Cinema documental, audio-livro
Já à alguns dias que não coloco
nada neste blogue, não por não ter nada por dizer mas por problemas pessoais. Hoje
tinha intenções de colocar algo que estive a redigir ontem mas achei melhor
coloca-lo amanha ou depois. Neste momento ando a visionar cinema documental,
mas cinema documental que pertence mais há ficção que ao documentário, poderíamos
antes dizer que se trata de sistemas ficcionais tratados sobre o formato de documentário
para reestruturação de realidades ou de induções sobre a realidade. Mas sobre
este tema acho o outro texto mais interessante pois é sobre este assunto.
Vivemos numa era em que a
realidade esta a ser questionada, as notícias falam de realidades analisadas na
perspectiva de quem as escreve, os programas desenvolvem assuntos que esta
dentro de um programa onde a realidade e o conceito de ver o mundo ou como o
apreendemos é a desse de construção. Podemos dizer que vivemos numa época de
construção de realidades e manipulações de realidades.
E tudo serve para esse fim. Actualmente
se havia uma divisão entre cinema documental e ficção ou ficção baseada em
realidades neste momento o modelo de documentário é colocado em causa pois o guião
é tratado como documentário criando no espectador a duvida sobre o que vê. Existem
no mercado alguns filmes que descrevem bem esta perspectiva que as artes
actuais tentam desenvolver a ficção desenvolvida num esquema documental para recriação
indução sobre a realidade.
O modelo é interessante, pois
cria no espectador o sentimento de dúvida sem este se dar conta que entrou num
processo indutivo sobre a realidade e como ver a realidade.
Mas sobre este assunto acho que o
outro texto que colocarei aqui esta bem mais interessante pois tento analisar
filmes concretos que utilizam este esquema como forma indutiva.
Ontem vi “Inferno de Dante em
animação, achei curioso pois desde que li o livro sempre me perguntei como
seria o livro em filme, finalmente o filme em animação do tipo manga. Para ser sincero
prefiro o livro, devo confessar que quando o li demorei mais tempo a desvendar
os entrelinhas que o texto em si. E foram esses entrelinhas que me deram mais
prazer pois vemos nelas a forma de como Dante vê uma cidade em que vive e os
seus habitantes, como os julga e como vê a própria sociedade. Grande metáfora sobre
como ver uma cidade e os seus habitantes. Quanto ao file esse se por um lado
deu-me muito prazer ao ver pois animação é um género que gosto bastante por
outro desiludiu-me pois sobre como Dante vê a sociedade da época temos muito,
preocupando-se mais sobre a luta que Dante tem nos infernos. A própria estruturação
dos infernos é bastante esquemática, havendo mais preocupação pelo sistema de
luta que o desenvolvimento das ideias expressa no texto, perguntando-me como será
a sequela pois ainda faltam duas cidades, purgatórias e paraíso para colocar em
filme.
Mas ontem descobri algo que ainda
não tinha utilizado o áudio-livro. E fiquei ate bastante contente com a
experiencia.
Na minha infância, uma das
lembranças que tenho guardadas de bom grado na memória eram as rádio novelas,
que eram lidas ou áudio representadas transmitidas pela telefonia. Na minha
casa telefonia ou rádio como se diz agora não havia, nas o meu vizinho esse
tinha sempre a dela ligada, não perdendo estes áudio folhetins radiofónicos.
Lembro-me que saia da pequena
escola primária, e sentava-me depois nas escadas da sua casa ou ia para a sua
varanda onde era recebido sempre de bom grado para fazer os trabalhos de casa
em especial de matemática que depois de feitos ele corrigia e se encontrasse
algum erro explicava-me a forma correcta e qual foi o meu erro, isto tudo tendo
o rádio e as novelas radiofónicas como pano de fundo.
Depois apareceu a televisão. E a
televisão essa captava mais a atenção e a forma de estar e de fazer os
trabalhos de casa foi alterado, continuava a fazer os trabalhos mas ai só
depois de ver a bonecada.
Actualmente mal vejo televisão e
para quem me conhece deve achar estranho. Mas sentia falta de um ruído de
fundo. Ouvia música rádio, mas quando ia para a cama estava habituado a ter o ruído
de fundo da televisão onde seguia determinados programas, e enquanto não
adormecia ia ouvindo opiniões dos sujeitos convidados para esses programas. Mas
como actualmente não ligava a televisão fazia-me falta aqueles debates, que
para ser sincero tenho que dizer me tiravam mais o sono pois ficava a pensar em
assuntos ali abordadas e adormecer adormecer ficava sempre para depois de
desenvolver mentalmente as questões ali abordadas.
Mas ontem pela primeira vez tive
a experiencia do áudio-livro, primeiro acho que estar a ouvir a leitura de um
livro requer atenção, se nos primeiros cinco minutos pensei que boa ideia para
quando se vai a conduzir o carro depressa me esqueci desta hipótese pois requer
atenção.
No meu caso estou a desenvolver o
meu inglês, dando-me conta que esta melhor do que pensava, pois ate entendo
tudo, e quando surge alguma palavra que tenho dificuldade aponto e mentalmente
vou fazendo a tradução em português. Hoje já trouxe o dicionário de inglês português
para a cabeceira.
Não vou especificar o livro que
estou a ler, limitei-me a escolher um da parca oferta que me dava a escolha opetando
por um dos mais vendidos pela curiosidade. E ali estava eu na cama tentando
dormir, anda apontei num papel duas palavras que não sabia o seu significado, e
sei que adormeci no capítulo quatro ou cinco, quando as duas personagens
trocavam opiniões sobre a iniciação para a introdução da personagem principal
na família depois do casamento. Hoje o problema vai ser colocar a audição do
texto onde o deixei ou onde eu o deixei entregando-me ao sono, pois quando
acorde ainda estava a ser lido o texto.
E dei-me conta que adormeço mais
depressa. Acho que encontrei o melhor sonífero para a dificuldade em adormecer.
Hoje o problema vai ser colocar o
texto onde o deixei nessa bifurcação entre a audição e o sono. Mas como experiencia
esta a ser interessante quando estava na cama lembrei-me da época em que na
cama e por falta de livros infantis me Lião os lusíadas por falta de livros de
histórias para adormecer.
Espero encontrar o “Orlando
furioso” do Ariosto para futura audição.

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