Em primeiro lugar quero pedir desculpas a quem já estava
habituado a acompanhar a minha página deste blogue. Neste momento acho que já
me sinto com coragem de escrever o que visionei ultimamente, pouco mas visionei
algumas coisas.
Se em comentários anteriores falava de tendências e
referia-me a vampiros, homens lobo e zumbis, podemos dizer que destaca-se um
outro tema quase transversal na cinematografia que estreou ou está para
estrear, que é a abordagem da ideia de prisão, que forçosamente remete há
viaje, e a fuga, a viajem por vezes assume um duplo significado, se por um lado
a viajem é uma viajem física onde a paisagem torna-se significante do eu
(personagem), por outro lado temos a viagem pelo interior do eu, onde analepses
vão caracterizando o personagem em paralelo com o espaço físico. Nestes onde o
tema prisão é abordado o espaço físico deve ser visto e interpretado como alem
de um complemento onde decorre a acção um elemento de caracterização do eu do
mesmo personagem, a paisagem danos complementos de personalidade, ajudando a
caracterizar o personagem.
O interessante é que se analisarmos o cinema como arte vemos
que neste momento tenta a induzir o espectador a fechar a tornar-se recluso,
prisioneiro de si mesmo, jogo perigoso pois se continuarmos assim acho que aqueles
que visionam filmes sem terem mecanismos de defesa para se salvaguardar dos
efeitos indutivos poderão entrar num processo pavloviano de indução e nesse
sentido se queremos ver o cinema como industria, podemos dizer que se entrar na
abordagem argumental de destruição de
personalidades por indução em breve teremos a fuga dos espectadores das salas.
Numa indústria que move milhões, se o espectador desaparecer pergunto-me se
valerá a pena a realização de determinados filmes que em vez de atrair
espectadores os afasta das salas.
Com isto não quero dizer que o cinema infantil é o futuro,
na minha perspectiva nenhuma história infantil é construtiva, a cem por cento,
na maioria dos casos essas historias se as analisarmos numa perspectiva
psicológica tem um grande poder indutivo, se analisarmos o próprio conceito
conto de fadas, conto que te fada, isto é contos de encantar que encantam nos
prelúdios do sono pelas artes as crianças no seu sono que já indutivo, ajudará
a criar personalidades.
Se repararmos hoje em partículas nestes últimos anos a
preocupação nas histórias argumentos é fadar, isto é induzir pelos mecanismos
das artes. Pois neste fado de fadar, esquecemo-nos que vamos criando um fadar
comunitário, se analisarmos por exemplo O fado tão característico da cultura
portuguesa, e a visão melancólica e saudosista do português, verificamos que
tanto a sonoridade como a letra poética ajudou a caracterizar esta
personalidade colectiva saudosista melancólica, iniciada já naqueles nevoeiros
Sebastanicos, onde os lusíada é a semente iniciadora de uma poética saudosista,
mas se os lusíadas quase que grita a um levantai-vos de novo, no seu esquema
interior bem coma na maioria dos sonetos poéticos camonianos vemos já a semente
da criação da ideia de fado saudosista, bem como desse destino que através da
individualidade se torna colectivo.
Em relação ao fado, tantos analistas falam da influencia
árabe na sonoridade e no canto, mas se começarmos a fazer conexões vemos já
essas conexões ao mito sebastianico de Alcácer Quibir, a promoção do canto
melancólico, o canto cantado pela alma onde a nostalgia essa saudade tão típica
português germinada num dia de nevoeiro numa batalha em Marrocos.
Beijo de separação desse passado, nebuloso esperando na
nostalgia o futuro.
Neste momento penso em Casa Blanca. Filme que nas
entrelinhas fala, grita, em especial aos seres que sempre na diáspora olham
para o futuro como esperança. Se repararmos Portugal, esta Lusitânia da paixão,
esta em diáspora desde essa metáfora marroquina do Alcácer Quibir.
Mas o problema agora do português que recluso olhando o
futuro da libertação, possa sofrer de anciã rápida e como todo o ser que ao
renascer se torna ansioso, querendo que tudo aconteça depreca, cometa o erro de
errar com as pressas das anciãs que esta a sofrer. Se repararmos veste momento
a sonoridade do fado mudou, se liga ao saudosismo, essa vertente esta em
mutação, tornou-se ligeiramente vadio ansioso, casa com tango em tangos rápidos
perigosos, pois a intenção dos promotores deste tango era deixarem o luso de
tanga.
Mas não deixaram, por muito esforço que fizessem.
Acho que nas entrelinhas existe aqui bastantes ideia a serem
exploradas. E questões que nos Lusos devemos analisar na nossa colectiva
Lusitânia. Os males da juventude são as anciãs arrebatadoras de quererem tudo
imediato depressa. E todas as presas pelo que sempre se diz nunca fora amiga do
bem feito.

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