domingo, 16 de maio de 2010


Dom Giovane segundo Saura


Don Giovani faz parte da cultura e do imaginário do ocidente e das culturas torna-se um personagem universal, tantas vezes revisitado, ou a partir dele inspiração para novas abordagens, conheço vários Don Giovani em varias formas expressivas, Mazoke aborda o tema de uma forma diferente, Saramago também aborda o tema embora não conhecendo o seu libreto que também deu origem a uma opera, mas ainda tenho na memoria a trasmição salvo erro em directo que a antena dois fez e escutei atenciosamente mas em directo ou diferido ainda me lembro dela, que segundo recordo é um Don Giovani arrependido, bem como outras abordagens.
Mas nesta abordagem temos a opera e o fazer-se um libreto como forma condutora para nos revelar o Don Giovani, servindo-se do pretexto da construção da obra para nos introduzir há obra e assim nos mostrar o processo criativo da sua construção onde se confrontam duas ideias distintas de don Giovani o segundo Casanova e um don Giovani arrependido segundo da ponte, e para mim os diálogos ais interessantes do filme são os diálogos entre estes dois personagens.
Lorenço da ponte o libertista que partindo da vida dão Casanova se apropria da ideia de um Don Giovani Casanova para o transformar num Don Giovani segundo da ponte que passa a ser ele eso um Don Giovani arrependido.
Mas este dom goiovane é um don giovane segundo Dante, se Dante descobre o céu com o seu amor ladrão que lhe rouba o que tem de mais precioso, desce aos infernos há procura do seu tesouro, Beatriz é a mulher nos infernos que servindo-se das artimanhas do amor e da paixão introduz Dante no inferno pelo roubo. Aqui Don Goivane é inverso. Dante depois da perda coloca a mulher entre o pó da cima do armário inatingível distante do leito pois é a ladra que o condena.
Se a libertinagem para muitos é a conquista dos infernos, aqui a não libertinagem é a conquista também dos infernos a amada sai do cima do armário deixa de ser o pó para os pulmões para se tornar companheira, neste sentido temos em confronto duas ideias centrais da cultura do ocidente em confronto e esta sim base de toda a cultura o confronto das duas Eva ou antes das três. Onde o próprio don Giovani por vezes se transforma na Eva, pois o ocidente na sua cultura não descarta a ideia de Eva e masculino. E se estas três hipóteses existem falta-nos o libreto de uma dona Joana em feminino e as suas fugas possíveis tema ele interessante para se explorar o imaginário feminino bem como os confronos e os não confrontos da historia do sexo e a forma de lidar com as intimidades e os acasalamentos bem como os preconceitos culturais entre homem e mulher.
Mas este don giovane é um homem preso, preso no palco e preso na tela do cinema se repararmos a cenografia é elemento estruturante da obra onde a teatralidade o palco é ela própria elemento linguístico, e a posta em cena vista pela objectiva de saura nos dá a ver a forma de observar e se apropriar para através dos seus pontos de vista nos dar uma através da construção do libreto um D. Giovani arrependido.
 Se Lourenço perseguido descobre o D. Giovane arrependido, Casanova o libertino transformasse no escritor de memorias inacabadas, ou antes é o fazedor de listas da biblioteca ainda não escrita mas apenas desenhada que falta escrever, fazendo assim as listas dos tomos, a lista das amantes, a lista dos percursos as listas as eternas listas que são também elas bases da cultura, listas dos andamentos dos preceitos das paixões da razão da não razão, das virtudes, dos pecados, dos confrontos e das contradições, o homem que persegue a enumeração como forma de contraponto tornando-se assim Casanova no contraponto da narrativa do do saura, um contraponto que nos apresenta o próprio confronto de duas Eva em masculino. A antiga Eva Casanova a nova Eva lorenço da ponte.  Se usarmos uma linguagem religiosa Casanova é a personificação do antigo testamento o judeu convertido mas maçon o novo Hebreu, que transforma um dos triângulos dos mistérios divinos no compasso do grande arquitecto, e é assim em contraponto desta imagem de Casanova que vemos aparecer um Don Giovani arependido que tira do seu pescoço o compasso e o esquadro (triangulo) para se esconder segundo Dante a trás da cruz. Descobrindo assim os infernos ou os céus segundo o ponto de vista.
Casanova é esse contraponto, é quem conduz e leva ao parir o Don Giovani arrependido sem se esquecer de dizer salva-o, e o novo Don Giovani surge-nos como o homem que se quer submisso o egoísta, “todo o homem que ama só uma mulher é um egoísta”, podemos dizer que é o confronto entre u deus e o seu filho, um casa nova e o novo Casanova, sendo o novo Casanova o dual se diabo é deus, perguntando-me até quando o arrependimento da libertinagem, ou ira fazer o percurso tradicional do libertino de novo da conversão ao pecado segundo o Dante e não o Dante inverso? Mas Casanova é  essa passadeira em branco e preto que através do dialogo vai listando o percurso para um D. Giovani arrependido que é o próprio Da Ponte, e ate quando esta conversão.
Este dom Giovani deixa de ser libertino para ser o confesso, pois acho que todo o libertino só se  torna confesso por indução pavloviana, a libertinagem e outra das vias para se conhecer o percurso, o que não quer dizer que qualquer libertino não se possa cansar da libertinagem..
