ver a tampa no chão.
So soube anos depois para que servia o mecanismo do clister, ainda bem, mas no dia seguinte soube que tinha um processo disciplinar, ia haver uma reunião, e para minha sorte ainda bem que o encarregado de educação era o irmão que me enfiou o clister pelo nariz.
E as coisas la foram solucionadas, lembro-me que em estudos sociais nunca mais rilhei canetas, nem fazia nada a não ser estar com atenção ou fazer o que tinha que fazer.
Mas tinha sobre mim sempre já a fama do destabilizador, e para surpresa e durante o ano acho que a Prof. Deu-se conta que aquilo foi algo que aconteceu, tinha sido um acidente, e lembro-me que ela um dia pediu para ficar no fim e dizer-me sabe as vezes nos também não temos os melhores dias, eu lembro-me que no silencio característico dizer como a todos, v ala acho que exagerei, eu ai lembro-me pedir desculpas e disse foi tudo pela tampinha da caneta, ela ai interrompeu-me e disse vai la para o intervalo mas podes participar, é que estas demasiado calado. E lá sai eu, para o recreio falar com o único amigo que tinha.




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