Dom Giovane segundo Saura
Don Giovani faz parte da cultura
e do imaginário do ocidente e das culturas torna-se um personagem universal,
tantas vezes revisitado, ou a partir dele inspiração para novas abordagens, conheço
vários Don Giovani em varias formas expressivas, Mazoke aborda o tema de uma
forma diferente, Saramago também aborda o tema embora não conhecendo o seu
libreto que também deu origem a uma opera, mas ainda tenho na memoria a trasmição salvo erro em directo que a antena dois fez e escutei atenciosamente mas em directo ou diferido ainda me lembro dela, que segundo recordo é um Don Giovani arrependido,
bem como outras abordagens.
Mas nesta abordagem temos a opera
e o fazer-se um libreto como forma condutora para nos revelar o Don Giovani,
servindo-se do pretexto da construção da obra para nos introduzir há obra e
assim nos mostrar o processo criativo da sua construção onde se confrontam duas
ideias distintas de don Giovani o segundo Casanova e um don Giovani arrependido
segundo da ponte, e para mim os diálogos ais interessantes do filme são os
diálogos entre estes dois personagens.
Lorenço da ponte o libertista que
partindo da vida dão Casanova se apropria da ideia de um Don Giovani Casanova
para o transformar num Don Giovani segundo da ponte que passa a ser ele eso um
Don Giovani arrependido.
Mas este dom goiovane é um don
giovane segundo Dante, se Dante descobre o céu com o seu amor ladrão que lhe
rouba o que tem de mais precioso, desce aos infernos há procura do seu tesouro,
Beatriz é a mulher nos infernos que servindo-se das artimanhas do amor e da paixão
introduz Dante no inferno pelo roubo. Aqui Don Goivane é inverso. Dante depois
da perda coloca a mulher entre o pó da cima do armário inatingível distante do
leito pois é a ladra que o condena.
Se a libertinagem para muitos é a
conquista dos infernos, aqui a não libertinagem é a conquista também dos
infernos a amada sai do cima do armário deixa de ser o pó para os pulmões para
se tornar companheira, neste sentido temos em confronto duas ideias centrais da
cultura do ocidente em confronto e esta sim base de toda a cultura o confronto
das duas Eva ou antes das três. Onde o próprio don Giovani por vezes se transforma
na Eva, pois o ocidente na sua cultura não descarta a ideia de Eva e masculino.
E se estas três hipóteses existem falta-nos o libreto de uma dona Joana em feminino
e as suas fugas possíveis tema ele interessante para se explorar o imaginário feminino
bem como os confronos e os não confrontos da historia do sexo e a forma de
lidar com as intimidades e os acasalamentos bem como os preconceitos culturais
entre homem e mulher.
Mas este don giovane é um homem
preso, preso no palco e preso na tela do cinema se repararmos a cenografia é
elemento estruturante da obra onde a teatralidade o palco é ela própria
elemento linguístico, e a posta em cena vista pela objectiva de saura nos dá a
ver a forma de observar e se apropriar para através dos seus pontos de vista
nos dar uma através da construção do libreto um D. Giovani arrependido.
Se Lourenço perseguido descobre o D. Giovane arrependido,
Casanova o libertino transformasse no escritor de memorias inacabadas, ou antes
é o fazedor de listas da biblioteca ainda não escrita mas apenas desenhada que
falta escrever, fazendo assim as listas dos tomos, a lista das amantes, a lista
dos percursos as listas as eternas listas que são também elas bases da cultura,
listas dos andamentos dos preceitos das paixões da razão da não razão, das
virtudes, dos pecados, dos confrontos e das contradições, o homem que persegue
a enumeração como forma de contraponto tornando-se assim Casanova no
contraponto da narrativa do do saura, um contraponto que nos apresenta o
próprio confronto de duas Eva em masculino. A antiga Eva Casanova a nova Eva
lorenço da ponte. Se usarmos uma linguagem
religiosa Casanova é a personificação do antigo testamento o judeu convertido mas
maçon o novo Hebreu, que transforma um dos triângulos dos mistérios divinos no
compasso do grande arquitecto, e é assim em contraponto desta imagem de
Casanova que vemos aparecer um Don Giovani arependido que tira do seu pescoço o
compasso e o esquadro (triangulo) para se esconder segundo Dante a trás da
cruz. Descobrindo assim os infernos ou os céus segundo o ponto de vista.
Casanova é esse contraponto, é
quem conduz e leva ao parir o Don Giovani arrependido sem se esquecer de dizer
salva-o, e o novo Don Giovani surge-nos como o homem que se quer submisso o
egoísta, “todo o homem que ama só uma mulher é um egoísta”, podemos dizer que é
o confronto entre u deus e o seu filho, um casa nova e o novo Casanova, sendo o
novo Casanova o dual se diabo é deus, perguntando-me até quando o arrependimento
da libertinagem, ou ira fazer o percurso tradicional do libertino de novo da conversão
ao pecado segundo o Dante e não o Dante inverso? Mas Casanova é essa passadeira em branco e preto que através
do dialogo vai listando o percurso para um D. Giovani arrependido que é o próprio
Da Ponte, e ate quando esta conversão.
Este dom Giovani deixa de ser
libertino para ser o confesso, pois acho que todo o libertino só se torna confesso por indução pavloviana, a libertinagem
e outra das vias para se conhecer o percurso, o que não quer dizer que qualquer
libertino não se possa cansar da libertinagem..
