quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Pensamentos


Em primeiro lugar quero pedir desculpas a quem já estava habituado a acompanhar a minha página deste blogue. Neste momento acho que já me sinto com coragem de escrever o que visionei ultimamente, pouco mas visionei algumas coisas.

Se em comentários anteriores falava de tendências e referia-me a vampiros, homens lobo e zumbis, podemos dizer que destaca-se um outro tema quase transversal na cinematografia que estreou ou está para estrear, que é a abordagem da ideia de prisão, que forçosamente remete há viaje, e a fuga, a viajem por vezes assume um duplo significado, se por um lado a viajem é uma viajem física onde a paisagem torna-se significante do eu (personagem), por outro lado temos a viagem pelo interior do eu, onde analepses vão caracterizando o personagem em paralelo com o espaço físico. Nestes onde o tema prisão é abordado o espaço físico deve ser visto e interpretado como alem de um complemento onde decorre a acção um elemento de caracterização do eu do mesmo personagem, a paisagem danos complementos de personalidade, ajudando a caracterizar o personagem.
O interessante é que se analisarmos o cinema como arte vemos que neste momento tenta a induzir o espectador a fechar a tornar-se recluso, prisioneiro de si mesmo, jogo perigoso pois se continuarmos assim acho que aqueles que visionam filmes sem terem mecanismos de defesa para se salvaguardar dos efeitos indutivos poderão entrar num processo pavloviano de indução e nesse sentido se queremos ver o cinema como industria, podemos dizer que se entrar na abordagem argumental de destruição  de personalidades por indução em breve teremos a fuga dos espectadores das salas. Numa indústria que move milhões, se o espectador desaparecer pergunto-me se valerá a pena a realização de determinados filmes que em vez de atrair espectadores os afasta das salas.
Com isto não quero dizer que o cinema infantil é o futuro, na minha perspectiva nenhuma história infantil é construtiva, a cem por cento, na maioria dos casos essas historias se as analisarmos numa perspectiva psicológica tem um grande poder indutivo, se analisarmos o próprio conceito conto de fadas, conto que te fada, isto é contos de encantar que encantam nos prelúdios do sono pelas artes as crianças no seu sono que já indutivo, ajudará a criar personalidades.
Se repararmos hoje em partículas nestes últimos anos a preocupação nas histórias argumentos é fadar, isto é induzir pelos mecanismos das artes. Pois neste fado de fadar, esquecemo-nos que vamos criando um fadar comunitário, se analisarmos por exemplo O fado tão característico da cultura portuguesa, e a visão melancólica e saudosista do português, verificamos que tanto a sonoridade como a letra poética ajudou a caracterizar esta personalidade colectiva saudosista melancólica, iniciada já naqueles nevoeiros Sebastanicos, onde os lusíada é a semente iniciadora de uma poética saudosista, mas se os lusíadas quase que grita a um levantai-vos de novo, no seu esquema interior bem coma na maioria dos sonetos poéticos camonianos vemos já a semente da criação da ideia de fado saudosista, bem como desse destino que através da individualidade se torna colectivo.
Em relação ao fado, tantos analistas falam da influencia árabe na sonoridade e no canto, mas se começarmos a fazer conexões vemos já essas conexões ao mito sebastianico de Alcácer Quibir, a promoção do canto melancólico, o canto cantado pela alma onde a nostalgia essa saudade tão típica português germinada num dia de nevoeiro numa batalha em Marrocos.
Beijo de separação desse passado, nebuloso esperando na nostalgia o futuro.
Neste momento penso em Casa Blanca. Filme que nas entrelinhas fala, grita, em especial aos seres que sempre na diáspora olham para o futuro como esperança. Se repararmos Portugal, esta Lusitânia da paixão, esta em diáspora desde essa metáfora marroquina do Alcácer Quibir.
Mas o problema agora do português que recluso olhando o futuro da libertação, possa sofrer de anciã rápida e como todo o ser que ao renascer se torna ansioso, querendo que tudo aconteça depreca, cometa o erro de errar com as pressas das anciãs que esta a sofrer. Se repararmos veste momento a sonoridade do fado mudou, se liga ao saudosismo, essa vertente esta em mutação, tornou-se ligeiramente vadio ansioso, casa com tango em tangos rápidos perigosos, pois a intenção dos promotores deste tango era deixarem o luso de tanga.
Mas não deixaram, por muito esforço que fizessem.
Acho que nas entrelinhas existe aqui bastantes ideia a serem exploradas. E questões que nos Lusos devemos analisar na nossa colectiva Lusitânia. Os males da juventude são as anciãs arrebatadoras de quererem tudo imediato depressa. E todas as presas pelo que sempre se diz nunca fora amiga do bem feito.

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