Mas este filme levanta questões interessantes, se toda a obra de Mozart é iniciática, todas as operas, dele o são, por vezes be mais interessantes que os textos sagrados, e se nesta apropriação de saura ele tenta abordar também o tema da maçonaria, acho que nos faz falta ou antes ainda não se pegou nas inúmeras formas do pegar no texto da flauta magica e através dele se recriar toda a iniciação, que Mozar tem implícita em toda a sua obra onde a própria figura do Mozart pode ser entendida como a do maçon distraído o que não deixa de ser divertido, se nos questionarmos se este se dava conta ou não da carga simbólica dos sua obra associada há maçonaria e vemos assim aparecer um novo Mozart, quando sei que a flauta magica vai a Sena sempre tenho a ambição de ir para a casa que a vai representar e pedir para acistir a preparação de a por em cena e aos confrontos para as descobertas a que os personagens são introduzidos para vermos assim nascer essa flauta magica. Esta sim também ela outra obra para através da leitura e fabula ou antes da mentiras convenientes se descobrirem as verdades inconvenientes. A obra como processo metafórico que tendo uma verdade como base se serve desta para recriar através da mentira uma nova obra, transformando pela fábula, metáfora e verdades inconvenientes, onde a leitura dessa verdade se apoia na figura de estilo fabulada ou metafórica para falar de verdades parecendo mentira, transformando assim a mentira na verdade e a verdade na mentira.
Mas saura nos seus files é conhecido pela banda sonora, lembro-me do Goya, dos Tangos, ou do Fado, onde musica se une há imagem para criar um todo como se dizia nasce a opera, mas neste século do cinema ou nasce o sonoro, já há quase um século tornando-se assim o cinema nessa opera enclausurada, que não val a pena publicar CD pois o Mozarte já tem inúmeras verções, e nesta sociedade de consumo diríamos tem direito a CD ou não tem direito a CD, mas como o sonoro já criou o direito ao CD da banda sonora, acho que o interessante é redescobrir-se a musica do mozart, e fechar os olhos recriando Don Giovani como o queiramos e sonhar acho que ainda é o sonho democrático de todo o libertino, para nos e cada um há sua maneira dar lugar as suas tocatas em fuga da imaginação e se não fosse a banda sonora original esta banda sonora é o Mozart na sua mutilação a nível muzical, mas interessante na forma como é filmado, pois Saura como em anteriores filmes parte da premissa do teatro já clausura para o captar segundo a sua visão enclausurando-o de novo num plano. Mas o parir um filme  , não deixando de ser essa arte total com o cunho do realizador que nos da a ver o seu olhar a obra ou antes a sua variação, o seu gosto, a sua pretensão, dando oportunidade a que possamos fazer divagações  individuais mas estas já tem a forma de ver do realizador como ponto de partida, uma fuga a fuga indo ao seu encontro ou opondo-se a esta. Podemos dizer o efeito leque segundo uma canalização ou o anti-leque. O cinema o palco que na clausura plana bidimencional induzida através das planificações, nos da a ver mensagens e leituras já sugeridas pelo olhar de quem a faz através de uma abordagem já ela própria enclausurada por um modo de a interpretar nos é apresentada para nos através daquel olhar a poder interpretar,  o espetador observador interpreta assim a variação criando a variação da variação.
Aqui Saura também da a sua interpretação numero das amantes para não falar dos descendentes para o seu Don Giovani, o próprio Eco tem o seu numero, mas como todos os Don Giovani cada um guarda para ele o seu numero.
Se repararmos a libertinagem é a grande história da cultura, e todas as interpretações do don Diovani não deixam de ser interpretações de quem decide visualiza-las. Mas se calhar ninguém tem o nuero o numero é sempre hipotético, segundo a versão, Sade não deixa de ser também ele um Don Giovani com o rol das amantes, todo o s. Paulo tem os seus aguilhoes secretos que ele não diz, todas as culturas tem os seus Don Giovani há sua aneira, mais sacralizados menos sacralizados. Repare que todo o libertino tem por vezes um percurso acidental na libertinagem, ficando a dúvida na história pois toda a historia é a interpretação de quem a escreve uns mais arqueólogos outros mais ficcionais mas ambas as variantes ou das hipotéticas variantes na investigação não são detentoras da verdade.
É Don Giovani é sempre uma historia de procura da verdade, uma procura na descoberta pelas amantes.
Como diria um amigo meu olhem versões cada qual faz as suas interpretação há sua maneira, para chegar há conclusão que afinal o Don Giovani é o personagem menor na historia sendo o processo de saber o numero das amantes a verdadeira historia e essa só a sabe o Don Giovani,
Mas esta questão do Don Giovani levanta novas hipóteses interpretativas neste momento ando a escrever sobre um tema religioso, que ate vai ao encontro do Don Giovani, e se Cristo foi um libertino, que tipo de libertino seria, produto do assedio sexual, um libertino segundo Sade, Mazoke, ou por conveniência, ou um libertino dependendo de cada um desde que pense no assunto. Pondo em causa a vida não contada do Cristo.
Mas depois esta hipótese poria em causa, outras variantes, o capitalismo associa o termo libertino a Playboy.
E podemos depois levantar a questão do libertino e o sagrado, etc….

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