Hoje ao ligar o computador e como
faço habitualmente dou uma vista de olhos pelos jornais nacionais e estrangeiros,
na sala a TV transmitia em directo a recepção que o papa fez no CCB com os
representantes das artes destes pais, e no público abria o artigo “ E se A arte
voltasse a aceitar deus”.
E assim ouvi o discurso do Manuel
de oliveira, a dar as boas vindas e nas metáforas dos seus filmes falar da
contemporaneidade do presente português, acto de genuflexão, interessante
apesar da idade, mas com este discurso parece que toda a cultura deste pais ajoelhou,
perguntando-me se agora teríamos que rezar. Desculpem-me a brincadeira, mas
para mim toda a arte é sacra, toda a arte desenvolve as mesmas preocupações e
toda a procura artística inscrevesse num acto de sagrado onde o próprio profano
se integra pois o próprio profano chamado assim pois não conectado com nenhuma tendência
religiosa ela também se inscreve no sagrado da produção artística tendo o esmo
fim. A arte e o objectivo da arte sempre foi a morte de deus, fazendo sempre a
apologia de deus na arte, tendo sempre o objectivo e o desejo da morte de deus
e a sua divisão, se repararmos a arte dita sacra que reflecte a expressão religiosa
onde a encomenda tem pré requisitos para os fins pretendidos segundo a intenção
para determinado fim, sendo este questionável, pois a obra de arte tem sempre
um fim e um objectivo para existir até mesmo o que nos parece mais inocente
nunca o é, No final do século ou com o inicio do século XX ao proclamar-se a
morte de deus o que verificamos foi uma democratização da arte, isto é foi dada
oportunidade aos amantes das artes a possibilidade de poderem criar sendo ou
não artistas, se por um lado o artista dito como tal só o é pois é iniciado nas
artes, o amador parte da premissa do amador que tenta fazer arte ou atingir um
gosto pessoal de belo, e ai podemos ver correntes mais naifes ou já com repleção
estética tentando dar um cunho particular há sua produção tendo a repleção
sobre a arte como base do seu processo criativo.
Toda a arte religiosa se inscreve
dentro de uma doutrina de fé ou dita com
fé, servindo-se das artes todas elas para por em pratica o seu fim, se
repararmos todas as igrejas se obedecem a uma mensagem geral artística é cheia
de particularidades com as suas simbologias para lhe dar um fim, se nos dermos
conta dentro de uma igreja o que assistimos é quase a uma encenação operatica
onde assistimos através de um ritual quotidiano
há morte de deus, nos seus eternos ciclos do sempre eterno ritual, e
como é um ritual serve-se da escultura da pintura da musica da poesia e das
letras, dos gestos, para dar ao ritual toda uma roupagem que torne o acto
dentro de uma leitura própria consoante o local que se escolha mas a finalidade
de cada missa é a morte de deus e a sua distribuição como sempre foi, dando a aparência
de ele esta vivo, e esta pois se é distribuído todos passamos a ser portadores,
e como somos portadores dos fragmentos vestimo-nos arranjamos as casas criamos
sociedades e culturas para permitir que essa divisão seja duradoura, ai a arte
entra no profano, mas e a continuação do sagrado pois tudo tem o mesmo fim, a
moda o que mais não é do que defender a permanência através de jogos de tendências
para fazer com que permaneça duradoura essa divisão.
A decoração obedece aos mesmos requisitos
reflectindo estes princípios aroupar a casa segundo o objectivo de tornar algo
duradouro que a casa encerra.
E temos de ter outro factor em
conta pois se a morte de deus é cíclica e há um período, na divisão que passado
tempo o dividir e o perder ira forçar a que se tenha de unir para de novo
dividir e nestes ciclos de divisão e distribuição tendo a religião ou outros mecanismos
como agentes a arte e aqui todas elas são agentes importantes para se obter o
fim.