Mas este filme levanta questões
interessantes, se toda a obra de Mozart é iniciática, todas as operas, dele o
são, por vezes be mais interessantes que os textos sagrados, e se nesta
apropriação de saura ele tenta abordar também o tema da maçonaria, acho que nos
faz falta ou antes ainda não se pegou nas inúmeras formas do pegar no texto da
flauta magica e através dele se recriar toda a iniciação, que Mozar tem implícita
em toda a sua obra onde a própria figura do Mozart pode ser entendida como a do
maçon distraído o que não deixa de ser divertido, se nos questionarmos se este
se dava conta ou não da carga simbólica dos sua obra associada há maçonaria e
vemos assim aparecer um novo Mozart, quando sei que a flauta magica vai a Sena
sempre tenho a ambição de ir para a casa que a vai representar e pedir para
acistir a preparação de a por em cena e aos confrontos para as descobertas a que
os personagens são introduzidos para vermos assim nascer essa flauta magica.
Esta sim também ela outra obra para através da leitura e fabula ou antes da
mentiras convenientes se descobrirem as verdades inconvenientes. A obra como
processo metafórico que tendo uma verdade como base se serve desta para recriar
através da mentira uma nova obra, transformando pela fábula, metáfora e
verdades inconvenientes, onde a leitura dessa verdade se apoia na figura de
estilo fabulada ou metafórica para falar de verdades parecendo mentira, transformando
assim a mentira na verdade e a verdade na mentira.
Mas saura nos seus files é
conhecido pela banda sonora, lembro-me do Goya, dos Tangos, ou do Fado, onde
musica se une há imagem para criar um todo como se dizia nasce a opera, mas
neste século do cinema ou nasce o sonoro, já há quase um século tornando-se
assim o cinema nessa opera enclausurada, que não val a pena publicar CD pois o
Mozarte já tem inúmeras verções, e nesta sociedade de consumo diríamos tem
direito a CD ou não tem direito a CD, mas como o sonoro já criou o direito ao
CD da banda sonora, acho que o interessante é redescobrir-se a musica do
mozart, e fechar os olhos recriando Don Giovani como o queiramos e sonhar acho
que ainda é o sonho democrático de todo o libertino, para nos e cada um há sua
maneira dar lugar as suas tocatas em fuga da imaginação e se não fosse a banda
sonora original esta banda sonora é o Mozart na sua mutilação a nível muzical,
mas interessante na forma como é filmado, pois Saura como em anteriores filmes
parte da premissa do teatro já clausura para o captar segundo a sua visão
enclausurando-o de novo num plano. Mas o parir um filme , não deixando de ser essa arte total com o
cunho do realizador que nos da a ver o seu olhar a obra ou antes a sua
variação, o seu gosto, a sua pretensão, dando oportunidade a que possamos fazer
divagações individuais mas estas já tem
a forma de ver do realizador como ponto de partida, uma fuga a fuga indo ao seu
encontro ou opondo-se a esta. Podemos dizer o efeito leque segundo uma
canalização ou o anti-leque. O cinema o palco que na clausura plana
bidimencional induzida através das planificações, nos da a ver mensagens e
leituras já sugeridas pelo olhar de quem a faz através de uma abordagem já ela
própria enclausurada por um modo de a interpretar nos é apresentada para nos
através daquel olhar a poder interpretar,
o espetador observador interpreta assim a variação criando a variação da
variação.
Aqui Saura também da a sua
interpretação numero das amantes para não falar dos descendentes para o seu Don Giovani, o próprio Eco tem o
seu numero, mas como todos os Don Giovani cada um guarda para ele o
seu numero.
Se repararmos a libertinagem é a
grande história da cultura, e todas as interpretações do don Diovani não deixam
de ser interpretações de quem decide visualiza-las. Mas se calhar ninguém tem o
nuero o numero é sempre hipotético, segundo a versão, Sade não deixa de ser também
ele um Don Giovani com o rol das amantes, todo o s. Paulo tem os seus aguilhoes
secretos que ele não diz, todas as culturas tem os seus Don Giovani há sua
aneira, mais sacralizados menos sacralizados. Repare que todo o libertino tem
por vezes um percurso acidental na libertinagem, ficando a dúvida na história
pois toda a historia é a interpretação de quem a escreve uns mais arqueólogos outros
mais ficcionais mas ambas as variantes ou das hipotéticas variantes na
investigação não são detentoras da verdade.
É Don Giovani é sempre uma
historia de procura da verdade, uma procura na descoberta pelas amantes.
Como diria um amigo meu olhem versões
cada qual faz as suas interpretação há sua maneira, para chegar há conclusão
que afinal o Don Giovani é o personagem menor na historia sendo o processo de
saber o numero das amantes a verdadeira historia e essa só a sabe o Don Giovani,
Mas esta questão do Don Giovani
levanta novas hipóteses interpretativas neste momento ando a escrever sobre um
tema religioso, que ate vai ao encontro do Don Giovani, e se Cristo foi um
libertino, que tipo de libertino seria, produto do assedio sexual, um libertino
segundo Sade, Mazoke, ou por conveniência, ou um libertino dependendo de cada
um desde que pense no assunto. Pondo em causa a vida não contada do Cristo.
Mas depois esta hipótese poria em
causa, outras variantes, o capitalismo associa o termo libertino a Playboy.
E podemos depois levantar a questão
do libertino e o sagrado, etc….

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