sábado, 27 de março de 2010

Imaginação e derivações



Vivemos numa sociedade onde tudo parece ser para ontem, o agora, o hoje parece ter desaparecido, terminamos o dia parafraseando o coelho do Alice das maravilhas “estou atrasado”, e acordamos com a mesma palavra nos lábios.
Ultimamente devido a um jogo, decidi rever o cinema oriental em especial a temática samurai, e descubro que lembrava-se a memória de Akira korosawa, e nestas coisas que navegar pela internet, descobres que da lista apenas te lembras de alguns. Acho que o Ram, faz parte do imaginário de quem gosta de cinema. Quando vi o filme pela primeira vez logo no inicio no  dei-me conta que era uma Macbet há oriente.
Bastante interessante muito pois raízes e troncos de uma cultura são sempre as mesmas, a forma de como lidamos com esse tronco ou essas raízes é que é diferente, parece um trabalho de jardinaria, temos uma árvore e consoante o passar do tempo vamos molda-la, poda-la consoante as alegrias e os humores de ter que conviver com aquela arvore plantada no jardim.
Mas dou-me a navegar pela net tentando visionar adaptações em diversas culturas sobre o mesmo tema.
E como não acho, começo a imaginar como seria uma Listrata Africana, ou no reino dos Talibans,  e como seria adaptar esse texto tendo o fio condutor o mesmo mas toda uma outra cultura e posicionamento na forma de expressão, se numa as conspirações eram protegidas pela nudes, noutra era a burca que ajudava a trama para toda a revolução sexual. E como estou a jogar o caminho do samurai, começo logo imaginar uma listrara japonesa infiltrada na casa real aliando-se as gueixas da corte, no segredo e na sombra do palácio treinando a arte da espada, há sombra dos cerejeiras a florir, enviando missivas secretas para as casas das lanternas para iniciar o boicote, e  a gueixa  rasga o kimono, veste a armadura  do andante, e q decide ser samurai e fazer o caminho, cantando na sua prenuncia o “se essa rua fosse minha” jogando com as simbologias do buchido e do caminho e as pedras da calçada  na arte do calcetar o caminho, onde cada pedra conta uma história nestes caminhos do tentar sempre caminhar, e dos caminhantes que posteriormente por ele vão passar.
Bem acho melhor parar porque começo já na deriva do caminho romano e da sua importância no ocidente, e estava a pensava nas gueixas a na princesa adaptando listrata.
Mas agora nisto do caminho e dos romanos, do caminho romano, faz-me lembrar a Yursenar e o seu Adriamo, cartas pedras, testemunhos, memorias vias de unir um imperador que transmuta, o caminho do seu caminhar, calcetando o ocidente, cartas caçada de um imperador que fala das pedras da sua politica do seu modus vivendis como ser nas intrigas da corte e da politica.
Mas podia ser a adaptação do caminho Paulino desses actos dos apóstolos onde o tabu e esse espinho. A pedra que trás sempre no bolço escondida, pois não tem coragem de a mostrar ao lado das outras da sua calçada.
E sem me aperceber já estou a adaptar outra peça noutra cultura com todo um contexto, onde quase só a essência se mantém.
E nisto de pensar e brincar com as ideias e as adaptações passo logo para outro texto, e depois outro, e pegando no texto do ocidente começo a despi-lo para volta-lo a vestir com panos e motivos de outras cultura.
Mas nisto de pensar as vezes viajamos para lonje, quando temos a aldeia e a nossa cultura, e começo a imaginar, listratas em trás-os-montes, vestidas de negro malévolas conservadoras, onde se mata há enxada pelos extremos, ou regatos de água.
Macbet num manto de leiras, partilhas onde se digladia na iluminação da lareira, com caras afáveis, onde as sombras projectadas nas paredes, contam histórias tenebrosas, onde a própria historia se faz no teatro das sombras que a corporalidade tenta desmentir e dissimular.
E já estou assim a imaginar uma produção onde há uma história e todas as sombras contam outra historia ao mesmo tempo, e ali nos interiores das casa sombrias a meia-luz ou nas sombras das fagulhas movendo-se e compondo uma historia todas as sombras projectadas contam outra.
Peter pan na terra do sempre onde cozeram as sombras aos corpos, mas estas tem formas de ser diferente, e durante a noite descose-se a sombra para a deixar livre, cozendo-a de novo a cada raiar do dia.
Pactos de claros-escuros.
E depois, bem depois de tanto imaginar decidi nem ver filme nenhum pois de um pretexto crio fugas do recriar que davam imensos filmes e histórias para contar.
É que pensar e reviver um conto as vezes na imaginação que é um tear, dou-me conta que novo tapete com padrão diferente falam do eterno motivo das artes dos fios a trancar no eterno dom do recriar e de como contar.

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