O que se discute na arte não é a
sua sacralização mas sim as tendências metafóricas para dar expressão artística,
o que se discute são movimentos e produções e finalidades, se repararem ao se
comprar uma peça de arte numa galeria esta obedece sempre a premissa o meu eu identifica-se
com este objecto, por isso vou compra-lo pois reflecte o meu eu, e integra-se
no meu gosto.
Quem faz ou tenta criar colecções
já obedece a outros princípios.
Numa igreja católica o que temos temos
toda uma simbologia que reflecte um credo que tem os seus símbolos e as suas
simbologias que por exemplo a católica parte da premissa de deus esta vivi mas
o seu objectivo é a sua morte e distribuição tendo a comunhão como forma de
comunhão simbólico de Deus, por exemplo a ultima ceia e a divisão do Cristo em
grosso. A via-sacra é a via da distribuição por detalho.
Se repararmos se por um lado o
figurativo necessita de toda uma simbologia que se integra numa linguagem para
dar forma ao todo e agora podia-se desenvolver a questão dos referentes dos códigos,
dos símbolos. O abstraccionismo afastando-se da figuração obedece ao mesmo
principio, onde se joga na mesma com a composição sendo mais emotiva ou em êxtase
no modus produtivo, onde gestaltismo faz parte da própria gramática produtiva
bem como as analises de cor que sempre foram preocupação, cor que consoante as
analises de positivos ou negativos assume ou o lado real ou o invertido.
Mas o século vinte trouxe novas
formas gramaticais na produção que deram origem a novas abordagem e géneros artísticos,
a tecnologia com a criação de tecnologias, chamemos-lhe assim de uma forma
geral para falar das tecnologias como maquina ou programa de softuer, a maquina
fotográfica ou câmara de filmar ou computador ou programa, etc., trouxe toda
uma nova gramática reciclando gramáticas produtivas anteriores para criar a sua
linguagem tendo a maquina como lápis de execução, uma linguagem so se torna
linguagem a partir do momento que se estrutura uma gramática, mas toda a gramática
é uma ferramenta para a criação artística, é neste sentido que as metáforas de expressão
ou as figuras de estilo que usamos se obedecem a uma gramática reflectem a
nossa expressão e a nossa forma de como lidamos com a linguagem artística sendo
ela qual for.
As ao ouvir o discurso do papa e
ao ler o artigo do publico acho que a pergunta é será que a igreja ira dar
liberdade ao artista perante a encomenda, e todo o belo obedece alem de uma
linguagem a algo associado com o gosto ou aos seus princípios pessoais, o próprio
conceito de belo se existe é sempre pessoal ou passa por um processo educativo,
há coisas que me dizem que bonito que é e eu acho pavoroso, não pelo tema mas pela forma de como o
artista se expressou, e nisto e como tudo uns fazem boas metáforas outros apreciam-se
da metáfora.
Eu gosto de abstraccionismo mas
quando vou com determinadas pessoas ver arte abstracta saio com elas com a
sensação de que falta uma sertã educação para que seja feita a leitura ou fazem
a leitura e simplesmente quando não se gosta do que se lê dizem não gostei.
O exemplo do vitral no artigo é
interessante um vitral pinta com luz e com as horas de luz segundo a orientação
que se integra numa linguagem de um todo, se repararmos a arte do vitral
integrada na arquitectura reflecte os ciclos que a cor pinta o interior quando
uma pessoa visita uma catedral gótica consoante a hora faz sempre leituras
diferentes pois se umas se apoiam no figurativo tendo a cor reflectida por meio
do sol consoante a luminosidade a leitura da obra altera-se pois é a cor que é
a base expressiva, se o vitral é abstracto, temos alem do factor lumínico como
forma de linguagem o meu posicionamento perante a cor que apreendo para a sua
leitura.
Mas tudo se insere numa linguagem
sendo a linguagem em termos latos a grande arte para a criação.
E acho que já me alonguei no raciocínio
mas decidi deixar o meu parecer

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